A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) publicou nota oficial, na madrugada desta quarta-feira (22), para prestar esclarecimentos sobre a pancadaria entre torcedores brasileiros e argentinos durante a execução dos hinos, antes da derrota por 1 a 0 do Brasil para a , no Maracanã, pela sexta rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026.

No texto, a instituição diz ter planejado a partida de “forma cuidadosa e estratégica” junto às autoridades, “especialmente a Militar do Estado do Rio de Janeiro”. Segundo a CBF, a PM, que entrou em confronto com torcedores, aprovou sem objeções a estratégia de segurança apresentada.

“Os planos de ação e segurança foram aprovados sem qualquer ressalva ou recomendação pelas autoridades de segurança pública presentes ( RJ, SEPOL, Ministério Público, Juizado do Torcedor, Guarda Municipal, CET-RIO, Subprefeitura, Concessionária Maracanã, SEOP, etc.), dentre as quais a Polícia Militar do RJ, na primeira reunião realizada na sede da FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), no dia 16 de novembro de 2023, às 11:00h. Além dos planos de ação e segurança, os participantes da reunião trataram também de toda a montagem da operação da partida, contando com a participação de todas as partes diretamente envolvidas e responsáveis pela organização da partida e autoridades públicas”, diz o comunicado da CBF.

A entidade afirmou ainda que o mesmo procedimento dos planos de ação e segurança se deu em relação ao plano operacional, em reunião às vésperas da partida, com participação da Conmebol, organizadora das Eliminatórias.

“Na segunda (20), o plano operacional para o jogo foi igualmente aprovado sem qualquer ressalva ou recomendação na reunião realizada no Estádio Maracanã, com a presença da CBF, representantes da CONMEBOL, da Polícia Militar RJ, das empresas responsáveis pela operação do Maracanã, e que operam mais de 70 jogos no estádio por ano, e outras autoridades públicas”.

PM ressalta falta de separação entre as torcidas

A Polícia Militar se manifestou e justificou sua atuação no caso, destacando a falta de separação entre as torcidas. Também informou que oito pessoas foram encaminhadas ao Jecrim (Juizado Especial Criminal), entre elas uma torcedora argentina detida por ofender um funcionário do Maracanã com insultos racistas.

“Cabe ressaltar que não havia divisão entre torcidas nos setores do Estádio do Maracanã, por conta da venda de ingressos sem distinção entre as torcidas, o que foi definido pela organização do evento. Os agentes do BEPE (Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos) atuam nos casos em que a situação não é prontamente controlada pela equipe de segurança particular, de acordo com protocolos estabelecidos pela organização da competição”, diz o comunicado da PM.

A proximidade entre argentinos e brasileiros no estádio foi defendida pela CBF, segundo a qual o modelo de torcida mista “sempre foi de ciência da Polícia Militar do RJ e das demais autoridades públicas”. A entidade esportiva também argumentou que este é “o padrão em competições organizadas pela Fifa e Conmebol, como ocorre nas Eliminatórias da Copa do Mundo, na própria Copa do Mundo, Copa América e outras competições”.

Em seguida, cita o duelo entre Brasil e Argentina, pela semifinal da Copa América de 2019, como exemplo de partida com torcida mista em que a segurança foi garantida. “Não se trata de um modelo inventado ou imposto pela CBF”, conclui neste trecho do comunicado.

“Ou seja, todo o plano de ação e segurança foi elaborado e dimensionado já considerando classificação do jogo como vermelha e com a presença de torcida mista, tanto que atuaram na segurança da partida 1050 vigilantes privados e mais de 700 policiais militares da Polícia Militar RJ. Portanto, a CBF reafirma que foram cumpridos rigorosamente o plano de ação, de segurança e operação da partida, tal qual foram aprovados pela Polícia Militar RJ e demais autoridades”, acrescenta no parágrafo seguinte.

O texto termina afirmando que a única recomendação dada pelas autoridades à CBF ao longo do período de planejamento e organização da partida foi uma recomendação do Ministério Público para que “não realizem partidas de futebol no ano de 2023 com o formato de disponibilização da carga total de ingressos através de um tíquete eletrônico apresentado mediante exibição do aparelho de telefonia celular, tal como ocorrido na partida da final da Copa Libertadores no dia 04 de novembro de 2023”.

A medida, segundo a entidade, evitaria casos de invasão de torcedores sem ingresso ao estádio.

Incidentes

Durante a execução do Hino nacional argentino, a briga começou envolvendo pessoas de ambas nacionalidades. Argentinos e brasileiros foram pressionados contra grades e divisórias, enquanto policiais tentaram contê-los com o uso de força.

Os jogadores de Brasil e Argentina foram ao encontro do setor onde estava concentrada a confusão para tentar impedir que a pancadaria continuasse. Houve arremesso de assentos em direção aos policiais, que revidaram com golpes de cassetete. Alguns torcedores ficaram sangrando, outros tiveram de pular o muro e entrar no gramado para escapar da confusão.

Além da vaia ao Hino argentino, outras situações foram foco de tumulto, como a colocação de faixas e bandeiras na mureta do setor Sul do Maracanã. No local, em que não havia divisão de torcedores, com argentinos e brasileiros ocupando assentos lado a lado, havia apenas seguranças privados, com policiamento distante.

Momentos depois, os atletas da Argentina se retiraram do gramado sob o comando de Messi e os jogadores da seleção brasileira permaneceram no campo de jogo. A equipe tricampeã mundial informou que aguardaria cerca de 15 minutos para decidir se iria voltar ao gramado para a realização do clássico. Depois de os ânimos terem sido apaziguados, com reforço na divisão das torcidas, jogadores da Argentina retornaram ao gramado e o jogo foi disputado normalmente.

Com informações da Agência Estado

Saiba Mais