Visionário da Rota Bioceânica. É assim, que Heitor Miranda é lembrado pelos familiares e amigos. O ex-prefeito pediu à família para ser cremado. Assim, as cinzas serão jogadas da ponte que ele sonhou na Rota Bioceânica, que liga a Carmelo Peralta, no Paraguai.

O velório acontece na tarde desta quinta-feira (24), um dia após a morte de Heitor.
Filho de Heitor, Marcelo Heitor Santos, 41 anos, destaca que o ex-prefeito era “um cara extremamente alegre e de bem com a vida que tinha como mantra celebrar a vida. Era um visionário, um cara que mais do que tudo encantava e amava a própria terra”.

“Ele dizia que não é universal quem não canta sua história”. Assim, afirma que “pai agora será universal e vai cuidar de todos nós lá de cima e as ideias futuristas que ele tinha, que consigamos propagar”.

Marcelo relembra dos sonhos do pai sobre a Rota Bioceânica, e lamenta que Heitor não realizará o sonho de atravessar a ponte de Porto Murtinho. “Por isso ele pediu para ser cremado e vamos cumprir o desejo dele de jogar as cinzas dele em cima da ponte”.

Ex-governador é irmão de Heitor. (Foto: Nathália Alcântara, Midiamax)

Alegre e comprometido

Comprometido, alegre e puro são palavras utilizadas por Zeca do PT para definir o irmão, Heitor . “Fica um legado enorme de um cara puro, absolutamente comprometido com a justiça social e absolutamente comprometido com a integração da América do Sul”, lembrou.

Então, relembrou que na década de 90 o irmão “mergulhou no coração da América do Sul para conhecer de perto o abandono de grande parte do povo”. Foi assim que Heitor “começou a conceder a ideia da saída para o pacífico, como uma ferramenta não só de ganhos econômicos, mas também de intragável cultural, da arte, da e da culinária”.

O projeto era a grande paixão de Heitor. Zeca lamenta que por muito tempo o irmão “foi visto como louco, como visionário, um mentiroso. Muito provavelmente por aqueles que hoje se colocam como donos da ideia de integração”.

Sobre o íntimo do irmão, Zeca se emociona ao lembrar que era “uma pessoa que tinha uma profunda paixão pela vida”. Disse que há quatro dias foi visitar o irmão junto da esposa Gilda.

“Ele já não falava por causa do traqueo, ele balbuciava algo dizendo ‘me tira daqui, aqui não é meu lugar'”, contou. Para Zeca, o “lugar do Heitor era na mesa, no bar, tocando música, violão. O lugar dele era na política defendendo ideias de um Brasil mais igual e humano”.

Por fim, Zeca disse que o irmão era visto como um grande elo na família. “Um cara que unia a família, de superar conflitos, fazendo da casa dele um local de alegria e convívio”.

Apesar da vida intensa, o irmão lembra que “talvez não tenha sido completo”. Isso porque “ele disse que o sonho dele era pegar eu e ele e o Osório e atravessar a ponte andando a pé. Quando eu for, ele vai estar comigo, pegando na minha mão, porque esse era o sonho do Heitor”, afirmou Zeca.

heitor
(Foto: Nathália Alcântara, Midiamax)

Legado para o PT

Pedro Kemp (PT) também estava no velório de Heitor. Respeitado e querido, é assim que o colega de partido lembra do ex-prefeito.

“Ele foi o primeiro a falar da rota bioceânica, a importância desse projeto para o desenvolvimento de MS”, afirmou Kemp. “Ele contribuiu muito com os demais projetos do nosso governo”.

Para ele, Heitor era “uma pessoa que tem uma trajetória respeitada e muito afetuosa e amiga. Vão ficar boa lembranças. Pedimos a Deus que conforte as famílias e amigos, porque as lembranças são as melhores”, desejou.

Ex-senador Moka é primo de Heitor. (Foto: Nathália Alcântara, Midiamax)

Heitor, um amigo para a vida

Primo de Heitor, (MDB) disse que o ex-prefeito “é mais que meu primo, um amigo da vida inteira. Acho que ele vai ser sempre lembrado porque foi o primeiro a falar sobre a rota bioceânica”, disse.

O projeto é lembrado por todos como legado de Heitor. “Agora, se você for em Porto Murtinho, todo mundo conhece. Eu vou lembrar dele como uma pessoa que sempre quis o melhor para sua terra”, afirmou.

Moka também lembrou da alegria contagiante como uma das principais características de Heitor. “É uma característica da família Miranda, eles têm isso aí. A mãe do Heitor tocava violino, minha mãe tocava violão, então isso é algo que tem na família”.

Empresário de mídia Carlos Eduardo Naegele. (Foto: Nathália Alcântara, Midiamax)

Fomentador da cultura

Para o empresário Carlos Eduardo Naegele, Heitor é lembrado como grande nome para o serviço público. “Tem um linguajar regional sobre pessoas que riscam o chão. Eu diria que um deles é o Heitor, porque ele deixa um serviço público feito e hoje a redenção do Estado”.

Sobre a rota, ele destacou que Heitor “vislumbrou uma coisa 30 anos atrás que hoje é a redação da economia do Estado, vai criar um corredor de exportação”. Sobre a personalidade, ele lembrou que o ex-prefeito sempre foi “muito agradável, carismático”.

“Tenho certeza que é uma perda para a família, para os amigos e para o Estado também. Mesmo estando fora de alguma função pública, nas conversas que ele tinha, as colocações dele, ele sempre esteve diante do seu tempo”, destacou. Por fim, revelou que Heitor era “um amante da música e da cultura”.

Por isso, “colaborou muito nesses festivais regionais, foi um grande incentivador da cultura regional”.