Na esteira da operação da Polícia Federal que prendeu, nesta manhã (15), manifestantes bolsonaristas suspeitos de atacarem as instalações do Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado sul-mato-grossense Dagoberto Nogueira (PDT) elogiou a resposta da Suprema Corte aos movimentos antidemocráticos e disse que, “no passo em que estamos, o Brasil está muito próximo de se tornar a Venezuela”, em referência ao regime de Nicolás Maduro, taxado de “ditadura” por seus críticos.

Em entrevista ao Jornal Midiamax, Dagoberto ainda disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incita as agressões contra as instituições democráticas com sua postura “autoritária” e ponderou que, “se o STF tivesse agido antes, [Brasília] não estaria essa baderna”.

“Não é porque ele é presidente que vai impor um estado de ditadura. As pessoas agrediram a democracia e estão agredindo as instituições; se não houver uma medida enérgica, vamos ficar muito próximos à Venezuela”, disse Dagoberto. “Além de agredir o STF, [Bolsonaro] estimula as agressões”, acrescentou.

A “baderna” a qual Dagoberto se refere aconteceu na noite de sábado (13), quando cerca de 20 manifestantes bolsonaristas autodenominados “300 do Brasil” simularam um ataque armado à Suprema Corte, com fogos de artifício.

Na esteira do episódio, a PF deflagrou hoje (15) uma operação que resultou na prisão da líder do movimento, Sara Winter, além de outros cinco suspeitos de envolvimento no crime.

Para Dagoberto, Bolsonaro deve ser responsabilizado pela “imagem ditatorial” que o Brasil está transmitindo ao mundo. Desde março, o presidente tem gerado polêmica ao participar – ao lado de militares – de manifestações que pedem o fechamento de instituições democráticas como o Congresso Nacional e o STF, causando aglomerações em plena pandemia de coronavírus.

Ataque

O ataque com fogos contra o Supremo resultou em um pedido de inquérito por parte do Ministério Público Federal, para investigar os responsáveis pelo crime. De acordo com o MPF, “os atos podem ser enquadrados na Lei de Segurança Nacional, nos crimes contra a honra, além da Lei de Crimes Ambientais por abranger a sede do STF, situada em área tombada como Patrimônio Histórico Federal”.

Venezuela

Quem também comparou o cenário político do governo de Bolsonaro ao regime venezuelano foi o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

“Quero dizer aos saudosistas da ditadura que vocês já perderam. O Brasil não vai virar uma Venezuela, nem Bielorrússia ou Cuba. Nem ditadura fascista, nem proletária”, disse Doria – ex-aliado de Bolsonaro – durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes.

Para o governador, “a maioria dos brasileiros quer a democracia e saberá democraticamente derrotar os extremistas”.