Na segunda-feira (20), Guilherme Azevedo dos Santos, 29 anos, foi denunciado por integrar a organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele foi flagrado com um bilhete no dia 31 de maio, no Presídio de Regime Fechado da Gameleira I — de segurança máxima — com instruções para criar explosivos e informações de atentados contra forças policiais.

O relatório do inquérito policial, do Dracco (Departamento de Repressão à e ao Crime Organizado) é finalizado com pedido de inclusão do acusado no Sistema Penitenciário Federal. O pedido também se estende aos outros presos que compartilhavam a cela com Guilherme.

Além disso, é esclarecido que Guilherme foi atendido por duas advogadas em 2022, mas após a em ele alegou que não tinha advogado, o que gerou suspeita. Com isso, o documento em questão será compartilhado com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), para apurar uma possível relação com o grupo Sintonia dos Gravatas.

Apontado como liderança do PCC

Conforme a denúncia feita pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Guilherme, que estava preso e cumprindo na Gameleira, foi detido em flagrante após uma tentativa de motim. No short que ele usava foi encontrado um bilhete com anotações de possíveis ataques às forças de segurança do Estado.

É apontado que, no dia seguinte em que o bilhete foi encontrado, Guilherme receberia visita. Ou seja, o manuscrito chegaria a outros membros do PCC, fora dos presídios. Detido, ele se recusou a responder os questionamentos da polícia e também não cooperou na tomada de grafismo, para comparar se a letra no papel era a dele.

A acusação aponta que Guilherme — que já foi alvo da Operação Panóptico contra o PCC — exerce comando individual ou coletivo na organização criminosa, uma vez que seria liderança de uma ramificação da facção criminosa, coordenando ações dentro e fora dos presídios.

Princípio de motim

Após princípio de motim, a segurança no presídio foi reforçada naquele dia 31 de maio. Três detentos começaram a incentivar a massa carcerária a bater grades e dois foram colocados em celas disciplinares.

O bate-grade começou logo após o banho de sol ser encerrado por volta das 17 horas. Um dos detentos, Sivalter da Silva Rodrigues, teria começado a chutar as grades da cela 8, no pavilhão I. Ele passou a incitar um motim gritando: “Vou quebrar, ninguém entra aqui hoje. Vou mostrar quem manda nessa p*”. Ele foi advertido e levado ao chefe da equipe.

Outro interno, Deivid da Silva Souza, da cela 2 do pavilhão 1 passou a danificar as grades da cela, passando a incitar a massa carcerária com gritos: “Quebra tudo, vamos chocalhar”. O detento foi advertido e levado para o chefe da equipe para sanções disciplinares. Ele chegou a ser preso em flagrante por e teve a prisão convertida em preventiva.

Já Naudiney de Arruda Martins, de 31 anos, alojado na cela 3, teria ameaçado os agentes. “A promotora está fechada com nós, vocês vão se f*”. O detento acabou levado para a cela disciplinar, e ainda teria ameaçado de morte os agentes dizendo: “Eu vou matar vocês, daqui a pouco estou na rua”.

Uma professora que estava ministrando aulas para alguns detentos teve de ser retirada do local, já que corria risco.

Bilhete encontrado com detento

No bilhete havia instruções para que os ‘irmãos’ de facção se unissem para atacar os policiais militares, e policiais civis que estariam atacando os membros da facção de e da região. Ainda no bilhete havia escrito: “vamos montar um tabuleiro e matar no ninho”.

Ainda segundo as instruções do bilhete, era para que as delegacias fossem monitoradas e, assim, os batalhões atacados com bombas, ‘matando no ninho’. Instruções para como fazer a bomba estavam listadas. Ao final, o detento avisa que outras instruções seriam ‘passadas logo’.

Guilherme já foi preso três vezes por tráfico de drogas, tentativa de homicídio e receptação. Ele foi preso em flagrante por promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa e teve prisão preventiva decretada nesta quarta-feira.