Nos últimos anos, as empresas brasileiras aumentaram sua produção contratando mais gente. Agora que os índices de desemprego estão em patamares historicamente baixos, há certo consenso entre especialistas, empresários e integrantes do governo de que, para a economia voltar a crescer em ritmo acelerado, é preciso aumentar a produtividade do trabalhador brasileiro.

“Pela primeira vez na nossa história falta mão de obra – o que nos obriga a aproveitar nossos trabalhadores de forma mais eficiente”, diz Hélio Zylberstajn, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP), explicando por que a “produtividade” virou a bola da vez do debate econômico.

“Até os anos 80, os índices de produtividade dos brasileiros cresceram relativamente rápido em função de uma mudança estrutural da economia”, diz Fernanda de Negri, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA). A população migrou para as cidades e começou a engrossar as fileiras de trabalhadores da indústria e serviços – setores cuja produtividade costuma ser maior que a do setor rural.

“A China está vivendo um processo semelhante, por isso, para eles é mais fácil aumentar a produtividade de sua economia enquanto para nós, que precisamos melhorar a performance dentro de cada setor, é mais difícil”, acredita.

Dados da entidade americana de pesquisas Conference Board mostram que os funcionários de empresas brasileiras produziram em 2013 uma média de US$ 10,8 por hora trabalhada.

Trata-se da menor média entre países latino-americanos.

A chilena foi de US$ 20,8, a mexicana, de US$ 16,8, e a argentina, de US$ 13,9.

Além disso, a mesma entidade registrou um crescimento no índice de produtividade brasileiro de apenas 0,8% no ano passado, após uma queda de 0,4% em 2012.

Para se ter uma base de comparação, o índice chinês teve alta de 7,1%.

Produtividade do trabalho é um indicador que dá a medida da eficiência do trabalho em cada lugar.

Simplificando bastante, poderíamos dizer, por exemplo, que se no Brasil cada trabalhador produz 100 sapatos por mês e nos Estados Unidos, cada um produz 200, a produtividade no setor calçadista americano é o dobro da brasileira – embora na prática a questão seja muito mais complexa (leia quadros ao lado).

Então porque um trabalhador no Brasil produz menos que um nos Estados Unidos, no Chile, Coreia do Sul ou Espanha?

Estamos tomando cafezinho demais, ignorando prazos para entrega de resultados e trocando muita figurinha da Copa do Mundo na hora do trabalho?

A verdade é que as causas do baixo crescimento da produtividade no Brasil ainda são tema de um amplo debate.

A revista britânica Economist, por exemplo, causou polêmica no mês passado ao sugerir que o problema poderia ser atribuído também a fatores culturais.

“Poucas culturas oferecem uma receita melhor para curtir a vida”, afirmou a publicação, citando um empresário estrangeiro que teria tido dificuldade para contratar profissionais comprometidos com o trabalho no Brasil.

Para o economista da Unicamp, Célio Hiratuka, a tese é “simplista e talvez até um pouco preconceituosa”.

“Em termos de cultura gerencial, o Brasil não é tão diferente de outros países que têm produtividade mais elevada”, opina.

De Negri concorda que as causas do problema são muito mais complexas. “A produtividade do trabalho não depende só da capacidade ou empenho do trabalhador”, diz.

“Uma empresa que adquire máquinas mais modernas produzirá mais com o mesmo número de funcionários. Outra que precisa alocar muitos empregados para pagar impostos ou resolver questões burocráticas, será menos produtiva.”