Moradores do entorno do CMO (Comando Militar do Oeste), na Avenida Duque de Caxias, entregam um ofício à Câmara Municipal de Campo Grande pedindo a retirada dos manifestantes que há 11 dias se concentram na região. Vizinhos reclamam de barulho e mudança na rotina com os protestos de eleitores inconformados com o resultado das eleições presidenciais do Brasil.

Cerca de 13 pessoas estiveram na Câmara para entrega do documento formal sobre a reclamação. Segundo uma servidora pública de 56 anos, que preferiu não se identificar por medo de retaliação, as manifestações têm atrapalhado quem mora na região. A maior reclamação é do barulho em qualquer hora do dia.

“Eles [manifestantes] cantam o hino nacional o dia inteiro. Os animais se assustam com fogos de artifício, os carros sobem na calçada, atrapalha a locomoção para quem está chegando ou saindo de casa. Atrapalha a rotina, desde que começou o protesto não tem paz”, relatou.

Leitura em plenário

Segundo moradores, o objetivo do documento é pedir a intervenção do Legislativo para retorno da normalidade de quem vive ali. O ofício foi lido pelo vereador Marcos Tabosa (PDT) que afirmou as providências e análise da casa.

“Está faltando o quê? Um documento da Nasa para tirar o pessoal desse local. Leis estão aí para serem respeitadas. Vamos tomar providências para encaminhar esse pedido”, disse.

manifestantes
Mayane e Roberto reivindicaram a reclamação (Foto: Henrique Arakaki)

Dois manifestantes compareceram ao plenário para contestar a reclamação dos moradores, alegando não haver perturbação por parte dos protestantes no trecho da Avenida Duque de Caxias.

Mayene Monteiro, 59 anos, está participando do movimento desde o início, afirmando que é um manifesto ‘família’, contando até com participação de crianças, e que cantam músicas de louvor.

Ela questiona as alegações dos moradores, dizendo que não fazem barulhos e soltaram fogos de artifício apenas no primeiro dia. “Nós estamos pedindo ao Exército para salvar o Brasil do comunismo”.

Roberto Medeiros, de 53 anos, é fotografo e reforçou que o movimento é pacifista. Eles disseram que mesmo com a reclamação, não pretendem deixar o local de concentração.