Em um discurso em francês e inglês, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, defendeu hoje (8) que canadenses e brasileiros se unam no G20 (grupo formado pelas principais economias do mundo) na tentativa de buscar a estabilidade econômica e retomar o crescimento como resposta à crise financeira mundial. Harper disse ainda que o Canadá e o Brasil conseguiram escapar ao impacto mais intenso dessa crise “graças às bases sólidas” existentes nos dois países.

“O Brasil e Canadá são parceiros e têm vários aspectos comuns, como o respeito à democracia, à diversidade e aos direitos humanos”, disse o primeiro-ministro no comunicado feito com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. “Aceitamos as nossas responsabilidades internacionais e resistimos com êxito à tormenta internacional graças às nossas bases sólidas”, completou.

No comunicado conjunto, Harper e Dilma mencionaram a crise financeira internacional de maneiras distintas. O canadense ressaltou a necessidade de um esforço coletivo para combater os efeitos da crise, enquanto a presidenta destacou a atuação do governo para evitar os impactos e discordou do rebaixamento dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P).

Harper ressaltou as parcerias entre o Canadá e o Brasil nos ramos de educação e ciência e tecnologia, além da organização para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Ele também destacou os avanços nos acordos para acelerar o comércio bilateral.

O Canadá é o principal destino de investimentos brasileiros no exterior, registrando estoque acumulado de mais de US$ 21 bilhões e com tendência de aumento dos investimentos produtivos dos canadenses no Brasil. Em 2010, as exportações brasileiras para o Canadá atingiram US$ 2,3 bilhões com maioria de produtos industrializados. O comércio bilateral superou US$ 5 bilhões.

O primeiro-ministro garantiu ainda que, ao lado do Brasil, o Canadá manterá o apoio à reconstrução do Haiti – país que em janeiro de 2010 foi devastado por um terremoto. A situação se agravou ainda mais com uma epidemia de cólera e as dificuldades econômicas existentes na região.