Marcada pela emoção de vários produtores rurais

Os prefeitos dos municípios da região sul do Estado, onde há constantes conflitos entre índios e produtores rurais, buscam uma saída para o problema. No entanto, foram alertados por integrantes da bancada federal de que é difícil uma posição política diante da falta de interesse do governo da presidente Dilma Rousseff.

A mesma linha de raciocínio foi compartilhada pelos deputados federais Carlos Marun (PMDB), Luis Henrique Mandetta (DEM), Tereza Cristina Corrêa da Costa (PSB) e pelos deputados estaduais Zé Teixeira (DEM) e Mara Caseiro (PTdoB) durante reunião na Assomasul, em , na manhã desta segunda-feira (29), com representantes dos produtores rurais.

Marcada pela emoção de vários produtores rurais que tiveram terras invadidas pelos índios e que vêem o risco de perdê-las, a reunião foi conduzida pelo prefeito de , Sérgio Barbosa (PMDB), presidente do Conisul (Consórcio Intermunicipal da região Sul de MS).

O presidente da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), Juvenal Neto (PSDB), disse apoiar a união de todos em favor dos produtores e dos índios para preservar os interesses dos municípios. 

“Nunca vi um movimento tão forte quanto agora, por isso acho que essa é a oportunidade ímpar para resolver essa situação”, apelou o proprietário da fazenda Madama, Aguinaldo Ribeiro, de 54 anos, localizada em , cujo município está na linha de conflito daquela região.

Equipes da Força Nacional se deslocaram, no último sábado (27) para as áreas de conflito entre indígenas guarani kaiowá e produtores rurais na região sul de Mato Grosso do Sul.

Os policiais atuam desde a última sexta-feira nos municípios de Aral Moreira, Coronel Sapucaia e Amambaí por determinação do Ministério da Justiça.

O produtor Rui Escobar, que convive com a mesma situação em Paranhos, disse que a situação é triste pelo fato de a propriedade de sua família ter sido herdada do bisavô em meados de 1882, mas vê que isso não tem valor nenhum agora diante da falta de segurança e injustiça.

Segundo ele, trata-se de uma área de 1.600 hectares com grande produção de eucalipto e soja. “Não há mais o que fazer em relação do governo federal, pois todas as vezes em que houve a intervenção a questão do conflito não foi solucionada”, desabafou. Presente ao encontro, o presidente da Acrissul (Associação do Criadores de

Mato Grosso do Sul), Francisco Maia, avaliou que há toda uma orquestração nestas invasões e dificilmente o proprietário rural consegue sucesso nos processos de reintegração de posse. Ele contou que já participou de várias reuniões, inclusive no Ministério da

Justiça, na tentativa de solucionar o problema, mas nota uma falta de vontade política muito grande das autoridades. “Hoje nós não somos mais pauta da imprensa nacional, hoje é só notícia do

 

Petrolão. Quero dizer uma coisa a vocês, se deixar entrar (índios) na terra, perde, porque esse País está à deriva, infelizmente esse é o país que estamos vivendo”, disparou Maia, mesmo reconhecendo que a bancada federal e a classe produtora têm feito à sua parte.

Para Mara Caseiro, é desanimador voltar a  discutir uma questão que se arrasta há anos. “Eu tenho vergonha de ser política num país sem vergonha como este. Eu também imaginava que podia ter uma solução, mas o que teve foi uma sequencia de problemas”, afirmou a deputada.

Indignada, a deputada culpou o governo do PT pelo impasse criado no setor. “Nesse país já não existe mais ordem, porque quantas vezes esse assunto foi discutido com vários ministros, desde a Gleisi Hoffmann (ex-Casa Civil), e nada foi feito!”, lembrou a deputada.

O deputado Zé Teixeira também vê dificuldade da solução imediata do problema, mas ainda assim defende a união da classe política e dos produtores no sentido de pressionar o governo a resolver o problema.

O democrata disse que sem o agronegócio o Brasil não é nada. “Nós somos muito fortes no contexto nacional, sem essa união, esquece que não vai resolver isso politicamente. Acho que se já não temos o direito garantido na Constituição, o Estado tem que ser responsabilizado por eventuais invasões, e eu disse isso ao governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que ajudei a eleger”, disse Zé Teixeira, que representou a Assembleia Legislativa, durante a reunião.

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