Como conversar sobre   sexualidade com seu filho
Wilson Aquino

Não é fácil ser “pais”. Seus empenhos para educar e ensinar os filhos nem sempre são perfeitos. Entretanto é imperativo que deem o melhor de vocês para formá-los e prepara-los da melhor maneira possível para que tenham uma vida digna e feliz, sempre alicerçada em bons princípios morais e espirituais.

A questão da sexualidade, por exemplo, não pode ser tratada como um tabu pela família. Se o filho ou filha, ainda bebê, se descobrem se tocando, os pais não podem simplesmente ignorar os fatos e não discutir o assunto na medida em que vão crescendo até atingir a adolescência e juventude. Aliás, nesse último estágio antes de atingir a maturidade, se não tiverem uma boa formação e orientação sexual, correm sério risco de tornarem-se uma vítima das circunstâncias. Isso poderá afetá-los de maneira negativa para o resto da vida.

E não adianta aos pais acharem que devem ter apenas uma “boa conversa” com o filho(a) na adolescência, por exemplo, sobre o tema e achar que isso basta para orientá-lo e formá-lo. Não basta. Isso porque eles são bombardeados diariamente de informações de diversas formas (celular, mídias sociais, internet em geral, filmes, novelas, música, conversa com os amigos…). O procedimento mais indicado diante desse quadro real e preocupante é os pais ficarem sempre atentos a tudo e nunca deixar passar as oportunidades de discutir o assunto e ensinar, sempre dentro dos princípios morais e espirituais, que devem fazer parte da educação de todo indivíduo desde o berço.

A sexualidade está intimamente ligada sim aos ensinamentos e mandamentos de Deus para a humanidade. Foi por isso que ele deixou para todos a Lei da Castidade, que precisa ser primeiramente entesourada no espírito e coração do homem e da mulher, da infância ao matrimônio. Por toda vida.

Esta é uma Lei Eterna deixada por Deus a todos os Seus filhos em todas as eras. Ela continua válida e tão aplicável hoje quanto o foi em épocas passadas. Assim como acontece com os outros mandamentos, a Lei foi dada por Ele para abençoar e ajudar seus filhos a alcançar seu potencial Divino.

A obediência à Lei da Castidade inclui a abstinência de todas as relações sexuais antes do casamento e a completa fidelidade e lealdade após o casamento. As relações sexuais se restringem ao casamento entre um homem e uma mulher e são utilizadas para criar filhos e para expressar amor e fortalecer a conexão emocional, espiritual e física entre marido e mulher em confiança, devoção e consideração mútua.

Consciente de que aí está o princípio padrão a respeito da sexualidade, alicerçado nos mandamentos e ensinamentos de Deus, o casal terá maiores e melhores condições de ensinar os filhos a não se perderem no caminho.

E por mais difícil que possa parecer, nunca é tarde para começar a ensinar esses princípios à criança, ao jovem e ao adolescente. Laura M. Padilha-Walker, professora da Faculdade de Vida em Família, da Universidade Brigham Young e Meg O. Jankovich, estudante da BYU, Mestrado em Casamento, Família e Desenvolvimento Humano, em artigo divulgado neste mês na Revista Liahona, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, dão 3 dicas para ajuda-lo a estabelecer um diálogo com seus filhos a respeito desse tema. Seguem-nos:

 

1 – COMO FALAR SOBRE A SEXUALIDADE – Um elemento essencial de comunicação sadia entre pais e filhos sobre a sexualidade é promover uma atitude aberta. As pesquisas indicam que os adolescentes adquirem a maior parte das informações que têm sobre a sexualidade dos colegas ou da mídia, mas eles querem obter informações dos pais.

Para promover uma comunicação aberta, você pode:

– Começar quando seus filhos são pequenos chamando as partes do corpo pelo nome correto. Assim, você estará ensinando seus filhos a respeito do corpo maravilhoso que eles têm e lhes proporcionando a linguagem necessária para ficarem saudáveis e bem informados.

– Deixar bem claro que seus filhos podem lhe fazer qualquer pergunta. E então procure não reagir de modo exagerado nem vincular as perguntas ou confissões deles a um sentimento de vergonha.  Demonstre alegria por eles conversarem com você, expresse-lhes amor e apoio, esforçando-se ao máximo para manter as linhas de comunicação abertas.

– Não usar metáforas para falar da sexualidade. As crianças precisam que as informações sejam apresentadas de modo claro e sincero. Alguns jovens, por exemplo, contam que tiveram aulas nas quais a Lei da Castidade foi comparada a um chiclete mascado ou a algo comestível que foi passado de pessoa para pessoa na sala e, portanto, não era mais desejável. Embora bem-intencionada, essa espécie de metáfora geralmente promove temor da sexualidade ou um sentimento de baixa e irrecuperável autoestima, prejudicando a esperança e a paz resultantes do verdadeiro arrependimento…

 

2 – QUANDO CONVERSAR SOBRE A SEXUALIDADE – A maioria dos pais conversa uma única vez com os filhos sobre a sexualidade. Mas, tendo em vista as mensagens falsas que os jovens estão ouvindo do mundo na atualidade – às vezes diariamente -, os filhos precisam de mais do que uma única conversa com os pais. O mais proveitoso para eles é uma abordagem proativa, na qual os pais preveem os problemas com os quais os filhos vão se deparar no tocante à sexualidade os preparam com estratégias úteis.

Para ser proativo, você pode:

– Propor aulas na noite familiar sobre temas relacionados à sexualidade. Os temas podem incluir a puberdade, a imagem corporal, os aspectos positivos da sexualidade, os perigos do uso da pornografia, o caráter normal dos sentimentos sexuais, entre outros.

– Ajudar seus filhos a elaborar estratégias específicas para resistir à tentação.

– Ensinar às crianças como evitar predadores sexuais e permanecer em segurança. Observação: Procure não ensinar sobre segurança (algo que tende a gerar temor) ao mesmo tempo em que ensina a respeito da intimidade sexual no casamento. As crianças podem projetar esse medo para todo os aspectos da sexualidade.

 

3 – CONVERSAR SOBRE O PORQUÊ DA SEXUALIDADE – As crianças geralmente querem saber por que devem fazer as coisas. Por que devem guardar a Lei da Castidade se a maioria das pessoas a seu redor não o faz? Quando elas entenderem os motivos subjacentes às expectativas, é mais provável que incorporem os valores familiares do Evangelho que lhes são transmitidos. Os jovens que sabem por que estão se comprometendo a guardar a Lei da Castidade sentem que esse comprometimento “deixa de ser um fardo e, ao contrário, torna-se uma alegria e um prazer”.

Ao falar com seus filhos a respeito do desenvolvimento sexual, pondere estes ensinamentos:

– A sexualidade é uma parte inerente de cada filho de Deus. Fomos criados “à imagem de Deus” (Gênesis 1:27), o que significa que nosso corpo, inclusive nossos órgãos sexuais, é uma criação divina.

– É normal ter sentimentos sexuais e se sentir sexualmente excitado. As crianças não precisam colocar em prática esses sentimentos e essas sensações, mas, por outro lado, podem tomar consciência deles. Isso significa notar os sentimentos sexuais, mas não os julgar de modo negativo. As pesquisas mostram que a conscientização pode nos ajudar a fazer melhores escolhas que estejam alinhadas com nossos valores e nossas metas, como a de guardar a Lei da Castidade.

– A masturbação geralmente é a primeira experiência de vida que uma criança tem com a sexualidade e é realizada sem que ela tenha conhecimento do que está fazendo. Até as criancinhas têm a tendência de tocar no próprio corpo, e o modo pelo qual os pais reagem a esses comportamentos na infância pode determinar como os jovens se sentirão a respeito de si mesmos e de sua sexualidade.

– É importante que os pais encontrem um equilíbrio entre o empenho de ajudar os filhos a entender o motivo pelo qual Deus ordenou que a sexualidade se exerça dentro do casamento e, ao mesmo tempo, o cuidado de não reagir com aversão ou raiva quando as crianças começarem a tocar no próprio corpo ou quando o jovem admitir que se masturba.

– Se os filhos entenderem o motivo pelo qual foram dados os padrões referentes aos relacionamentos e à sexualidade (inclusive namoro, recato, castidade, etc.), é mais provável que vejam a sabedoria das leis de Deus e tenham motivação para guarda-las. Ao ensinar esses padrões, lembre-se de que é importante fazê-lo sem impor vergonha ou temor.

As Leis de Deus não são negociáveis. Ele permite que as desprezemos, mas não temos a liberdade de criar nossas próprias regras para a eternidade, assim como ninguém tem a liberdade de criar suas próprias leis personalizadas para a física. Ou seja, um homem que toca uma brasa ardente não pode simplesmente decidir que não se queimará.


*Jornalista e Professor