de 71 anos aguarda há três dias uma transferência na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Universitário, em . O paciente precisa passar por cirurgia no Universitário, mas não consegue ambulância para o deslocamento.

Conforme o filho do idoso, Diego Matos, na segunda-feira (6), o pai foi levado até a UPA com muitas dores. “O doutor disse que tinha que fazer uma cirurgia urgente no meu pai porque está com a cabeça do fêmur totalmente quebrada. Tem que colocar uma haste para solucionar o problema e acabar com as dores”, relata ao Jornal Midiamax.

Ele conta que o pai começou a sentir fortes dores no dia 26 de janeiro e foi levado até um UPA após horas de espera por uma ambulância do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), no Bairro Chácara das Mansões.

O idoso foi medicado com morfina e liberado. Entretanto, ainda com muitas dores, a família levou o paciente até o Hospital Evangélico, onde ele fez alguns exames. Na segunda, o médico responsável constatou a necessidade de cirurgia.

O senhor então foi levado até a UPA do Universitário, já que para realizar cirurgia pelo SUS (Sistema Único de Saúde), os pacientes precisam ser encaminhados do Pronto Atendimento. No local, o plantonista fez o encaminhado para a cirurgia.

Aguardando transferência

Com o encaminhamento em mãos, o idoso aguardava apenas abrir uma vaga em qualquer hospital de Campo Grande com a especialidade necessária para a realização da cirurgia. “Ontem [terça-feira] veio a notícia que estava com uma vaga para fazer a cirurgia do meu pai no Hospital Universitário”, explica Diego à reportagem.

Entretanto, a família foi informada que o médico plantonista já solicitou duas vezes ao SAMU para fazer a transferência. “Até o momento já ligamos diversas vezes, mas dizem que não tem expectativa. Não tem como nem como dar um dia para ir buscar meu pai”, revela.

Nesta quarta-feira (8), Diego diz ter sido informado pelo SAMU que as macas estão retidas nos hospitais e, por isso, não é possível fazer a transferência do idoso. Até o fechamento deste material, o paciente não havia sido transferido.

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou que o SAMU atende ocorrências externas de urgência e emergência e por isso, é dado prioridade ao paciente que está com maior gravidade par que o quadro clínico seja estabilizado o mais rápido.

“[…] o que pode provocar uma demora além do esperado para realizar o transporte dos pacientes que já estão nas unidades 24h”, diz nota enviada ao Jornal Midiamax. A pasta ressalta que o idoso está sendo acompanhado e será transferido “o mais rápido possível”.

Demora é alvo de investigação

O (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) instaurou notícia de fato para apurar denúncia na demora para transferência de pacientes para hospitais de Campo Grande. A apuração deriva de uma denúncia protocolada na Ouvidoria do MPMS.

Em dezembro de 2022, um morador do Aero Rancho denunciou que a tia de 72 anos aguardou por mais de 12 horas por uma transferência. Ela estava esperando ser levada do CRS (Centro Regional de Saúde) Aero Rancho para o Hospital Regional Rosa Pedrossian.

Em janeiro, a manifestação foi distribuída à 32ª Promotoria de Justiça, que abriu uma notícia de fato. A apuração foi prorrogada por mais 90 dias na semana passada.

No decorrer da investigação, o Samu informou que o tempo médio de atendimento é de 31 minutos, com base nos 6,2 mil atendimentos realizados em novembro de 2022. Até o momento, nem o Samu e nem a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) detalharam a situação do atendimento de urgência e emergência ao MP.

*Matéria alterada às 16h40 para acréscimo de posicionamento da Sesau.