Oposição diz que Azambuja não “fez nada”

Petistas e peemedebistas não escondem preocupação com os casos de corrupção envolvendo o partido. Porém, não acreditam que o governador (PSDB) esteja em situação tão confortável em relação às próximas eleições ou mesmo a reeleição, embora alguns ainda digam ser cedo para falar em reeleição.

“Não está tão confortável. Se tivesse não estaria aumentando tributo. Assumiu em um momento onde a União está em crise. Todo mundo tem desgaste”, avaliou o líder do PMDB na Assembleia, deputado Eduardo Rocha.

O deputado Pedro Kemp (PT) entende que Azambuja e o PSDB estão realmente em vantagem, mas por conta do governo na mão, que garante maior articulação política. Ele recorda fase igual vivida por Zeca do PT e por André Puccinelli, mas adverte para os tropeços na própria gestão.

“O governo de Azambuja não tem conseguido inovar, apresentar projeto e fazer investimento. Está fazendo um arroz com feijão com muita dificuldade até para pagar 13º salário. Não apresentou nada de concreto, com exceção da caravana da saúde. Não está conseguindo empolgar a população. Talvez isso equilibre as forças”, analisou.

Apesar de citar Azambuja, o deputado admite que tanto PMDB, quando o PT, vivem momentos difíceis, seja pela Lama Asfáltica ou agora com a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT), que tem preocupado até prefeitos e vices que recorriam a eles para abrir portas em Brasília.

O deputado Maurício Picarelli (PMDB) concorda que o momento não é dos melhores para PT e PMDB, mas defende a gestão de Reinaldo Azambuja. Ele exaltou a “coerência” de Azambuja, ressaltando que ele está economizando e deve apresentar melhora no ano que vem. “Queremos que o Governo vá bem. Por isso fazemos parte da base”, justificou.

O PMDB enfrenta problemas em Mato Grosso do Sul por conta das derrotas na Prefeitura de Campo Grande e na disputa pelo Governo do Estado, mas a crise se agravou depois que a Polícia Federal instalou a Operação Lama Asfáltica, colocando a gestão de André Puccinelli em xeque.

As investigações chegaram a levar o ex-deputado federal e amigo de Puccinelli, Edson Giroto (PR) e vários protagonistas da Secretaria de Obras da gestão peemedebista para a cadeia. Até o momento Puccinelli não foi condenado e nem preso, mas ainda enfrenta investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União.

O PT assistia o PMDB se enrolar, mas teve surpresa nada agradável com a prisão de uma das suas maiores lideranças, o senador Delcídio do Amaral. A prisão de Delcídio foi um baque para parte do PT, que se viu em situação bastante constrangedora.

 Agora, PMDB e PT, que sempre foram rivais ferrenhos em Mato Grosso do Sul vivem momento de dificuldade e dividem a mesma dor. O clima é tão pesado que as discussões nem têm sido levadas para Assembleia Legislativa, onde já não se vêm debates acalorados em defesa da “moral e dos bons costumes”.