De olho no mundo que existe além do ninho, um filhote de tucano foi avistado pelo servidor público Wilmar Carrilho no fim de dezembro de 2019, na entrada no Bairro Coophasul, em Campo Grande. Ele, que também é fotógrafo, voltou ao local diversas vezes ao local com a câmera até conseguir fotografar a ave. Uma das imagens feitas foi inscrita na premiação de fotografia do portal Conexão Planeta e recebeu, agora em 2023, uma menção honrosa.

Uma fresta no tronco do coqueiro onde o ninho estava acabou ajudando a fotografar o animal, de nome científico Ramphastos toco. A imagem que mostra um olhinho atento e o bico apontado para cima foi a premiada, mas Wilmar conseguiu capturar a curiosidade do filhote em outros ângulos, inclusive de frente.

Tucaninho posando de frente

Com sete anos de experiência na fotografia de natureza, o servidor supõe que o tucano tivesse de 1 a 2 semanas de vida quando foi avistado. A fotografia foi planejada antes da ave nascer. “Passei um dia por lá e vi o tucano adulto, daí voltei outras vezes até avistar o filhote”, relata.

Arisco

Embora parecesse curioso quando fotografado, o tucano é uma ave arisca, como a maioria delas é. Wilmar teve algum trabalho para conseguir as imagens que fez. “Eles são muito ariscos, mas se chegar devagarinho, meio escondido, dá para fazer boas fotos”, diz.

Coqueiro onde foto foi feita tem cerca de 3 metros de altura

Além disso, o tronco do coqueiro é alto. O ninho estava a três metros de altura do chão, estima o fotógrafo. Foi preciso usar o zoom da câmera, como é comum na fotografia de natureza, ou por não poder acessar o local, como é o caso, ou para não assustar o animal e se manter fora em risco, quando se trata de capturar imagens de bichos selvagens que podem entrar em confronto com pessoas.

Wilmar já fotografou diversas outras aves da fauna sul-mato-grossense (algumas delas podem ser vistas na galeria acima). Entre elas, araras, araçaris-castanhos, pica-paus, papagaios, maracanãs, colhereiros e tuiuiús. Também já venceu outras premiações com fotos diversas de natureza, entre elas a do XXIII salão de artes plásticas de Mococa (SP), o Prêmio URB de Curitiba (PR), o Prêmio Jaguaribe de fotografia de Dourados (MS), Brasília Photo Show/2020e já representou Brasil, junto a mais 16 fotógrafos brasileiros, na Copa Mundial de Fotografia de 2019.

Bióloga fala sobre tucanos

A bióloga de Campo Grande, Lua Bianca Mendes, avalia que o tucano fotografado estava na fase juvenil. “Por ter o bico pouco curvado e ainda não formado, parece estar nessa fase” explica. O bico é uma das referências para profissionais da área analisarem o desenvolvimento da ave e também para a própria espécie procriar. “É pelo bico do macho, especialmente, que é feita a escolha para o acasalamento. Quanto mais colorido, brilhoso, curvado e aparentemente funcional for, maior chances ele tem de encontrar uma parceira ou parceiro”, complementa.

O ninho dos tucanos é feito em árvores de tronco oco, assim como a que Walmir encontrou. “É lá que constroem o ninho para abrigar os ovos de forma confortável e segura para eclodirem”, fala a bióloga. As fêmeas do tucano são consideradas minuciosas quanto à parentalidade, pois cuidam do filhote de perto até que seja capaz de se virar sozinho.

É importante nunca mexer no ninho, já que a mãe tucano pode agir com desinteresse no cuidado do filhote dali para frente. “Eles são aves muito territorialistas e, se notam qualquer sinal, reagem dessa forma por entenderem que os filhotes, mesmo ainda não maduros, já estão prontos para a vida adulta”, alerta Lua Bianca.

A alimentação dos tucanos é muito variada, porém, aí vai outro alerta: é melhor não oferecer alimentos a eles. “O ideal é não dar, para que o animal não perca seu hábito de caçar. Ele acaba domesticado e perde hábitos naturais, ficando mais dependente e vulnerável caso retorne à natureza”, justifica a biológica.

“Caso encontre um filhote de tucano encontrado caído do ninho, não remova ele do local. Tente protegê-lo de possíveis predadores e acione o Corpo de Bombeiros ou o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, o CRAS”, finaliza ela.