Falta de medicamentos no mercado já preocupa a Santa Casa de Campo Grande

Conselho de farmácia orienta população a pedir 2ª opção e não fazer estoque em casa
| 24/06/2022
- 11:44
Falta de medicamentos no mercado já preocupa a Santa Casa de Campo Grande
Falta de medicamentos atinge diversos municípios - Imagem ilustrativa - (Foto: Stephanie Dias/ Jornal Midiamax)

A CNSaúde (Confederação Nacional de Saúde) emitiu, nesta semana, um comunicado alertando para o risco de falta de medicamentos e a escassez de insumos médicos. A situação tem preocupado o setor hospitalar e farmacêutico em todo o país. Em algumas cidades, a falta de insumos ameaça o funcionamento de hospitais. Em Campo Grande, a Santa Casa informou que a situação de alguns medicamentos preocupa o hospital.

A Santa Casa informou ao Jornal Midiamax que teve uma grande preocupação em relação aos soros fisiológicos que estavam em falta. A empresa contratada conseguiu abastecer parte da demanda, mas algumas apresentações não. Além disso, para manter o hospital abastecido, foi preciso comprar o insumo em outros distribuidores pagando preços mais altos do que os cotados previamente. A situação acontece desde março.

Em relação a fármacos, os medicamentos como Dipirona, Atropina e Aminofilina ainda estão com problema no abastecimento, isso devido à falta no mercado. “A Santa Casa está com o estoque abastecido, mas, infelizmente, no mercado, essas medicações também estão com preços muito altos'', informa nota enviada pelo hospital. “A situação preocupante em relação a medicamentos e insumos é não ter o conhecimento prévio sobre a falta deles no mercado, isso porque as distribuidoras emitem, por vezes, essa falta apenas na hora despachar as notas fiscais às empresas”, prossegue a Santa Casa.

O risco de desabastecimento de medicamentos e insumos médicos preocupa o segmento de saúde em todo o Brasil. Em Belo Horizonte (MG), a falta de insumos hospitalares ameaça o funcionamento da Santa Casa, de acordo com matéria do O Estado de Minas Gerais.

Falta de medicamentos em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, o problema da falta de medicamentos persiste em diversos municípios, de acordo com informações do Cosems-MS (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul). Remédios como Ibuprofeno, nimesulida, amoxicilina e dipirona estão entre os medicamentos em baixa. 

Na última quinta-feira (23), o Cosems-MS informou ao Jornal Midiamax que “infelizmente, vários processos licitatórios permanecem desertos. Os laboratórios estão com dificuldade na produção devido a escassez de insumos, o que gera, em alguns casos, um aumento excessivo dos valores de determinadas medicações”. 

O Cosems-MS informou ainda que conseguiu a doação de 45.759 frascos de Amoxicilina suspensão 250mg, e 24.100 frascos de Cefalexina que já foram distribuídos aos municípios e que levou a pauta para discussão nacional.

Conselho da Farmácia orienta pacientes sobre falta de medicamentos

Em São Paulo, um levantamento feito pelo CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo) apontou que mais de 98% dos farmacêuticos declararam problemas de desabastecimento de medicamentos. Em Mato Grosso do Sul, ainda não há um levantamento, mas o CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia) confirma que o problema também já atinge o Estado. 

De acordo com o presidente do CRF/MS, Flávio Shinzato, a situação das farmácias no Estado não é diferente de outras regiões, como São Paulo, Rio de Janeiro e os grandes centros. “Há desabastecimento generalizado de certos medicamentos. É o caso do analgésicos como dipirona, na solução oral pediátrica, e, principalmente, a nível de antibióticos e outros derivados também, que fazem parte da cadeia de estruturação e manutenção da saúde da população”, explica Shinzato.

Entre os principais motivos para a escassez de medicamentos estão a alta demanda causada pela pandemia, que ainda impacta o setor, a guerra na Ucrânia e o lockdown na China, que é um grande provedor de matéria-prima geraram problemas logísticos para o atendimento das demandas de insumos e medicamentos.

Segundo o presidente do CRF/MS, esses fatores  levam a um agravamento dessa situação que ainda persistirá por algum no Brasil. 

“Pedimos a população que no ato do atendimento já tenha uma segunda opção dada pelo médico para que nós, profissionais farmacêuticos, tenhamos uma segunda opção de medicamento para esses clientes de forma a contemplar esse tratamento. Também orientamos que a população que não se automedique e não faça estoque de medicamentos, pois isso ocasiona mais malefícios do que benefícios à sociedade”, afirma Shinzato.

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