O amanhecer para os moradores da do Mandela neste pós-feriado foi como qualquer outro, mas esta quinta-feira termina apenas com incertezas para mais de 200 famílias que tiveram suas moradias destruídas pelo incêndio que atingiu a comunidade nesta manhã.

Há 8 anos morando no local, a dona de casa Márcia Rodrigues, de 42 anos, conta apenas com a roupa do corpo e uma pasta de documentos que conseguiu salvar. “Perdemos tudo. Tivemos tanto esforço conquistando para perder tudo, tudo, tudo”, lamenta ela ao Jornal Midiamax.

A dona de casa vende roupas e o fogo queimou toda a sua mercadoria. “Estamos aqui nessa luta para conseguir uma casa”, diz ela, que vivia no barraco com o esposo de 40 anos, filho de 20 e a neta, de apenas 5 anos.

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Favela do Mandela destruída (Nathalia Alcântara, Jornal Midiamax)

‘Não tem mais nada’

A doméstica Kellen Damiana Alves, de 31, mora há dois anos na comunidade e também perdeu tudo na tragédia. “Triste, não tem nem o que sentir aqui, não tem mais nada. Vemos as tristes correndo por ver as coisas deles queimando”, descreve à reportagem.

Kellen se mudou para a Mandela em 2017, foi embora e dois anos depois retornou, em 2021. “O que mais temos aqui é . Vemos as pessoas sair correndo, criança chorando, cachorro que morreu”, lamenta.

Fogo consumiu grande parte da favela

A favela do Mandela foi atingida por um incêndio de grandes proporções e, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros, todos os barracos dos fundos foram destruídos. Ainda não se sabe o que pode ter provocado as chamas no local, que abriga ao todo 270 famílias.

O tamanho do incêndio chamou atenção, podendo ser visto por pessoas que transitam pela Avenida Coronel Antonino, a mais de 1 km de distância. Em uma hora as chamas consumiram as dezenas de barracos em boa parte da favela. O incêndio começou por volta das 11h desta quinta-feira e se alastrou rapidamente devido ao calor e à ventania.

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Corpo de Bombeiros ainda atua no rescaldo da tragédia (Lívia Bezerra, Jornal Midiamax)

A prefeitura de informou que moradores podem procurar o Cras (Centro de Referência da Assistência Social) Estrela do Sul. Eles devem receber apoio com cesta básica, colchões e moradia provisória.

Quem já tem poucos pertences correu para tentar salvar o que podia. No rosto, o desespero e agonia por ver os itens comprados durante uma vida toda serem consumidos pelas chamas e virarem fumaça preta. Um morador passou mal por inalar fumaça e precisou de atendimento.