Menos de 1 ano após o fim do remake de “Pantanal” (encerrado em outubro de 2022), a TV estreia nesta segunda-feira (8) sua nova das nove “Terra e Paixão”, também ambientada em Mato Grosso do Sul. E, apesar de usarem o mesmo Estado como cenário, essas histórias têm lá suas discrepâncias, que talvez o público ainda não tenha se dado conta.

É que desde que as primeiras chamadas passaram a ser divulgadas, sul-mato-grossenses em geral notaram diversas semelhanças entre os folhetins. Contudo, o MidiaMAIS preparou esta lista destacando as 10 principais diferenças entre “Pantanal” e “Terra e Paixão” para te ajudar a diferenciar bem as duas histórias e não se perder no meio do que aparenta ser igual.

Confira a seguir a lista com 10 diferenças importantes entre uma novela e outra e entenda o universo de cada uma delas.

1) Sem sucuri e mulher onça

Até onde se sabe, Walcyr Carrasco não pretende abordar nenhum suposto folclore sul-mato-grossense, ao contrário de “Pantanal”, que era baseada no que o autor Benedito Ruy Barbosa fantasiou em sua mente a respeito do bioma.

O universo de “Pantanal” era quase 100% inventado por Benedito, com base em seus conhecimentos sobre a lida no campo, mais o misticismo que ele acreditava que a região tinha. Em contrapartida, “Terra e Paixão” já tem mais o pé no chão nesse ponto.

Portanto, a princípio, não teremos nenhum velho se transformando em sucuri e nenhuma mulher virando onça. Porém, vale destacar que a novela é uma obra aberta, e se der na telha do autor acrescentar essas narrativas, ele pode fazê-lo a qualquer momento.

2) MS na abertura

Se o remake de “Pantanal” frustrou os sul-mato-grossenses ao convidar Maria Betânia para cantar o tema de abertura, “Terra e Paixão” vem colocar um “curativo” nessa ferida. Isso porque Ana Castela, cantora de Mato Grosso do Sul, recebeu o convite da produção e gravou o tema da vinheta juntamente com Chitãozinho e Xororó.

Na voz dos três, a música “Sinônimos” embalará “Terra e Paixão” todos os dias com representatividade de MS. Ao contrário de “Pantanal”. Nada contra a grande Maria Betânia, mas é que, para os sul-mato-grossenses, ter Almir Sater ou algum outro cantor da terra dando voz à trilha diária seria mais significativo.

Ainda assim, a maioria curtiu a versão de Betânia para a obra. Relembre:

3) E por falar em trilha…

Almir Sater não está na trilha de “Terra e Paixão”. Mais uma grande diferença entre a nova novela gravada em MS e o remake de “Pantanal”. Figura indissociável do bioma, Sater ficou restrito à novela que era ambientada na região. Sua figura agora também é indissolúvel à trama e colocar Almir em “Terra e Paixão” remeteria muito à “Pantanal”, algo que a emissora não quer. Por isso, não teremos o menestrel em primeira instância.

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Almir Sater caracterizado como Eugênio para a festa de casamento da novela – (Foto: João Miguel Jr/TV Globo)

4) Músicas de modo geral

As canções que vão sonorizar “Terra e Paixão” também seguem um estilo completamente diferente do adotado em “Pantanal”. Enquanto o remake apostava numa pegada mais “cult” e com muitas regravações encomendadas, “Terra e Paixão” traz as trilhas mais populares possíveis.

O sertanejo estará com força, o que é condizente com a cultura musical sul-mato-grossense. Mas a novela também ousa em uma trilha sonora internacional pra lá de instigante e bem selecionada. As chamadas têm apresentado um pouco dessa mistura e está bonito de ver e ouvir. Singles universais que, bem encaixados, combinam com os cenários e os personagens do folhetim.

“Pantanal”, por sua vez, proporcionou ao telespectador uma experiência diferente em relação às trilhas. Nada popularesco.

5) Protagonismo feminino

Se “Pantanal” tinha Zé Leôncio (Marcos Palmeira) e Velho do Rio (Osmar Prado) como personagens centrais, “Terra e Paixão” traz uma mulher, Aline (Bárbara Reis), com toda a força condutora. Pelas chamadas e com base no histórico do autor, já é possível notar a garra da mocinha e sua força para vencer.

Ela vai plantar pela primeira vez na vida e se tornará uma grande produtora de grãos, em busca de justiça e de sua independência. “Pantanal” até tinha Juma (Alanis Guillen) com certo destaque, mas a filha de Maria Marruá (Juliana Paes) era mais coadjuvante do que protagonista.

Além disso, terminou ofuscada diversas vezes pela própria chatice, algo que não deve acontecer em “Terra e Paixão”.

6) Sem submissão

Ainda falando de protagonismo feminino, Glória Pires também promete brilhar com sua vilã Irene, mulher do fazendeiro e também vilão, Antônio La Selva, vivido por Tony Ramos. Se em “Pantanal” a maioria das mulheres era submissa ao marido ou aos homens de forma geral, “Terra e Paixão” mostrará as senhoras no comando de tudo.

Irene terá forte influência sobre o marido e jamais se comportará de forma submissa, como a Filó (Dira Paes), por exemplo, que rastejou a novela inteira por um homem que sempre lhe fez pouco caso. Ainda assim, ela sempre estava ali, disposta a servir. Bruaca (Isabel Teixeira) até tentou ser voz para a libertação feminina, mas terminou presa a outro homem, Alcides (Juliano Cazarré), após encerrar a relação abusiva com Tenório (Murilo Benício).

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Casais de "Pantanal" e "Terra e Paixão" - (Fotos: TV Globo)
Casais de “Pantanal” e “Terra e Paixão” – (Fotos: )

Caberá à Débora Falabella um papel semelhante: Lucinda apanha do marido e deverá se superar ao colocar um fim nas agressões em “Terra e Paixão”. Desse modo, a protagonista Aline também será um exemplo da ausência da submissão. Ela lutará e não aceitará ordens dos poderosos homens que matarão seu marido e tentarão a todo custo tirar suas terras.

Personagem de Débora Falabella levantará questões importantes em "Terra e Paixão" - (Foto: TV Globo) pantanal
Personagem de Débora Falabella levantará questões importantes em “Terra e Paixão” – (Foto: TV Globo)

7) Remake X Original

Outra diferença importante é que “Pantanal” (2022) era um remake, apenas uma obra baseada em um texto escrito em 1990, com pouquíssimas atualizações. Já “Terra e Paixão” é uma criação original de Walcyr Carrasco, que conversa com a atualidade. Isso fará toda a diferença para quem acompanhou “Pantanal” e pretende assistir à trama que estreia nesta segunda (8).

8) Novela longa

Ao contrário de “Pantanal”, que foi uma trama relativamente curta, com 167 capítulos, “Terra e Paixão” será o maior folhetim da TV Globo dos últimos anos. A novela de Walcyr Carrasco terá 221 capítulos e só terminará em janeiro de 2024. Obras famosas como “O Clone” (2001), “O Cravo e a Rosa” (2000) e “Senhora do Destino” (2004) tiveram a mesma duração. Haja história!

Vale lembrar que Walcyr Carrasco já fez novelas maiores. “Alma Gêmea ” (2005) teve 227 capítulos e “Caras e Bocas” (2009) teve 232 capítulos. A duração padrão de uma novela das nove nos últimos anos tem sido de 179 capítulos. Ou seja, ao projetar “Terra e Paixão” com um número bem maior de episódios, a emissora aposta no sucesso.

9) Cidade fictícia em Terra e Paixão

Enquanto “Pantanal” se ambientava no bioma e fazia sempre questão de dizer o nome das cidades reais como Campo Grande, e tantas outras, “Terra e Paixão” fará diferente. A novela de Walcyr Carrasco será contada em um município fictício chamado Nova Primavera, que usará imagens das cidades de e para sua construção na telinha.

10) MS obsoleto e caricato X MS mais próximo do real

Por fim, se “Pantanal” mostrou um Mato Grosso do Sul um tanto ultrapassado e pouco condizente com a realidade, “Terra e Paixão” vem mudar essa imagem obsoleta propagada pelo remake. Com a mulher no agronegócio, liderando e produzindo, além da inserção real do tereré nos hábitos de todos os personagens e a preocupação com o sotaque, a nova novela das nove deverá representar MS muito melhor que a regravação do clássico da Manchete.

A trama de Benedito Ruy Barbosa, “atualizada” por Bruno Luperi, carregou um sotaque pouco fiel ao de MS e repetiu, equivocadamente, dialetos usados na primeira versão que não condizem com o jeito de falar e nem com as expressões usadas em Mato Grosso do Sul.

Em “Terra e Paixão”, veremos um MS da atualidade, embora numa cidade fictícia, mas jargões como “ara”, “diacho” e um caipiresco caricato não deverão aparecer. Todos os atores estão muito preocupados e empenhados em fazer o sotaque direitinho e, pelas prévias, dá para ver que estão conseguindo.

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Paulo Lessa e Bárbara Reis, caracterizados como Jonatas e Aline nos bastidores de “Terra e Paixão” – (Foto: TV Globo)

E aí, curtiu a lista do MidiaMAIS destacando 10 diferenças importantes entre “Pantanal” e “Terra e Paixão”? Faltou alguma coisa? Não gostou de algo? Adorou algum item? Envie sua opinião ou sugestão no número a seguir.

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