Pouco mais de um mês desde que o município de e o Estado de se uniram para implementação de medidas emergenciais para conter e prevenir ataques nas escolas, a Capital registrou o primeiro grande caso de ataque na última quarta-feira (18). Apesar de todo o ‘aparelhato' que prometia rondas de policiais militares até monitoramento ostensivo de câmeras de segurança, plano é apontado como ‘falho' pela população porque não impediu que adolescente esfaqueasse advogada na Escola Municipal Bernardo Franco Baís.

A ação conjunta divulgada no dia 14 de abril abrangia as escolas públicas e particulares da Capital e do interior. Uma das medidas era a visita do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) nas escolas da REE (Rede Estadual de Ensino) e Reme (Rede Municipal de Ensino).

Outra ação foi o programa “Escola Segura, Família Forte”, com ronda de policiais militares nas escolas de Campo Grande. Além disso, o próprio município desenvolveu a sua frente de atuação com reforço da segurança pela Guarda Civil Metropolitana e Ronda Escolar.

Escola não era considerada zona de perigo

No entanto, conforme apuração do Jornal Midiamax, a Escola Municipal Bernardo Franco Baís já possuía um guarda municipal de plantão, antes do lançamento do plano de segurança escolar feito pela prefeitura de Campo Grande no início de abril.

Como a unidade escolar não registrou casos de violência nos últimos 15 anos, foi considerada segura pela segurança municipal. Por isso, a escola não foi classificada como vulnerável pela prefeitura no mês passado, quando foram designados guardas municipais para 110 escolas.

“Criamos vários mecanismos pra dar segurança para os alunos e servidores da unidade. Ele chegou, mas não ia ter acesso ao interior da escola, já que os portões ficam fechados de forma permanente. Seguiremos normalmente com as aulas”, destacou o secretário Lucas Bittencourt em entrevista na quinta-feira (18).

Com o ataque, muita gente voltou a ficar em alerta, especialmente porque adolescente disse à polícia ter sido vítima de estupro dentro do banheiro da unidade escolar, o que teria motivado o crime.

Assim, os próprios pais manifestaram falha no sistema recentemente adotado pelo município e questionam: onde estavam os profissionais, como coordenadores e fiscais de pátio, para atender casos complexos como esse?

Semed afirma desconhecer denúncia de estupro

O secretário Municipal de Educação, Lucas Bittencourt, disse na manhã desta sexta-feira (19), que não tinha conhecimento sobre o caso de estupro que o adolescente havia sofrido, na Escola Municipal Bernardo Franco Baís, em Campo Grande.

Ao Jornal Midiamax, o gestor alega que nada foi registrado em Ata sobre o caso de estupro do adolescente. Ainda segundo o secretário, existe um grupo de psicólogos para atender a escola, mas que não fica sempre na unidade escolar. Os profissionais ficam em um centro e atendem as escolas. 

Ainda segundo o secretário, existe o programa ‘Valorização à Vida', onde é feito o mapeamento das unidades escolares e as escolas têm um acompanhamento mais próximo. Foi informado que não será feito reforço na segurança da unidade, já que os quatro agentes seriam suficientes. 

Nesta sexta (19), funcionários da Semed (Secretaria Municipal de Educação) fizeram a acolhida dos alunos após o episódio. O Jornal Midiamax também enviou solicitação de informações mais detalhadas sobre as diretrizes da Semed e o que está sendo feito sobre esse caso.

Prefeitura alega mobilização para proteger escolas

Em nota enviada à equipe de reportagem, a prefeitura diz lamentar o ocorrido na Escola Municipal Bernardo Franco Baís. Em seu posicionamento, afirma estar mobilizada para proteger a comunidade escolar.

“O fato aconteceu na entrada da unidade, que é protegida por medidas de segurança preventiva que evitam o acesso ao interior da escola. A administração municipal continua mobilizada para proteger a comunidade escolar, colocando a segurança dos estudantes como absoluta prioridade de trabalho da Guarda Municipal Metropolitana.”

Em seguida, ressalta que as medidas anunciadas recentemente pela atual gestão municipal – que adotou o fechamento dos portões não permitindo acesso nem mesmo aos familiares durante a permanência dos alunos na escola, a incorporação de 109 servidores da GCM, a disponibilidade de viaturas exclusivas para rondas escolares, e o desempenho dos agentes patrimoniais – foram fatores “determinantes para que houvesse uma resposta rápida diante do acontecido. O adolescente foi detido imediatamente e a viatura da GCM chegou ao local 4 minutos após acionada.”

A prefeitura também disse estar prestando apoio aos estudantes, familiares e comunidade escolar. Além disso, as aulas serão mantidas sem nenhuma alteração do cronograma escolar previsto. Semed também foi questionada sobre a presença dos fiscais de pátio e equipe de reportagem aguarda posicionamento sobre o assunto.

Sejusp trata caso como ‘isolado'

A Sejusp (Secretaria de Estado de Segurança Pública) também se manifestou e disse tratar o caso como isolado. Em nota, disse que os protocolos de segurança e o Procedimento Operacional Padrão da Polícia Militar, implantados e treinados anteriormente, foram seguidos, o adolescente foi apreendido e encaminhado para a Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e (DEAIJ).

“Na DEAIJ, o infrator foi apreendido em flagrante delito por ato infracional análogo ao Homicídio Doloso na Forma Tentada, sendo em seguida encaminhado a uma Unidade Educacional de Internação (UNEI), onde permanece à disposição da Justiça, assim como os pais, que detém a guarda e respondem pelo menor, chamados à responsabilidade para explicar o acontecido”, pontua.

“A Sejusp informa tratar o ocorrido de fato isolado, porém para prevenir e reprimir toda e qualquer agressão no ambiente escolar, mantém em pleno funcionamento, desde 2017, o Programa Escola Segura, Família Forte, com rondas diuturnas e constantes nas escolas de Campo Grande, bem como mantém intensificado o policiamento e rondas nas proximidades de todas as escolas e ativos o Grupo de Ações Integradas de Segurança e o Gabinete de Gestão Integrada para monitoramento das escolas de todo o Estado”, continua.

Ao fim da nota, a Sejusp diz que, por meio da Polícia Militar, implantou Ações Estratégicas para o Enfrentamento às Crises Policiais de Agressor Ativo em Unidades Educacionais no Estado e que medidas são realizadas de forma ininterrupta.

“Há atuação intensa de equipes de inteligência e estão sendo realizados cursos para multiplicadores, treinamentos para professores e alunos, monitoramento das unidades escolares e avaliações de ameaças, em fina sintonia com as Secretarias Estadual e Municipal de Educação.”

Assim, secretaria também alega se solidarizar com pais, familiares e comunidade escolar.

Relembre o caso

O adolescente de 15 anos que esfaqueou advogada na quinta-feira (18) era ex-aluno da escola onde ocorreu o crime, na Escola Municipal Bernardo Franco Baís. Ele esfaqueou a advogada, de 46 anos, que é mãe de um estudante, que chegou ao local para buscar o filho. Segundo o filho da mulher, o adolescente atingiu sua mãe na região da lombar. Ela recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros, foi encaminhada para a e recebeu alta.

À polícia, adolescente disse ter sido abusado sexualmente dentro do banheiro da unidade escolar, o que teria motivado o crime. Ele disse a um dos policiais que no ano passado, quando era aluno da unidade escolar, foi estuprado dentro do banheiro por outros três alunos.

O adolescente disse os nomes de seus abusadores, não dando mais detalhes do abuso. O crime aconteceu por volta das 13h10 dessa quinta (18), quando o adolescente tentava entrar na escola com facas nas mãos.