‘Não são todos que são assim’: grupo de motoristas repudia estupro e se manifesta contra hostilidades nas redes sociais

Recentemente, um motorista foi preso após estuprar duas mulheres e tentar cometer o mesmo crime contra uma terceira vítima
| 14/06/2022
- 16:18
‘Não são todos que são assim’: grupo de motoristas repudia estupro e se manifesta contra hostilidades nas redes sociais
Motorista de aplicativo, ilustrativa (Foto: Leonardo de França / Jornal Midiamax)

Após a repercussão do casos de estupro envolvendo um motorista de aplicativo em Campo Grande — que atacou três mulheres durante as corridas — um grupo de profissionais veio a para manifestar-se contra comentários hostis nas redes sociais, que foram emitidos contra a categoria. Em nota, eles afirmam que não compactuam com o crime, e que a maioria dos motoristas é trabalhadora e honesta.

Um dos ex-gestores do aplicativo Motóra e motorista de aplicativo desde 2016, Diego Diniz da Silva, de 29 anos, afirma representar o grupo de profissionais da categoria denominado G10, com cerca de 150 membros em um aplicativo de mensagem. Onde, os mesmo se comunicam entre si em relação à segurança, apoio a outros condutores e questões de trabalho.  

“Vemos os comentários de passageiros nas matérias generalizando e xingando os motoristas de aplicativo. Não são todos que são assim. Isso foi um caso isolado e que não compactuamos. A maioria são trabalhadores que sustentam suas famílias”, disse Diego.

Nota de repúdio

"O grupo de motoristas de aplicativo de Campo Grande G10, vem a público esclarecer que repudia a conduta desse cidadão que se beneficiou da profissão de motorista de aplicativo para cometer vários delitos, queremos deixar claro que ele não nos representa, e as atitudes ilícitas deste não pode sujar uma classe inteira de pessoas honestas e trabalhadoras.

Todos sem exceção corremos riscos diários, por que também somos vulneráveis aos passageiros que embarcamos, com risco de ser assaltado, agredido, assediado, coagido, ser ofendido com palavras de baixo calão. Com uma certa frequência é noticiado tragédias, como o do motorista de aplicativo vítima no dia 13/05/2019, de apenas 24 anos, morto a tiros de forma fútil, o autor do crime alegou ciúmes.

Também podemos citar um crime mais recente, no dia 20/05/2022, quando a motorista de 44 anos sofreu mais de 15 perfurações de faca, a vítima encontra se bem, porém com cicatrizes que sempre trará consigo. Ou seja, todos estamos sujeitos a passar por diversas situações desagradáveis, inclusive quando trabalhamos e não recebemos pelo nosso serviço, ser motorista de aplicativo hoje é dar acesso a uma classe de pessoas que não tinha acesso devido ao alto custo do transporte dos táxis e pela má prestação de públicos (Ônibus).

Já sentimos na pele os riscos e os perigos da nossa profissão, mais com a proteção de Deus seguimos firme, pois é através dele que levamos o sustento para as nossas famílias. Gostaríamos deixar isso claro, em nome dos motoristas que são pessoas de boa índole, de caráter, de homens e mulheres batalhadores.

Queremos deixar nosso agradecimento ao Poder Judiciário que exercem seu papel fundamental a nossa sociedade, e que farão com que tal motorista arque com suas Consequências perante a Justiça."

Prisão do motorista

Após ser preso na manhã da quinta-feira (9), por policiais da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à  Mulher), o motorista de aplicativo de 33 anos, que tentou estuprar uma passageira, confessou os crimes, inclusive, que teria estuprado outras duas mulheres em menos de 72 horas.

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Autor dos crimes (Foto: Henrique Arakaki / Midiamax)

Ele confessou em depoimento, que escolhia as vítimas de forma aleatória, bastando apenas ser mulher, e que sempre que cometia os crimes, estava sob efeito de pasta base de cocaína, segundo a delegada Elaine Benicasa. O motorista de aplicativo tinha sempre o mesmo modus operandi.

O acusado abordava as mulheres e durante a rota mudava o trajeto escolhendo ruas escuras e ermas para cometer os abusos. Ele ainda disse que sempre usava pasta base de cocaína. As outras duas mulheres foram obrigadas sob ameaças a masturbar o homem, que também se masturbava na frente delas, as obrigando a assistir. 

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