Além das altas temperaturas, Campo Grande enfrenta uma nuvem de fumaça causada pelos incêndios no Pantanal. Nos últimos dois dias, a cidade foi coberta por uma nuvem cinza e perdeu qualidade do ar.

O professor de Física e doutor em Geofísica Espacial, Widinei Alves Fernandes, afirma que as partículas de fumaça afetaram a qualidade do ar em Campo Grande. Ele comenta que, desde a quinta-feira (16), “esse índice subiu para a condição moderada e está nas últimas horas ainda aumentando”.

Widinei coordena a Estação de Qualidade do Ar da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Então, o especialista explica que a fumaça é composta por “partículas muito finas, são partículas em decorrência da combustão, de queimadas, partículas devido ao fluxo veicular e também a própria emissão veiculares”.

Apesar de o número de partículas ser registrado, normalmente, durante o horário de pico do trânsito, Campo Grande registrou aumento durante a noite. Desde a quinta-feira (16), a cidade foi acinzentada pela fumaça.

O professor aponta que o aumento das partículas de fumaça “foi devido, a essa chegada dessa pluma, em decorrência às queimadas que ocorreram no Pantanal e também na Amazônia”. Portanto, explica que “a poluição do ar é um problema transfronteiriço, ou seja, que de regiões relativamente distantes pode impactar outras regiões”.

Índices de qualidade do ar em Campo Grande. (Reprodução/ QualiAr)

Índices em Campo Grande

A qualidade do ar era considerada boa em Campo Grande até a quarta-feira (15). No entanto, no mesmo dia, por volta das 23h30, o índice de qualidade do ar foi alterado.

Campo Grande passou de boa qualidade para moderada. As queimadas no Pantanal e região da Amazônia causam preocupação para a população sul-mato-grossense.

“A nossa região total, aqui Mato Grosso do Sul como um todo, está sofrendo com essa poluição vindo da Amazônia e do Pantanal”, diz o especialista. Widinei ressalta que a condição do ar e qualidade já está “aumentando para uma consideração, podendo chegar até uma concentração ruim mais tarde”.

Recomendações

A solução para o combinado de altas temperaturas e fumaça é seguir recomendações do especialista. Atividades físicas em qualquer horário do dia devem ser reduzidas e a ingestão de líquidos deve ser intensificada em todas as idades.

O repouso também é recomendado pelo professor, assim como umidificar o ar onde a pessoa estiver. “Tomar cuidado principalmente com idosos e crianças, que são os que mais sofrem com essa condição”.

Até máscaras de proteção podem ser consideradas. Isso porque “se essa condição ainda perdurar ou chegar a piorar, mudando de índice para ruim, também recomenda-se o uso de máscara”, afirma o especialista.

Se Campo Grande registrar índice ruim na qualidade do ar, a população pode se proteger com as mesmas máscaras usadas na época da Covid. Por fim, Widinei destaca que “a exposição dessas partículas potencializa bastante risco de AVC, problemas cardíacos e principalmente os problemas respiratórios”.