Campo Grande amanheceu novamente encoberta por fumaça, condição que é impulsionada pelos incêndios florestais na região do e Amazônia. Neste domingo (19), o índice de qualidade do ar atingiu 67. Apesar de ser considerado moderado, esses índices podem afetar a saúde de grupos vulneráveis.

Professor de Física e doutor em Geofísica Espacial, Widinei Alves Fernandes, destaca que as partículas de fumaça impactaram a qualidade do ar em Campo Grande, elevando-a para a faixa moderada desde a última quinta-feira (16).

A qualidade do ar é considerada moderada quando alcança níveis entre 51 a 100, segundo o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), essa faixa é considerada aceitável. No entanto, para grupos mais sensíveis à poluição do ar, pode ocasionar problemas de saúde.

Além de prejudicar a saúde, a fumaça também dificulta o tráfego, especialmente nas regiões do Pantanal. Portanto, a recomendação é manter a atenção redobrada nas estradas.

Em vídeo divulgado pelo perfil Edflydrone, nas redes sociais, é possível ter a dimensão da fumaça que pode ser vista em diversos bairros de Campo Grande:

Monitoramento

O índice de qualidade do ar é monitorado pela EMQAr (Estação de Monitoramento) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que analisa o Material Particulado (PM10 e PM2,5). Esse material particulado é o principal poluente atmosférico usado como parâmetro para a análise e caracterização da qualidade do ar, devido aos prejuízos à saúde e ao meio ambiente que pode causar.

Estação de qualidade do ar
Estação de qualidade do ar (Divulgação, UFMS)

Até quarta-feira (15), a qualidade do ar em Campo Grande era considerada boa, mas com o aumento dos incêndios, somado à onda de calor, a qualidade do ar mudou para moderada.

No estado vizinho, Mato Grosso, a condição é ainda pior. Dados do World Air Quality Index indicam que a qualidade do ar no município de Poconé, a 446 km de , é considerada insalubre. O índice chegou a 166, representando riscos à saúde da população local.

Incêndios assolam o Pantanal

CPA-CBMMS / Mairinco de Pauda, Semadesc
Região do Buraco das Piranhas (CPA-)

Nas últimas 48 horas, o satélite de referência do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectou 356 focos ativos de queimadas em Mato Grosso do Sul. Em 24 horas, Mato Grosso do Sul registrou 837 focos de calor na região do Pantanal, conforme dados do Boletim Risco de Incêndio da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), divulgado neste domingo (19).

A maior incidência de focos de calor foi registrada no município de Miranda (420), seguido de Corumbá (236), Aquidauana (173) e Porto Murtinho (8).

O foco de calor não necessariamente indica um incêndio, mas devido às altas temperaturas pode haver probabilidade de fogo, por isso as áreas de risco são monitoradas.

Recomendações

fumaça campo grande
Campo Grande no ultimo sábado (18) (Marcos Erminio, Midiamax)

A solução para o combinado de altas temperaturas e fumaça é seguir recomendações do especialista. Atividades físicas em qualquer horário do dia devem ser reduzidas e a ingestão de líquidos deve ser intensificada em todas as idades.

O repouso também é recomendado pelo professor, assim como umidificar o ar onde a pessoa estiver. “Tomar cuidado principalmente com idosos e crianças, que são os que mais sofrem com essa condição”.

Até máscaras de proteção podem ser consideradas. Isso porque “se essa condição ainda perdurar ou chegar a piorar, mudando de índice para ruim, também recomenda-se o uso de máscara”, afirma o especialista.

Se Campo Grande registrar índice ruim na qualidade do ar, a população pode se proteger com as mesmas máscaras usadas na época da . Por fim, Widinei destaca que “a exposição dessas partículas potencializa bastante risco de AVC, problemas cardíacos e principalmente os problemas respiratórios”.

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