Campo Grande confirmou o oitavo caso de raiva em morcegos em 2023. Para evitar novos casos, as equipes do CCZ (Coordenadoria de Controle Zoonoses), promovem nesta quinta-feira (05) e sexta-feira (06), uma ação de bloqueio contra raiva no Bairro Arnaldo Estevão de Figueiredo, região do Tiradentes.

Médica veterinária da CCZ, Maria Aparecida Conche Cunha, destaca que a ação consiste na vacinação de animais ainda não imunizados contra a doença e a orientação dos moradores em relação aos cuidados necessários.

“A vacinação é a única forma de proteção contra a doença. Incurável nos animais e fatal em 100% dos casos, a doença é uma zoonose e, portanto, também pode afetar os seres humanos. A raiva é letal aos humanos e o vírus pode ser transmitido a partir da mordida, lambidas ou machucados causados por mamíferos contaminados, incluindo morcegos, cães e gatos”, disse.

Os casos de morcegos com raiva têm aumentado anualmente em Campo Grande. Em 2021, foram registrados quatro casos; em 2022, foram seis; e até outubro deste ano, já foram identificados oito morcegos com raiva, dos mais de 587 recolhidos até o momento.

Mesmo sem novos casos em cães, gatos e humanos, a vacina antirrábica é obrigatória em todo o território nacional. Conforme a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Campo Grande mantém uma cobertura vacinal vigilante para cães e gatos, uma vez que morcegos positivos para a doença têm sido identificados com frequência na área.

Nunca encoste em um morcego

Morcego
O morcego é o principal agente transmissor de raiva no perímetro urbano (Reprodução)

Ao encontrar um morcego na residência ou quintal (vivo ou morto), a Sesau orienta que o animal seja isolado com um pano, balde ou caixa sobre ele e entrar em contato com o CCZ por telefone. É necessário ainda evitar que os animais de estimação tenham contato com o morcego e manter em dia a vacinação antirrábica anual em cães e gatos.

Se uma pessoa entrar em contato direto com morcego ou for mordido por algum animal doméstico, ou silvestre, deve procurar, imediatamente, a unidade de pronto atendimento (UPA/CRS) mais próxima.

Casos de raiva em MS

O último caso de Raiva Humana registrado em Campo Grande foi em 1968. Quanto a cães e gatos, o último registro foi em 1988, e após 23 anos, houve um caso isolado de Raiva Canina em 2011, quando um cão contraiu a doença por contato com um morcego contaminado.

Mato Grosso do Sul, registrou o último caso de Raiva Humana em 2015, no entanto, o vírus continua circulando na região. De 2019 a 2021, foram diagnosticados 192 animais positivos para a raiva em todo Estado.

Em 2022, foram contabilizados 89 casos positivos, em 2020 foram 74, e em 2019 foram 29. Dentro desse total, 163 casos foram encontrados na espécie bovina, 15 em equídeos, 1 em felino, 11 em morcegos não hematófagos, 1 em ovino e 1 em um animal silvestre.

Como proteger seu pet

Agente do CCZ, em atendimento itinerante em Dourados (Foto: Midiamax/Arquivo)

A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordida, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura desses animais.

É uma doença infecciosa viral que acomete mamíferos, inclusive o homem, e caracteriza-se como uma encefalite progressiva e aguda, levando à morte em quase a totalidade dos infectados.

Para receber a vacina, cães e gatos devem ter pelo menos três meses e estar saudáveis. Não há outras contraindicações para a vacina antirrábica, que é a única vacina obrigatória conforme a lei.

Se o animal tiver sido desvermifugado recentemente, é necessário respeitar um período mínimo de 10 dias entre o uso do vermífugo e a vacina. Fêmeas prenhes ou em lactação podem ser vacinadas, mas devem ser manuseadas com cuidado para evitar traumas ou estresse.

Se o tutor do animal não estiver em casa, a equipe do CCZ deixará um comunicado para levar o pet ao local, para a aplicação da vacina antirrábica.

O horário de funcionamento é das 7h às 21h, de segunda a sexta. Já nos sábados, domingos e feriados o horário de atendimento é das 6h às 22h.