“Israel sofreu uma derrota psicológica em Gaza”, diz vice-líder do Hamas

O vice-líder do movimento palestino Hamas, Moussa Abu Marzuq, declarou neste domingo que Israel sofreu “uma derrota psicológica” em Gaza e que também não alcançou seu objetivo principal: destruir a infraestrutura militar do grupo na Faixa. Em entrevista à Agência Efe, realizada em sua residência nos arredores de Cairo, Abu Marzuq explicou que o Hamas […]
| 03/08/2014
- 23:06
“Israel sofreu uma derrota psicológica em Gaza”, diz vice-líder do Hamas

O vice-líder do movimento palestino Hamas, Moussa Abu Marzuq, declarou neste domingo que Israel sofreu “uma derrota psicológica” em Gaza e que também não alcançou seu objetivo principal: destruir a infraestrutura militar do grupo na Faixa.

Em entrevista à Agência Efe, realizada em sua residência nos arredores de Cairo, Abu Marzuq explicou que o Hamas se manteve em estado de “autodefesa” nestas semanas de conflito e acusou Israel de ter iniciado os ataques “sem motivos”.

“O Exército (de Israel) sofreu uma derrota psicológica no conflito em Gaza”, declarou o número dois do Hamas.

O dirigente islamita considerou que a principal conquista do Hamas ao longo da operação militar foi impedir que Israel atingisse seus objetivos na Faixa, principalmente em relação à destruição dos túneis – um plano que, segundo ele, se mostrou “fracassado”.

Estas declarações parecem servir como uma resposta direta ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que ontem afirmou que o Exército israelense não encerraria a operação em Gaza “até alcançar os objetivos e completar a destruição dos túneis”.

Para Abu Marzuq, a retirada das tropas do Exército, iniciada horas atrás na Faixa, mostra a que a ofensiva afetou as forças armadas israelenses “em alto grau”, principalmente por conta da morte de dezenas de soldados.

No entanto, o dirigente islamita não parecia querer falar em vantagens, tendo em vista que também foi enfático ao denunciar a política israelense de “terra queimada” em Gaza, na qual milhares de casas foram queimadas com famílias inteiras em seu interior, assim como cerca de 50 mesquitas e 10 hospitais.

Mais de 1.700 palestinos morreram e cerca 9 mil ficaram feridas desde o início da operação Limite Protetor no último dia 8 de julho, enquanto nenhum dos esforços mediadores e dos anúncios de trégua chegaram a um bom termo até o momento.

“Nós defendemos nosso povo e não temos nenhum objetivo nesta guerra. Foi Israel que impôs a guerra aos palestinos”, disse o dirigente do Hamas, que, segundo ele, advogou pelas negociações desde o início.

Em uma nova tentativa de impulsionar um cessar-fogo, uma delegação integrada por representantes das distintas facções palestinas – entre eles Abu Marzuq – abrem hoje uma rodada de diálogos no Cairo com mediação egípcia, embora a participação de Israel não tenha sido confirmada.

Com aspecto visivelmente cansado, mas mostrando determinação, o líder islamita expressou sua confiança em uma solução, já que, apesar do atual nível de violência, “não há guerra que não tenha fim”.

“Esperamos que as negociações cessem a agressão israelense em Gaza e que possa se consolidar uma trégua e o povo e a resistência palestina alcancem seus objetivos”, afirmou.

Apesar de mencionar inúmeras vezes a possibilidade de um cessar-fogo definitivo, o Hamas rejeitou o plano egípcio apresentado em meados de julho e, inclusive, impôs uma série de requisitos, mesmo que Abu Marzuq tenha agradecido o “indispensável papel do Egito”.

Apesar das diferenças com seu grupo, Abu Marzuq também avaliou a postura da Autoridade Nacional Palestina, liderada por Mahmoud Abbas: “Respaldam nossos direitos e vêm conosco em uma delegação unificada para defender os palestinos de Gaza”.

Neste aspecto, as reivindicações do Hamas são claras: o fim total do embargo, com a abertura das passagens fronteiriças e a liberdade de movimento tanto para população como para mercadorias, assim como a libertação das pessoas detidas “injustamente” na Cisjordânia.

Abu Marzuq exigiu o cumprimento dos pactos alcançados com Israel, especialmente o da troca de presos palestinos pelo soldado israelense Gilad Shalit em 2011 e o acordo de trégua de 2012, alcançado através da mediação egípcia e que, na ocasião, pôs fim a outra crise entre Israel e Hamas.

O “número dois” do Hamas só vê duas alternativas em relação ao fracasso das conversas: o fim unilateral da ofensiva israelense ou uma nova ocupação militar da Faixa.

A segunda opção seria “positiva para o povo palestino porque melhoraria seu nível de vida com a abertura das passagens fronteiriças” e, por outro lado, perigosa para Israel, já que seus soldados seriam um “alvo fácil para a resistência”.

“Se chegasse a fracassar o diálogo no Cairo, o Conselho de Segurança da ONU teria que desempenhar um importante papel”, disse.

Em relação a uma possível continuidade do conflito, Abu Marzuq reconheceu o “equilíbrio de forças desiguais”, mas apontou que o método de luta de “desgaste” do Hamas acabará por derrotar a Israel.

“Israel tem todo o poder militar, mas sairá derrotado na ofensiva no terreno e no que se refere aos direitos humanos, tendo em vista que será perseguido legalmente por todos os crimes cometidos perante tribunais internacionais”, concluiu Abu Marzuq.

Veja também

Fenômeno foi constatado na galáxia Grande Nuvem de Magalhães

Últimas notícias