O professor Diego Aranha, da Unicamp, está conduzindo uma campanha de arrecadação de fundos para lançar um aplicativo que permite aos eleitores, usando seus celulares, colaborarem com a fiscalização da contagem de votos das urnas eletrônicas.

Reconhecendo que as urnas eletrônicas brasileiras são inseguras, e que boa parte das fraudes podem ocorrer na transmissão dos resultados de cada urna para os computadores que contabilizarão o total de votos, o professor propõe que os eleitores se transformem em fiscais e fotografem os boletins de votação de suas seções, enviando-os para que seja realizada uma contagem independente. Essa contagem poderá, então, ser comparada com a oficial para que se verifique se há discrepâncias, e onde.

Leia abaixo a explicação do processo, dada pelo professor no site do Você Fiscal:

Tudo gira em torno do Boletim de Urna (BU). O BU é o “saldo” que toda urna imprime no final da votação com os totais para cada candidato naquela urna.

1. Acabou a votação (17h), o Boletim de Urna deve ser afixado em local público (ex.: a porta da seção eleitoral). Aí começa nosso trabalho!

2. Com o aplicativo para celular que vamos fazer, o eleitor (você!) tira foto do Boletim de Urna e envia para o Você Fiscal.

3. A partir dos boletins de urna enviados, os computadores do Você Fiscal calculam por amostragem um resultado independente e comparam com o oficial do TSE. Quanto mais gente, mais preciso o resultado!

Que tipo de bug ou fraude o Você Fiscal pega?Trajeto após a votação

Depois da eleição, o TSE publica não apenas o resultado final, mas também a versão oficial dos Boletins de Urna de todas as seções eleitorais.

Com isso, o Você Fiscal consegue comparar a foto que você tirou com a versão oficial do BU e ver se elas batem.

Se a sua urna for extraviada/trocada/adulterada depois do fim da votação, a gente detecta.

Resultado final

Tendo um número suficiente de usuários (que depende da distância entre os candidatos no resultado oficial), o Você Fiscal consegue estimar um resultado independente e compará-lo ao oficial.

Se tiver bug ou fraude no software que roda nos computadores do TSE para somar o resultado final, a gente detecta.