Mortes de pedestres no trânsito aumentam 200% em Campo Grande nos últimos 3 anos

No primeiro semestre de 2022, nove pedestres perderam a vida no trânsito da Capital
| 06/07/2022
- 07:56
pedestres
Pedestre atravessando na faixa. (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo Midiamax)

A atualização de estatística da Agetran (Agência de Transporte e Trânsito) aponta que o número de pedestres que perderam a vida no trânsito de Campo Grande sofreu aumento de 200% neste ano, comparado ao primeiro semestre de 2020 e 2021.

O balanço são ocorrências do BPMTran (Batalhão de Polícia Militar de Trânsito). Os dados são preenchidos na tabela considerando as vítimas fatais que morreram no local do e que não resistiram e morrendo, num período de até 30 dias, em hospitais da cidade. Campo Grande faz parte do Programa Vida no Trânsito, coordenado pelo Ministério da Saúde.

Em 2020, três pedestres perderam a vida no trânsito, sendo um em janeiro, um em maio e outro em junho. Os números do ano passado são iguais: uma vítima fatal em janeiro, uma em março e outra em junho. Os registros podem se considerar baixos em vista do período de quarentena, imposta pela pandemia. Pois, em 2019, o semestre encerrou com seis pedestres atropelados que vieram a óbito.

Quanto aos dados de 2022, o número é superior aos demais registros, sendo março um dos meses mais violentos para a categoria. Em janeiro foram dois, fevereiro duas pessoas, março foram quatro, uma em abril e uma em junho.

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Cadeirante perdeu a vida no trânsito de Campo Grande (Foto: Stephanie Dias / Midiamax)

Mais respeito com pedestres no trânsito

Na Capital, há instalados 920 porta focos de pedestres, o semáforo com comunicação e temporizador e 40 passagens específica para travessia de pedestres, conforme a Agetran.

A Gerente de Educação para o Trânsito da Agetran, Ivanise Rotta, explica que o CTB (Código do Trânsito Brasileiro) pondera o cuidado do maior ao menor veículo no trânsito, ou seja, o pedestre é mais vulnerável e precisa ser prioridade e respeito de passagem nas vias públicas. Assim, os condutores também devem garantir a do próximo.

“Todos os condutores precisam desenvolver a conduta de proteção, se antecipar  ao que pode acontecer a sua frente. Buzinar ou dar luz alta? Nenhum dos dois, o condutor ao avistar qualquer perigo eminente, diminua a velocidade e esteja preparado para frear, simples assim. Lembremo-nos da velocidade máxima permitida em todas as vias de Campo Grande, 50k/h", disse.

Outro realce da especialista é que a faixa de pedestre não é uma 'redoma de vidro' com proteção máxima. "Ao atravessarmos temos que pensar em todas as possibilidades, infratores que não dão a preferência, infratores em velocidade acima dos 30 km/h regulamentada antes das faixas, pessoas embriagadas, alguém fugindo, estressado e sem empatia. Mesmo atravessando na faixa, nós pedestres precisamos estar atentos para nos proteger. Juntos salvamos vidas", finaliza.

Cadeirante atropelado

O último caso ceifou a vida do cadeirante Raimundo Nonato, no cruzamento das ruas Elenir Amaral e Edmundo de Almeida, no bairro Zé Pereira. O acidente envolveu um ônibus, na tarde do dia 1°. A vítima aguardava embaixo de uma árvore e atravessou a rua quando para entrar no coletivo, entretanto, o motorista não teria percebido e acabou atropelando o rapaz.

A ocorrência ainda está sendo investigada pela 7ª Delegacia de Polícia Civil, onde é tratado, por enquanto, como acidente de trânsito com vítima fatal provocado pela própria vítima.

Em março, Igor Eduardo Guimarães Cardoso, de 27 anos, morreu após ser atropelado na Avenida Ernesto Geisel, na Vila Jacy. A vítima atravessava a rua quando foi atingida por um veículo conduzido por um idoso de 63 anos.

O homem foi socorrido e encaminhado para a Santa Casa, com traumatismo craniano grave, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade hospitalar. Ao dar entrada no local, Igor recebeu atendimento de urgência no Pronto-socorro, sofreu uma parada cardiorrespiratória, apesar dos esforços, não teve reversão do quadro. O óbito foi constatado às 22h03 e o corpo encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal), onde acabou sendo identificado.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que pedestre foi atropelado. A vítima atravessava a Avenida quando foi atingida por um veículo Volkswagen Gol que seguia pela faixa da esquerda.

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