Zorzo nega favorecimento e diz que polêmica da Quinta Gospel se trata de manobra política

Secretária de Cultura afirma que negou apresentação de cantora umbandista em atendimento a Legislação.
| 16/08/2014
- 01:53
Zorzo nega favorecimento e diz que polêmica da Quinta Gospel se trata de manobra política

Secretária de Cultura afirma que negou apresentação de cantora umbandista em atendimento a Legislação.

A titular da Fundac (Fundação Municipal de Cultura) negou favorecimento a seguimento religioso e afirma que a polêmica em torno do projeto Quinta Gospel trata-se de manobra política. Nesta sexta-feira (15), a secretária recebeu o Midiamax em seu gabinete, e explicou que o objetivo da pasta é executar a lei, e que o show proposto não atenderia a Lei nº 5.092/12 que sanciona o projeto.

“Nosso objetivo é fazer o que é de direito para cada setor. Só para esclarecer, aqui na Fundac ninguém é preconceituoso a nenhum tipo de religião, a gente aceita a manifestação religiosa de cada um”, afirmou Juliana.

Juliana Zorzo apresentou a legislação que dispõe sobre o evento. A Lei nº 5.092/12, de autoria dos vereadores, na época, Lídio Lopes (PEN), Paulo Siufi (PMDB), Magali Picarelli (PMDB), Thais Helena (PT), Mario Cesar (PMDB), Professora Rose (PSDB), Herculano Borges (SD) e Dr. Jamal (PR), institui a Quinta Gospel na Praça do Rádio Clube, na quinta-feira que antecede a Noite da Seresta utilizando a mesma estrutura do evento.

A secretária municipal ressaltou que a Lei da Quinta Gospel foi respaldada na Lei nº 5.016/11, de autoria dos vereadores Professora Rose, Herculano Borges e Paulo Siufi, onde “fica reconhecido como manifestação cultural a música e os eventos gospel no município de Campo Grande”. A lei, aprovada em outubro de 2011, foi publicada no Diário Oficial em dezembro daquele ano.

De acordo com o artigo 1º da Lei nº 5.016/11, “ficam reconhecidos como manifestações culturais, a música e os eventos góspeis”, e no artigo 2º, segundo o dispositivo legal, “o Poder Público municipal poderá, nos termos da lei, apoiar os eventos ligados ao universo gospel, inclusive autorizando o uso de espaços públicos”.

Juliana, apresentou ainda a justificativa da Lei nº 5.016/11, que tomou como base para indeferir a apresentação da cantora umbadista Rita Ribeiro. Segundo a justificativa, “(…) o movimento gospel foi e é, um acontecimento revolucionário na música evangélica brasileira (…). É uma atividade cultural, onde procura levar seus participantes para as ruas, praças, esquinas, estádios de futebol, casa de shows, (…), sempre procurando aprimorar a qualidade de seus encontros, demonstrando a preocupação com o resgate do ser humano”.

“O evento Quinta Gospel é um evento cristão. Nunca fomos contra apoiar qualquer outro evento de nenhuma religião, mas eu não posso colocar algo que não se enquadra em outra, por exemplo, se eu vou fazer o Dança Campo Grande eu posso colocar o pessoal do teatro para se apresentar? Eu não posso, porque não é o objeto da lei. Vai ter o Carnaval no ano que vem, eu posso colocar uma banda gospel para tocar? Eu não vou deixar, porque não é o objeto da lei”, argumentou Zorzo.

Segundo a titular da Fundac, a polêmica da Quinta Gospel é matéria vencida, e salientou que o movimento existe há mais de 15 anos. “Esse movimento surgiu na Primeira Igreja Batista, há mais de 15 anos, e o projeto foi crescendo, até que foram até a Câmara, e conseguiram aprovar as duas leis”, disse. Juliana também explicou que, após análise antropológica, histórica e teológica, as religiões afro-brasileiras, que são a umbanda, quimbanda e candomblé não podem ser consideradas cristãs.

“As religiões afro-brasileiras vêm da origem animista, trazidas pelos escravos no século 15, mas suas práticas remontam a séculos antes de Cristo, e sendo assim, não podem ser considerados cristãos”, afirmou Juliana.

A secretária afirmou que se ateve a cumprir a legislação vigente ao negar o ofício, e que não há favorecimento a um seguimento religioso. “Por isso, a gente não autorizou o show para ser realizado na Quinta Gospel, como foi solicitado, porque não tem o mesmo objetivo. Se fosse ao contrário, se fosse a Quinta da Umbanda por exemplo, e uma banda gospel quisesse se apresentar, eu também negaria, da mesma forma, e pelos mesmos motivos. Respeitamos a laicidade do Estado, e nós estamos aqui como guardiões da lei e para respeitar a lei federal, estadual e municipal”, afirmou Juliana.

Sobre as demais religiões, a secretária orientou que os sacerdotes e líderes religiosos busquem o Legislativo para a criação, apoio e aprovação de leis que atendam a especificidade da demanda de cada grupo.

Ontem, o Ministério Público Estadual recomendou que a Fundac abra espaço em 30 dias para que outras denominações religiosas sejam contempladas no Projeto Quinta Gospel. “Passamos todo o embasamento para a Procuradoria-Geral do Município que vai responder ao MPE, e vamos aguardar”, disse Juliana.

“Em nenhum momento a gente feriu a liberdade religiosa de ninguém. Estamos aqui para trabalhar na cultura, e respeitar a diversidade de opiniões, cultural, religiosa. Não podemos errar nesse sentido”,disse Juliana.

Questionada sobre quantos ofícios solicitando o espaço para apresentação de outros grupos religiosos, a secretária informou que foram apenas os dois ofícios. “Desde a criação da lei, recebemos apenas os dois da semana passada, nunca houve antes outro pedido, e também nunca foi aberto para outros grupos”, explicou a secretária.

Polêmica

Sobre a polêmica acerca da negativa, a secretária diz acreditar que se trata de manobra política. “Eu acho que essas entidades estão se sentindo mais perto da Fundac, porque temos apoiado a população em geral, e por isso, encaminharam o ofício. Mas, a polêmica em si, faz parte de uma manipulação política que não tem nenhum embasamento legal por parte do Legislativo”, afirmou Zorzo.

“Agora, em relação às entidades religiosas, em nenhum momento vieram aqui, com tom agressivo. Não podemos fazer as leis, nós apenas as executamos, por isso, orientamos para que busquem no Legislativo a criação de leis que contemplem a todos”, ressaltou Juliana.

Para ela, que é evangélica, o termo gospel está voltado para a música evangélica. “Começou nos Estados Unidos, nas igrejas dos negros protestantes, e o termo gospel vem de God Spell, que significa Palavra de Deus”, explicou Juliana.

A secretária municipal afirmou que a Fundac tem realizado e apoiado eventos espíritas, católicos, protestantes e maçons. “Fizemos a Festa de Santo Antônio, que é uma festa católica, apoiamos a Semana Espírita, em novembro teremos a Festa Maçônica” disse Juliana, que na próxima semana vai se reunir com representantes de todas as religiões para debater o assunto.

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