Indígenas das aldeias de Mato Grosso do Sul estão sendo cooptados para trabalharem na produção e colheita de maconha em fazendas no Paraguai. A denúncia foi feita na manhã desta quarta-feira (13) pelo secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil- Seccional Dourados/Itaporã).

“Temos informações que muitos indígenas do nosso Estado estão sendo usados como mão de obra para o tráfico de entorpecentes. Alguns deles estão sendo levados para a fronteira e acabam aliciados para atuarem no transporte de maconha”, disse o secretário, ressaltando que o Governo do Estado está trabalhando em um projeto que possa coibir esse tipo de ação.

“Temos que estar atentos não só à disputa pela terra, mas à vulnerabilidade dessas populações. Nossas aldeias estão sendo utilizadas por facções criminosas para levar drogas para os grandes centros”, explicou Videira.

“Temos muitos indígenas indo colher maçãs em e no Rio Grande Sul. Isso é importante. Mas nós temos muitos jovens indígenas que estão indo trabalhar nas roças de maconha. E lá eles recebem em guarani ou em real, mas também recebem em e maconha. Ele vende dentro da sua aldeia ou da mais próxima e vai levando de aldeia em aldeia”, denunciou o secretário.

Videira participa da primeira reunião organizada pela frente parlamentar em defesa da solução dos conflitos indígenas de Dourados, da Câmara Municipal de Vereadores. O encontro contou com a participação efetiva de representantes das forças de segurança que atuam em Dourados, incluindo a Polícia Federal.

Forças policiais e sitiantes lotaram auditório (foto: Marcos Morandi, Midiamax)

O procurador do MPF (Ministério Público Federal) Marco Antônio Delfino, também esteve presente no encontro, juntamente com a coordenadora regional da (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), Teodora, que pediu a atuação na garantia da segurança das comunidades indígenas, não só de Dourados, mas de toda a região.

“Essa reunião é inédita, puxada agora pelo Legislativo, coisa que então nunca tinha acontecido. Essa abertura de diálogo é importante para que todos possam apresentar soluções para essa situação”, comenta a coordenadora da Funai.

Além de representantes das polícias, de advogados e de parlamentares municipais, o auditório da OAB ficou lotado com participação de sitiantes que possuem propriedades no entorno da Reserva Indígena Federal e pedem providências do Poder Público.