Enquanto varre apressada a calçada da rua onde mora há mais de três décadas, uma cabeleireira de 69 anos olha desconfiada a aproximação da equipe de reportagem. É que os olhares por trás dos ombros revelam a desconfiança da rotina de quem vive na região que já foi chamada até de “cracolândia de Campo Grande”.

Ela mora há 38 anos na região da antiga rodoviária e convive com a insegurança da região central, agravada pela mudança do terminal de transbordo para a Avenida Gury Marques há 12 anos. Convivendo diariamente com usuários de drogas na calçada em frente à sua casa, ela revela já ter perdido três irmãos para o uso de drogas.

O Jornal Midiamax publica nesta semana uma série de reportagens sobre a segurança pública nas 7 regiões urbanas de Campo Grande. Nesta segunda-feira (6), você confere os detalhes da região do Centro.

Entre um furto de hidrômetro e outro, e residências que amanhecem sem luz pela retirada dos fios para venda de cobre, o principal problema da segurança na região central envolve mais do que crimes de tráfico de drogas, receptação e furto, e tornou-se uma questão de saúde pública.

A cabeleireira acompanhou de perto a saída da maioria dos vizinhos nas quadras ao redor de sua casa. Para que não se tornem moradias abandonadas e virem pontos de uso de drogas, os que saem preferem demolir os imóveis. “Aqui tinham três casas que estavam vazias e o povo da antiga rodoviária se espalhou e foi ocupando as casas. Lá para baixo fazem até cabaninha para morar na calçada”, afirma.

Assim como ela, outro morador, de 39 anos – que prefere não ser identificado, por motivos de segurança – vive na região há quatro anos. A porta com duas travas e grade para ver quem toca a campainha antes de abrir o portão também evidenciam o receio de receber visitas.

Segurança particular é única saída

Uma das estratégias utilizadas por ele, e comum entre os vizinhos, foi contratar segurança particular para monitorar a rua. Já seu vizinho e locatário da casa onde mora, investiu em concertina e câmeras de segurança após ter a casa furtada cinco vezes.

Um dos terrenos na rua de trás também virou ponto de ‘encontro’ dos usuários de entorpecentes. A vizinhança, então, em maio do ano passado, recorreu ao Ministério Público Estadual para pedir a limpeza do terreno.

Outro episódio que ficou marcado na vizinhança foi o “limpa” feito nos aparelhos de ar-condicionado de diversas casas da rua, além dos hidrômetros. “Eu só não cheguei a ficar sem água porque tinha na caixa d’água. Mas como tenho pressurizador, eu percebi que estava mais fraco. Quando vim ver se alguém tinha desligado, estava sem o registro. Fiz boletim de ocorrência para não ter que pagar a troca à concessionária”, relembra o morador.

Imóveis abandonados servem de abrigo para usuários de rua. (Foto: Henrique Arakaki – Jornal Midiamax)

Até a compra do dia a dia é motivo de causar medo para os moradores. A cabeleireira já traçou uma rota de onde pode passar para não ser incomodada pela população de rua, já que nem sempre é possível ajudar com doações. “Se eu vou nas lojas aqui perto, coloco a chave de casa no bolso e o celular por dentro da roupa. Apesar disso, eu gosto daqui, é a minha casa. Tenho meu salão aqui, mas espero que com a reforma da antiga rodoviária transformem essas casas em mais comércios”, afirma.

A esperança da reforma também é o motivo que faz o comerciante de uma loja de colchões, de 52 anos, permanecer com sua loja ao lado da antiga rodoviária. No mesmo ponto desde 2001, o que mantém o comércio “em pé” são os clientes fixos feitos ao longo dos anos e o investimento feito em divulgação dos produtos nas redes sociais.

Comércio definha ao longo dos anos

Entretanto, com o passar dos anos, nem mesmo os clientes fidelizados são capazes de sustentar o transtorno causado pela presença dos moradores em situação de rua. “Com o passar dos anos nossos clientes têm diminuído, porque essas pessoas vêm aqui pedir dinheiro, acabam caindo em frente à loja, ou vêm alterados pedir água enquanto estamos atendendo, a gente pede para sair, muitas vezes saem xingando e alterados, então realmente é um transtorno constante”, relata.

O movimento de clientes na loja termina bem antes do fechamento. Por volta das 16h30, com medo da presença dos usuários, o comerciante vê o movimento cair bruscamente ao entardecer, já que o medo de estacionar e ser abordado por eles afasta os possíveis compradores. “No geral, as lojas que estão aqui seguem com a esperança da revitalização. Se ela acontecer e não tiver o efeito que a gente espera, aí não tem como realmente permanecer aqui. Os clientes ficam com medo de serem assaltados”, explica o comerciante.

Poucos comércios resistem na região da antiga rodoviária. (Foto: Henrique Arakaki – Jornal Midiamax)

Durante o isolamento social imposto pelo início da pandemia de Covid-19, o comerciante lembra que uma viatura da Polícia Militar permanecia próximo ao cruzamento da Rua Barão do Rio Branco com a Avenida Calógeras, o que dava a sensação de segurança para os comerciantes. “Quando tiraram os ônibus daqui ficou um espaço aberto onde eles poderiam vir dormir. Quando a polícia passava eles iam todos embora, mas depois retornavam, não podemos culpar a polícia”, explica.

Para ele, o principal problema é que os clientes têm medo de serem assaltados, além de constantemente ocorrerem brigas entre eles. “O cliente não quer ver uma pessoa ali mal, alterada devido à droga, muitas vezes vem com filho. E como eles usam drogas praticamente o dia inteiro, então constantemente sai briga. A maioria ali tem um canivete, uma faca, e isso faz com que a situação fique cada vez mais difícil aqui”, lamenta.

O comerciante relembra de quando chegaram a furtar sua loja por duas vezes na mesma semana. Na época, levaram colchões de solteiro, colchonetes, som, calculadoras e pequenos pertences até dos vendedores. “Numa semana entraram numa terça-feira e depois na quinta-feira. A gente faz um boletim de ocorrência, mas não tem muito o que a polícia fazer”, afirma.

Outro comerciante da região, de 51 anos, percebeu o aumento da população em situação de rua há seis anos. A clientela fixa e os 31 anos atendendo na loja de cosméticos no mesmo local – além do irmão morar há mais de 20 anos no andar de cima da loja – fizeram com que a esperança do aumento da chegada de clientes se mantenha. 

“Já fizemos nosso ponto aqui, a nossa semente já foi plantada nessa região, mas se a gente tivesse condições de mudar para um lugar mais tranquilo, a gente mudaria”, afirma. Entretanto, o maior problema considerado por ele não é a presença dos moradores de rua, já que o comércio nunca foi assaltado.

“Nunca teve caso de assalto a mão armada, mas a gente fica com medo. Porque os ‘noiados’ geralmente são tranquilos, mas no meio deles sempre tem um bandido, um para fazer bagunça”, afirma o comerciante. Ele já teve seu carro amassado e foi ameaçado ao pedirem dinheiro, mas os furtos ocorreram apenas na década de 1990.

Até interfones são alvo de furtos nas residências próximas à antiga rodoviária. (Foto: Henrique Arakaki – Jornal Midiamax)

O comerciante relembra que, no ano de 1998, foram três furtos. Os criminosos levaram produtos, material elétrico, secador, mas na época visavam as antigas fichas de ônibus e dinheiro do caixa. “Primeiro caiu o movimento, porque muitos clientes nossos eram do interior, e com a rodoviária aqui na frente, muitos vinham só para comprar, já que vinham na cidade para tratamento de saúde ou algum serviço bancário”, relembra.

Após a mudança da rodoviária, o comerciante considera que a região “ficou queimada”, já que a clientela era espalhada pela cidade. “A gente tinha cliente que vinha de bairros longes e muitos não vejo há anos. Você andaria a noite a pé aqui? Nós já acostumamos, já conhecemos alguns, eles vêm, pedem comida, damos fruta, lanches, só não dou dinheiro”, explica.

Alvo cinco vezes dos ladrões

Mais na região central, o gerente de uma loja de brinquedos, de 28 anos, lembra do prejuízo que já tiveram com a porta de vidro do comércio, quebrada cinco vezes. Uma câmera de segurança do Cidadão Integrado, da GCM (Guarda Civil Metropolitana), instalada no cruzamento da Avenida Mato Grosso com a Rua 14 de julho, contribuiu para diminuir o número de tentativas de furto.

Entretanto, o gerente explica que, na maioria das vezes, os autores só causam danos, já que pegam bocas de lobo e atiram contra a porta de vidro. “Das últimas vezes foram só danos, mas tentaram levar carrinho elétrico. Só não saímos no prejuízo porque a polícia conseguiu pegar ele ali na Avenida Calógeras. Foi questão de minutos”, relembra.

Bocas de lobo são usadas para quebrar portas de vidro de comércios. (Foto: Marcos Ermínio – Jornal Midiamax)

Antes da instalação das câmeras, a iluminação precária contribuía para a insegurança. “Não tinha sistema de iluminação tão bom como agora. Hoje em dia, se você passar na 14 de Julho ela é toda iluminada. E depois que colocaram esse sistema de segurança, reduziu o número de furtos e roubos”, afirma.

Mesmo com as câmeras, o gerente da loja explica que o proprietário não abriu mão de contratar o próprio “combo” de segurança particular, com a instalação de câmeras na loja, contratação de seguranças particulares para fazer rondas ao entorno, e seguro contra furto e vandalismo.

Ainda segundo o gerente, de dia os moradores em situação de rua desaparecem da região central. Entretanto, a presença de viaturas no canteiro central da Avenida Mato Grosso, é considerada uma conquista para os empresários da região.

Policiamento e iluminação foram reforçados na região central após reformas. (Foto: Marcos Ermínio – Jornal Midiamax)

“Quase todo dia ficam os agentes de trânsito aqui na frente. Se não é da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), é a Polícia Militar ou a Guarda Municipal. Eles estão sempre fazendo rondas, seja de bicicleta, moto ou viatura”, afirma o gerente.

O ‘reforço’ com a segurança aumentou após os gastos de R$ 5 mil a cada vez que quebravam a porta de vidro de entrada da loja, o que já ocorreu seis vezes. “Toda vez que quebram a porta a gente coloca o tapume. Como tem seguro caso aconteça alguma coisa, então é rápido para troca e não prejudica o funcionamento da loja. No mesmo dia o pessoal já aciona o seguro, eles vêm e trocam o blindex”, explica o gerente.

A mesma segurança, entretanto, não é sentida pelo proprietário de uma loja de fogões localizada na esquina da frente da loja de brinquedos. Uma das estratégias utilizadas pelo proprietário, de 56 anos, foi amarrar os pequenos objetos expostos para venda na calçada, já que os furtos ocorrem em plena luz do dia.

Ao todo, ele investiu em nove câmeras na loja, uma em cada canto do interior. Apesar disso, são frequentes situações de vandalismo como usuários de drogas que jogam pedras na fachada e nos vidros, além de já terem tentado entrar no prédio pelo teto, que permanece com marcas até hoje.

Câmeras de segurança ajudam a identificar autores de furtos e roubos. (Foto: Marcos Ermínio – Jornal Midiamax)

Nem panela de pressão escapa

“Minha segurança aqui é Jesus Cristo. Mas normalmente o cara que vem e quebra aqui eu já vi passar na rua, nem vou atrás, sei que é ‘noiado’. Uma vez tacaram uma pedra e foram embora. É o cara que vem, pede água, a gente está atendendo clientes e pede ‘espera um pouquinho’, o cara fica bravo e vai embora. Depois, passa a noite e joga uma pedra”, relata.

A estratégia de amarrar as panelas que podem ser furtadas surgiu após o comerciante ter uma panela de pressão, no valor de R$ 300, furtada sem sequer ter percebido. “Já teve furto aqui na loja de uma panela de pressão e eu nem vi. O policial foi achar lá na boca de fumo da antiga rodoviária. O cara disse que não era ladrão, que era a primeira vez que furtava e foi preso. No outro dia, ele apareceu aqui cedo para pedir desculpas”, relembra.

Além disso, o comerciante afirma que a burocracia de registrar o boletim de ocorrência não é compensada pela pena prevista para o crime de furto, já que o autor não costuma ficar preso. “O meu gerente ficou desde as 15h até às 20h na delegacia. Eu tenho que entrar no sistema, pegar nota fiscal [do produto furtado], onde comprei, tenho que provar que era meu… Ou seja, que benefício o cidadão pagador de imposto tem? Pro cara não deu nada, ele ficou lá registrado e pronto”, lamenta o comerciante.

Drogas disparam sequência de crimes

Entre uma assinatura e outra de registro de ocorrência com carimbo de ‘flagrante’ no topo, o delegado plantonista da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro, Rodrigo Camapum, atende incontáveis registros de crime de furto e estelionato virtual, os dois mais comuns na delegacia. Em primeiro lugar, com o crime de estelionato, o delegado explica que a facilidade dos autores é do acesso às vítimas e dificuldade de responsabilização, já que na maioria das vezes o autor se encontra em outro local, o que dificulta a prisão em flagrante.

Delegado Rodrigo Camapum, plantonista da Depac Centro. (Foto: Henrique Arakaki – Jornal Midiamax)

Entretanto, o crime que mais gera problema localizado e, como consequência, gera a prática de outros crimes, é o de furto. “São três crimes que estão relacionados: o furto, a receptação decorrente desses produtos furtados, e o tráfico de drogas em pequena quantidade, que ocorre principalmente na região central”, explica o delegado.

Em relação ao furto, a maior incidência é de furto de fios de cobre, que normalmente são furtados de casas abandonadas, ou peças metálicas, como louças de banheiro, torneiras e restos de construção ou demolição, em imóveis vazios.

“O problema de tudo isso aí são os receptadores, porque se não tiver quem compra, não vai ter quem furta. Uma das questões que eu sempre pergunto para os usuários que estão furtando esse tipo de produto é: já que vai praticar o furto, porque já não furta a própria droga? Que aí você elimina esse intermediário, vai lá no traficante e furta a droga do cara. E aí justamente esse é o ponto, o traficante tem determinadas regras, e o usuário não vai violar essas regras”, explica o delegado.

Ciclo do vício

O furto geralmente vem acompanhado de outros dois crimes: a receptação e o tráfico de drogas. Com um problema que é mais de saúde pública do que de segurança no cerne, o uso da droga faz com que grande parte dessa população não consiga sustentar o vício apenas com as doações feitas de pedidos em sinais ou cuidando carros. Dessa forma, a presença deles atrai traficante para alimentar a dualidade oferta – procura.

“Normalmente esses usuários não trabalham e não conseguem manter o vício só com o dinheiro que é angariado no sinaleiro, então ele precisa cometer o furto para manter o vídeo. Onde tem esses usuários tem traficantes, que são aqueles que muitas vezes compram uma pedra maior, fraciona, usa metade e acaba repassando”, afirma o delegado.

Morador em situação de rua em busca de materiais para venda. (Foto: Henrique Arakaki – Jornal Midiamax)

O problema criminal, entretanto, deriva de um problema social. As consequências incluem desvalorização de imóveis como os da região onde mora a cabeleireira de 69 anos e os comerciantes de 51 e 52 anos, que resistem em empreender. “Nenhum comerciante vai querer montar seu comércio nessa região. Então, a gente gera um problema da própria economia social. São problemas que poderiam ser tratados como questão de saúde pública. A gente poderia impedir que outros ocorressem se atuássemos de forma preventiva”, garante o delegado.

Tráfico de drogas e porte para uso pessoal

A legislação prevê que esses tipos de ações criminosas podem ser tipificadas de duas formas: tráfico de drogas ou porte de drogas para uso pessoal. O delegado Rodrigo Camapum explica que, ao contrário do que se pensa, a quantidade não define em qual crime vai ser enquadrado.

“A quantidade a princípio não significa que é tráfico ou que é porte, porque se você pegar um cara com uma tonelada de maconha, ele não vai usar tudo. Mas para configurar o tráfico utilizamos alguns verbos, como vender, adquirir, ceder, tudo relacionado ao comércio”, explica Camapum.

O delegado ainda explica que a legislação determina que esse tipo de prisão deve ser enquadrada em tráfico de drogas, exceto se for para consumo. Por isso, a análise para tipificação é feita a partir da conduta da pessoa.

“Então, a exceção é consumir. Se a pessoa estiver com um papelote de cocaína, tiver vendido esse único papelote para o usuário e o usuário for pego e ele também, caso o usuário diga ‘eu comprei dele’ e o que vendeu diga ‘eu vendi’, não foi pego nenhuma droga com quem vendeu, ele vai mesmo assim ser preso por tráfico e o usuário por porte”, explica o delegado.

Reforço no policiamento na área central

Assim como o delegado, o comandante do 1º BPM (Batalhão da Polícia Militar), tenente-coronel Anderson Avelar, responsável pelo policiamento na área central de Campo Grande, também considera que a quantidade de imóveis abandonados contribui para a presença da população de rua no Centro. “Muitos desses imóveis são frutos de espólio, que ninguém assume a responsabilidade, e acaba virando abrigo para esses usuários, que normalmente são os responsáveis pelos furtos na área central”, explica o comandante.

Tenente-coronel Anderson Avelar, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar. (Foto: Danielle Errobidarte – Jornal Midiamax)

A necessidade do uso da droga, entretanto, faz com que o que eles recebem apenas com as doações não seja suficiente para compra. “O morador de rua aqui na área central se sente confortável. Ele recebe alimentação das ONGs e da população, então não tem necessidade de sair daqui, já que ele tem abrigo, tem onde ficar”, explica. Junto à GCM e à Polícia Civil, Avelar afirma que são feitos esforços para localizar, principalmente, os receptadores dos produtos furtados.

Já os roubos, geralmente são praticados contra vítimas que estão em pontos de ônibus ou locais com visibilidade reduzida, como sem iluminação.

“Os roubos que acontecem na área central normalmente o pessoal vem da periferia, pratica o roubo e foge para o local de morada dele. Eles preferem abordar alguém que está mais descuidado, com o celular na mão, em lugar ermo, sozinho. Geralmente com as câmeras que têm disponíveis na área central, a gente acaba identificando o praticante desse crime, indo atrás e efetuando a prisão”, explica.

Além disso, a instalação de equipamentos de segurança – como cerca elétrica, câmeras de segurança, concertina e alarmes – pelos comerciantes e moradores da área central, tem ajudado o trabalho das polícias. Em relação à população de rua na área da antiga rodoviária, o comandante revela que, se eles não cometem crime, não há motivo para efetuar a prisão.

Operação Laburu, realizada nas regiões da Orla Ferroviária e da antiga rodoviária. (Foto: Henrique Arakaki – Arquivo Jornal Midiamax)

“Se tiver algum crime sendo cometido ali, alguém com mandado de prisão, a gente conduz para a delegacia, mas normalmente são moradores de rua ou usuários de drogas que ficam sentados por ali, e normalmente eles não acabam praticando crimes, é só a presença deles. A gente fiscaliza, aborda, verifica se eles não estão com arma…”, explica.

Em relação ao tráfico de drogas na região, Avelar revela a dinâmica de compra e venda. “Na maioria das vezes eles não praticam tráfico, eles usam a droga só. Então, vem o traficante para fornecer a droga para eles ali. Mas o morador de rua em si não depende muito da polícia para que eles saiam da região. Isso depende de uma política muito séria para tirar eles de circulação e oferecer tratamento”, opina o tenente-coronel.

Outra dificuldade, segundo explicado pelo comandante, é que grande parte dos moradores não registra boletim de ocorrência quando tem a casa furtada. “A gente trabalha em cima das estatísticas, então tem muito cidadão que é furtado, mas ele não vai na delegacia fazer a ocorrência, então a gente não tem o ponto em que acontece. Se a gente não tem o ponto, não conseguimos direcionar policiamento para lá”, afirma Avelar.

Para proteger registros do furto, moradores colocaram até grades. (Foto: Henrique Araraki – Jornal Midiamax)

Furto de fios de cobre

Considerado um facilitador de furtos, os fios de cobres começaram a ser alvos durante a pandemia de Covid-19, pela exposição e livre acesso dos autores. “A gente chegou a efetuar prisões em flagrante de três, quatro, às vezes até cinco [autores de] furtos de fio de cobre durante uma semana. Hoje a gente pega um, dois, então tem diminuído. E acontece mais pela facilidade que tem de achar o fio de cobre “dando sopa”, por exemplo, numa casa abandonada, não tem ninguém para cuidar daquilo ali”, explica.

Ademais, outra dificuldade enfrentada pelas autoridades é comprovar a origem do fio furtado, já que por vezes não há confissão de quem comprou, e nem de quem vendeu, caso sejam presos. “Às vezes, o cara que entregou, ou ele mesmo [o autor], fala ‘não, ele falou para mim que achou abandonado numa caçamba de lixo’. Então, tem toda essa dificuldade da Polícia Civil também de autuar esse receptador”, afirma o comandante.

Crimes que geram outros

O tenente-coronel Avelar explica que outro problema enfrentado pela polícia militar na região central é que, com a convivência entre os usuários de drogas, é comum ocorrerem brigas entre eles, como lesões corporais e até tentativas de homicídio. “Não é frequente, um por semana ou a cada 15 dias, mas como temos eles catalogados, são fatos que de imediato a gente consegue pegar os autores”, afirma o comandante.

Entretanto, a PM atua na região central com 5 a 6 viaturas todos os dias, além de ter reforçado a quantidade de operações na região da antiga rodoviária, já que muitos têm migrado para os bairros próximos residenciais. “Quando fazemos operação temos mais viaturas, o CPM (Comando de Policiamento Metropolitano) envia de outras áreas. Além disso, o 1º BPM possui força tática, que atua só fazendo abordagens”, finaliza.