A sétima fase da Operação Lama Asfáltica, batizada como “Motor de Lama”, investe contra 15 alvos, entre eles Rodrigo Souza e Silva, filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Além dele, investigados em fases anteriores da ofensiva voltaram à mira.

O MPF (Ministério Público Federal) pediu a preventiva de quatro pessoas: os empresários João Roberto Baird, João Alberto Krampe Amorim dos Santos, Antônio Celso Cortez e Antônio Celso Cortez Júnior. O juízo da 3ª Vara Federal de substituiu as prisões por medidas cautelares, em função da pandemia de novo .

Assim, os quatro estão impedidos de mudar de endereço ou sair de casa por mais de uma semana sem autorização judicial. Além disso, foram obrigados a entregar passaporte e estão proibidos de deixar o País.

O MPF também quis a prisão de André Luiz Cance e sua companheira, Ana Cristina Pereira da Silva, bem como de Dante Carlos Vignoli, funcionário comissionado do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito) da área de Tecnologia de Informação, e de Antonio Ignacio de Jesus Filho, representante legal da empresa Ice Cartões Especiais Ltda. O pleito foi negado.

A Justiça Federal também determinou o e bloqueio de R$ 42.082.575,55, com base nas movimentações financeiras ilícitas identificadas durante as investigações. Destes, R$ 16.279.066,04 de João Baird, e de Antonio Cortez e sua empresa, a PSG Tecnologia Aplicada.

Já Antonio Ignacio Filho e a Ice Cartões Especiais Ltda tiveram bloqueados R$ 18.359.375,65.

João Amorim teve R$ 5.920.719,46 bloqueados, ao passo que Dante Vignoli, outro R$ 1.523.414,40.

A Polícia Federal, junto com agentes da Receita Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União), cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a João Roberto Baird, João Amorim, Antônio Celso Cortez e Cortez Júnior, André Cance, e Rodrigo Souza e Silva. Além deles, também foram alvos Quirino Piccoli, dono da CQP Transportes Ltda e a Transpiccoli Transporte Ltda, e Alexandre Souza Donatoni, apontado como “testa de ferro” de Baird.

A Justiça Federal também determinou a quebra dos sigilo bancário e fiscal de: João Baird; João Amorim; Antônio Celso Cortez e de sua empresa, a PSG Tecnologia Aplicada; Antônio Celso Cortez Júnior; André Cance; Ana Cristina Pereira da Silva; Quirino Piccoli e de suas empresas; Alexandre Souza Donatoni e das empresas das quais ele é ou foi sócio: Mil Tec Tecnologia da Informação Eireli, Igen Construtora Ltda, JMC Recapagem de Pneus Ltda, R.I. Tecnologia Ltda, MD Prestação de Serviços Ltda, Melo e Donatoni Comércio Ltda, FJA Logística e Transporte Eireli, Recape Comércio de Pneus Ltda e A2 Soluções em Informática Eireli; Rodrigo Souza e Silva e das empresas das quais ele é ou foi sócio: Souza, Ferreira e Novaes Sociedade de Advogados, Pesados Online Propagandas e Publicidades Ltda e Agropecuária Taquarucu Ltda; José Ricardo Guitti Guimaro; Mario Cassol Neto; Thiago Nunes Cance; e Tereza Nunes da Silva.

‘Motor de Lama'

A nova fase da Operação Lama Asfáltica investigou a operacionalização de suposto esquema de favorecimento da Ice Cartões Especiais Ltda, contratada pelo governo do Estado para expedição de CNHs (Carteiras Nacionais de Habilitação) e rastreamento e monitoramento de lacres de segurança em placas veiculares. De 2015 até aqui, a empresa recebeu R$ 152,3 milhões pelo contrato.

Segundo a Justiça Federal, a apuração ainda envolve licitações e contratações feitas pelo Detran-MS, que tiveram como contrapartida o pagamento de propina através de uma sociedade “de fachada” que a Ice teria com empresas de serviços de informática, alvos de fases anteriores da Lama Asfáltica.

Os valores foram rastreados e misturados a outros recursos, mascarados através de transferências bancárias para contas de terceiros, “adotando mecanismos bastante típicos da reciclagem de ativos e capitais ilícitos”. O esquema culminava com a evasão de divisas para o Paraguai através de operações financeiras semelhantes ao método conhecido como “dólar-cabo”. Neste sistema, os recursos são transferidos de forma eletrônica para o exterior, através de uma rede de doleiros.

As fraudes e propinas pagas a integrantes da organização criminosa levam a um prejuízo de pelo menos R$ 400 milhões, se consideradas as sete fases da operação.