A Força Nacional de Segurança Pública continuará a realizar ações preventivas e de repressão aos conflitos agrários na terra indígena Buriti, em Sidrolândia,  distante 70 quilômetros de Campo Grande. A decisão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi publicada nesta sexta-feira (29), no Diário Oficial da União. A medida era uma das reivindicações dos indígenas.

 A decisão ocorreu após a vinda do assessor especial do ministro da Justiça, Marcelo Veiga, e o coordenador-geral de Movimentos da Secretaria Geral da Presidencia da República, Nilton Tubina, nesta quinta-feira (29), ao Mato Grosso do Sul. 

Os representantes se reunirão com o governador do Estado, André Puccinelli (PMDB), produtores rurais, o arcebispo de Campo Grande Dom Dimas Lara Barbosa. Ao fim do dia, eles se encaminharam a Sidrolândia a fim de dialogar com os indígenas.

De acordo com a liderança indígena, Lindomar Terena, a solicitação dos indígenas foi para que a Força Nacional permaneça em todas as áreas em conflito no Estado. “Isto evitaria abusos por parte dos produtores rurais”, afirma. Conforme a portaria, a Força Nacional, permanecerá no Estado durante 90 dias.

Conforme Lindomar, as ameaças são frequentes e sempre existiram, o que assusta e durante os últimos conflitos elas vêm sendo proferidas abertamente. “Se fosse um índio que tivesse ido até o senado e dito que depois do dia 30 haveria derramamento de sangue, saía de lá algemado”, afirma.

 O episódio ao que o terena se refere ocorreu no início do mês, quando o representante da Acrissul (Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul), Jonatan Pereira Barbosa, alertou os senadores sobre os riscos de não solucionar os conflitos até a esta sábado (30).

Apesar de toda visibilidade da situação, Lindomar faz questão de dizer que os indígenas não estão satisfeitos com as negociações do governo Dilma com os produtores rurais. “Hoje vão criar leis para que eles possam receber pelas terras nuas, mas isto é apenas um pretexto, porque a verdadeira proposta e acabar com a demarcação de terras”, acredita.

Uma das medidas do governo Federal, reprovadas pelas indígenas, na tentativa de solucionar os conflitos é a alteração do Decreto 1.775, de 8 de janeiro de 2006, que define os procedimentos administrativos de demarcação de terras indígenas. A minuta do documento será apresentada segunda-feira (2) a lideranças indígenas integrantes da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI).