Com ninho na Júlio de Castilho, araras encantam e 'convidam' quem passa para uma foto

Araras-Canindé têm alegrado a rotina de quem passa e vive na região
| 09/05/2022
- 14:34
Arara-canindé
Araras-canindé em ninho da avenida Júlio de Castilho em Campo Grande (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

Na esquina da rua Oviêdo com a Avenida Júlio de Castilho, um ninho de Araras-Canindé tem chamado a atenção de quem passa. Naquele local, ver de motoristas a pedestres pararem para tirar fotos tornou-se cena comum e revelam, também, apego do campo-grandense com a adaptação da espécie de aves ao ambiente urbano.

“É bem interessante, uma coisa nova na região e chama bastante atenção dos moradores.  Toda hora para alguém de moto ou de carro para tirar foto. Elas acabam alegrando a vida de muitos”, disse ao Jornal Midiamax o consultor de vendas Venâncio Barreto, de 27 anos.

Barreto diz que tem visualizado cerca de 3 a 4 aves na palmeira morta, e ressalta a missão de cada morador da Capital. “Elas apareceram a mais ou menos um ou dois meses. A cidade expandiu demais e acabou pegando o território delas, e elas acabaram migrando pra cá. Temos que cuidar, porque a gente mesmo que as fez saírem do habitat delas”, pontuou.

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Aves tem alegrado a rotina de moradores e condutores que passam pela rua (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

A presença dos animais também alegra o cotidiano do barbeiro Sérgio Antônio, de 66 anos, toda vez que chega para trabalhar. “Eu chego de manhã e vejo 2 cantando e brincando com a outra. Eu acho legal. E o pessoal vê e tira foto”, disse.

Segundo os relatos, a ocupação do tronco de palmeira é recente e elas são vistas mais comumente no começo da manhã e no fim da tarde.  “Devemos preservar do jeito que elas estão. Elas alegram as pessoas que chegam e não incomodam ninguém”, disse Antônio.  

Famosas até em outro Estado

Morando há 13 anos na região, a aposentada Gladys Martins, de 64 anos, faz questão e mostrar as novas vizinhas até para os parente de outros Estados. "Já até tirei foto e mandei para o grupo de mensagens da em Salvador, e para meu filho e irmão verem, porque elas representam o nosso Pantanal", explicou.

A presença das aves também têm mudado a rotina da aposentada. Segundo ela, as vizinhas contribuem para melhorar até o . "É uma coisa diferente. Elas são muito barulhentas, no bom sentido, a gente ouve e já sai pra ver. Eu vivo tirando fotos delas. Sempre admirando e preservando", detalhou.  

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Foto enviada por Gladys Martins para o grupo de mensagens da família (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

Morador e comerciante da região há 38 anos, Agnaldo Melo de Almeida, de 59 anos, afirma que é a primeira vez que as araras se instalam na palmeira, com o poder de mudar o humor das pessoas.

“Elas estão na região há cerca de 8 meses a 1 ano, mas o ninho começou a aparecer agora. Elas ficam na praça e nessa árvore. Uma mulher teve um problema no carro aqui na frente e as araras estavam fazendo aquela algazarra. Ela ficou meio encantada, foi uma distração pra ela e tirou a atenção do problema”, disse ele.

Defendendo território

A presidente do Instituto Arara Azul de Mato Grosso do Sul e coordenadora de pesquisa do Projeto Aves Urbanas Araras na Cidade, Neiva Guedes, de 60 anos, explicou que as aves estão no período denominado de pré-reprodutivo, explorando cavidades e se defendendo de outros casais. Depois de defenderem, elas vão começar a beliscar internamente a árvore e fazer a cama, para fazer a colocação dos ovos.

“Se forem quatro aves, podem ser dois casais defendendo para ver quem vai ocupar a cavidade, ou um ninho de um casal que está com os seus filhotes do período reprodutivo do ano passado. Se forem só duas, pode ser um casal tentando construir o ninho”, explicou Neiva.

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Araras preparando o ninho (Foto: Henrique Arakaki / Jornal Midiamax)

Neiva também detalha que, entre 2010 e 2021, mais de 350 ninhos foram cadastrados pelo projeto. Além disso, o Instituto Arara Azul já monitorou mais de 660 casais de araras. Desde então, já nasceram mais de 1300 filhotes em Campo Grande.

“Essas ainda não foram cadastradas. Toda vez que a comunidade nos passa um endereço a equipe vai até o local. Para monitorar essas cavidade e verificar se é um ninho ou futuro ninho. Quando tem um ninho, ovos ou filhote, eles são acompanhados semanalmente. Para ver se a reprodução terá sucesso”, disse ela.

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