A média móvel de casos de no Brasil segue em aumento de 24% em relação há duas semanas e, apesar da tendência de estabilidade no país, Mato Grosso do Sul está entre os cinco estados brasileiros com estabilidade alta, registrando uma morte por dia da doença. Também foi divulgado nesta quinta-feira (5) o Infogripe, que aponta o aumento de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em todo o país.

O aumento nos atendimentos já é percebido em Campo Grande, conforme anunciado pelo secretário da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), José Mauro Filho. Na segunda-feira (2), ele informou que reforçou o atendimento em unidades de saúde para prevenir o aumento de casos de doenças respiratórias em crianças, causadas por vírus respiratórios, que fez a busca por consultas dispararem em 250% na Capital.

Em abril deste ano, a demanda para tratamento saltou em comparação ao mesmo período do ano passado. Vários moradores têm reclamado da lotação em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e CRSs (Centros Regionais de Saúde), entretanto, a atual escala de pediatras não estava conseguindo atender o número de pacientes. Portanto, o reforço é de mais de 80 profissionais.

O secretário ressalta que a determinada inflamação não é registrada como Covid-19 ou Influenza. Ainda assim, alerta os pais para a importância da vacinação no público infantil, principalmente pela proximidade com o inverno, período em que aumenta os registros dos casos de doenças respiratórias.

Fiocruz e SRAG

Durante quatro semanas, o monitoramento da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Infogripe, apontou que Corumbá foi a única macrorregião com índice ‘extremamente alto' de SRAG no país. No boletim divulgado nesta quinta-feira (5), 14 dos 27 estados apresentam sinal de crescimento de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) no Brasil na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana epidemiológica 17 (última semana de abril): Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Santa Catarina.

Agora, vários outros estados retornam com os mesmos índices. O pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, ressalta que, no momento, a principal suspeita é que esse sinal de possível aumento na população adulta esteja associado ao Sars-CoV-2 (Covid-19), que tem apresentado leve crescimento  na positividade entre os casos leves, mas pode também estar associado a um eventual retorno do vírus Influenza A (gripe).

“Os dados laboratoriais associados aos casos de SRAG ainda não nos permitem precisar. As próximas atualizações poderão trazer maior clareza. De qualquer forma, é importante que a rede laboratorial esteja atenta a possibilidade de circulação simultânea desses dois vírus respiratórios, testando para ambos sempre que possível para que possamos ter dados adequados para a caracterização de quais desses vírus estão causando essas internações”.

Embora não se destaque no dado nacional, o Boletim alerta que o vírus Influenza A vem sendo observado em diversas faixas etárias no estado do Rio Grande do Sul, especialmente nas últimas cinco semanas. Nas crianças de 0 a 4 anos, o estudo mostra que o aumento de SRAG foi marcado pelo crescimento nos casos positivos para vírus sincicial respiratório (VSR) e leve aumento nos casos de rinovírus.

Já grupo de 5 a 11 anos, observa-se sinal de interrupção de queda nos resultados positivos para Covid-19 na segunda quinzena de fevereiro e aumento na detecção de outros vírus respiratórios no mês de março, com predomínio de positivos para rinovírus. 

Capitais segundo a Fiocruz

Observa-se, ainda, que 11 das 27 capitais apresentam sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo até a semana 17: Belém (PA), Boa Vista (RR), (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Maceió (AL), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Vitória (ES). (GO), Macapá (AP) e Palmas (TO) apresentam sinal de crescimento apenas na tendência de curto prazo.