Famílias que tiveram barracos destruídos durante desocupação fazem protesto simbólico em Campo Grande

Com cartazes e cruzes cerca de 90 pessoas participaram da manifestação nesta manhã
| 14/02/2022
- 16:04
As famílias foram despejadas duas vezes em menos de uma semana.
As famílias foram despejadas duas vezes em menos de uma semana. - Henrique Arakaki/Midiamax

Com cruzes e a frase ‘não queremos cova, queremos casa’, cerca de 90 pessoas realizam um protesto simbólico, na manhã desta segunda-feira (14), após aproximadamente 20 famílias serem despejadas de um terreno localizado no Parque Novos Estados, região norte de Campo Grande.

As famílias foram despejadas duas vezes em menos de uma semana. A primeira desocupação aconteceu na quarta-feira (9). As famílias retornaram ao local e novamente tiveram que abandonar seus barracos no último sábado (11).

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Na última desocupação, com retroescavadeiras, equipes da (Secretaria Municipal de e Gestão Urbana), fizeram vários buracos no terreno para dificultar que as famílias construam novos barracos no local.

As famílias destacam que primeira na primeira ocupação, a Guarda Municipal agiu de forma pacífica, diferente da segunda vez, que supostamente realizaram abordagens de forma truculenta, segundo a população.

“Eu estava dormindo com o meu filho no barraco e chegaram me apontando uma arma. Não deixaram a gente recolher as nossas coisas que foram levadas pela retroescavadeira. Fizeram um morro com o pouco de coisas que a gente tinha”, lamentou.

Após a última desocupação, as famílias buscaram abrigo em uma igreja do bairro e ainda aguardam um posicionamento do município. Nesta tarde de segunda-feira, o grupo deve se reunir para discutirem quais serão os próximos planos.

Paulo João Dias, de 36 anos, conta que era balconista, quando cursava o último ano da faculdade, descobriu um tumor na cabeça e perdeu 97 % da visão. Ele recebe um auxílio, sua esposa é manicure, mas devido a pandemia, as coisas foram ficando mais difíceis e em determinado momento eles não conseguiram mais ter condições de pagarem aluguel.

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Luciana Rosane de Souza, de 38 anos, diz que há anos espera uma casa, mas nunca foi sorteada. Sem ter como pagar aluguel, ela foi despejada da residência que morava com seus quatro filhos, de 15, 12,4 e um bebê.

“Tinha um barraco que foi destruído na última desocupação. Trabalho com diária e com a pandemia muita gente parou de me chamar”, disse.

Mayra Eduarda Melo de Lima, de 21 anos, contou que veio de Manaus em 2014 para morar com a mãe que é usuária de drogas. A jovem é casada e tem dois filhos pequenos. O marido é servente de pedreiro, mas vive de bicos, o dificulta pagar um aluguel.

“Não conseguimos pagar aluguel. Eu só tinha um fogão e um microondas que foram destruídos na última desocupação”, lamentou.

Durante a desocupação do último sábado, quatro pessoas foram presas pela Guarda Municipal. Clayton dos Passos foi um dos detidos. Desempregado, o homem diz que precisou construir um barraco após ficar sem emprego.

“Eles me acordaram com uma arma e me mandaram levantar. Levaram a gente para a delegacia e me fizeram assinar um documento, o qual, dizia que havia sido preso por desacato e por invasão imprópria, mas não me entregaram uma cópia e não me deixaram ler direito. Também tiraram fotos das nossas tatuagens como se a gente fosse bandido”, disse.

Clayton Soares faz parte da Central Movimento Populares também participou da manifestação e disse que está ajudando os moradores com advogados.

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