Polícia deve fazer reprodução simulada da morte de mulher enterrada no quintal pelo marido em MS

Marido continua preso preventivamente pelo crime
| 08/02/2022
- 17:50
Pabilo matou e enterrou a esposa no quintal da casa
Pabilo matou e enterrou a esposa no quintal da casa - (Arquivo)

Réu pelo feminicídio da esposa Laís de Jesus Cruz, de 29 anos, Pabilo dos Santos Trindade segue preso preventivamente, conforme última decisão em dezembro de 2021. É aguardada decisão da polícia sobre uma possível reprodução simulada do crime, cometido em agosto do mesmo ano em Sonora, a 361 quilômetros de Campo Grande.

Em 4 novembro de 2021, foi realizada a primeira audiência de instrução de julgamento do caso e, no dia 25 daquele mês, foi feito o interrogatório do réu por vídeo. O processo sobre o caso tramita em sigilo.

Em dezembro, foi reanalisada e mantida a prisão preventiva de Pabilo. Também foi acolhido pedido do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para que a autoridade policial apresente o resultado da quebra de sigilo dos dados telefônicos e também informe data para realização da reprodução simulada dos fatos.

Feminicídio e ocultação de cadáver

No dia 5 de agosto, Pabilo foi preso em flagrante pela morte de Laís, após familiares desconfiarem do desaparecimento dela. O corpo da vítima foi encontrado enterrado em uma fossa nos fundos da casa. O autor confessou que enterrou a vítima, mas negou ter cometido o feminicídio.

Após a morte, Pabilo chegou a ficar algum tempo com o corpo da vítima na residência, pagou para uma terceira pessoa cavar a fossa na residência e só depois enterrou Laís. Após o crime, ele ainda limpou a casa com água sanitária, para tentar esconder as manchas de sangue que ficaram no local.

Foi oferecida denúncia por homicídio triplamente qualificado, pela violência doméstica — configurando feminicídio —, além de motivo fútil e meio cruel. Pabilo ainda responde por fraude processual e ocultação de cadáver. A denúncia foi recebida em agosto, tornando Pabilo réu.

Violência recorrente

Em 7 de janeiro de 2021, Laís procurou a polícia em Sonora para denunciar o então ex-marido. Naquele dia, ele descumpriu medida protetiva, ameaçou de morte e agrediu a vítima, supostamente por não aceitar o fim do relacionamento.

Segundo o registro feito na delegacia, Laís contou que conviveu com Pabilo por aproximadamente 3 anos, e teve um filho com ele, hoje com 2 anos de idade. Na época, ela revelou que o relacionamento era conturbado e violento e que já tinha sido agredida fisicamente pelo ex-marido.

Em novembro de 2020, ela já tinha registrado boletim de ocorrência, por lesão corporal qualificada pela violência doméstica, ocasião em que solicitou medida protetiva de urgência. Mesmo assim, naquele dia 6 de janeiro Pabilo descumpriu a medida, foi até a casa de Laís e disse que queria conversar, para reatar o relacionamento.

A vítima se negou, momento em que Pabilo passou a fazer ameaças e disse que “faria da vida dela um inferno, até que desistisse de viver”. Durante a discussão, ele agrediu a ex-mulher com tapas no rosto, pegou o celular da vítima e jogou contra a parede, o danificando. Após as agressões, ele ainda continuou na residência e dormiu na casa.

Além de dormir na casa da vítima, ele obrigou Laís a dormir em um cobertor, no chão. Na manhã seguinte, saiu às 5 horas para trabalhar, retornou às 9 horas e jogou todas as roupas da vítima para fora da casa. Segundo Laís, ele já estava se relacionando com outra pessoa, mas mesmo assim não aceitava o fim do casamento.

Após Pabilo sair novamente, Laís chamou a Polícia Militar, que foi até a academia onde prenderia o suspeito em flagrante pelo descumprimento da medida protetiva. Ao notar a viatura, ele saiu por uma porta lateral e fugiu.

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