Cotidiano

Atacadista em chamas: maior incêndio da história de Campo Grande completa 1 ano

Bombeiros enfrentaram mais de 48h de combate às chamas

Mariane Chianezi Publicado em 13/09/2021, às 08h00

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Henrique Arakaki, Midiamax/de arquivo

No dia 13 de setembro de 2020, por volta das 17h, todo o efetivo do Corpo de Bombeiros era acionado para conter as chamas de um dos maiores incêndios da história de Campo Grande. Há um ano, a loja do Atacadão, localizada na Avenida Duque de Caxias, era consumida por chamas, que levaram 48 horas para ser completamente controladas.

Em poucas horas de incêndio, na tarde daquele 13 de setembro, o fogo já mostrava que o estrago seria grande, pois a densa fumaça podia ser vista a 10 km de distância. Logo, todas as unidades dos bombeiros foram mobilizadas para tentar apagar o fogo, que já estava ‘incontrolável’. Militares aposentados se voluntariaram para auxiliar no incêndio.

Foto: Marcos Ermínio/Midiamax

As cenas foram impressionantes e o fato ficará marcado também para os moradores vizinhos ao atacadista. Alguns precisaram sair de suas casas e relataram o calor impressionante que sentiram. Além disso, devido aos riscos, muitos tiveram que passar alguns dias em hotéis.

A situação parecia ficar cada vez mais complicada, com as chamas impossíveis de serem combatidas diretamente, devido à dificuldade de acesso e às altas temperaturas. Assim, um novo agravante surgiu: o risco de desabamento. O teto precisou ser retirado para diminuir os riscos aos profissionais que atuavam no caso.

Tragédia poderia ter sido evitada

Na ocasião, um empresário do setor de formação de brigadas para empresas, que pediu para não ter a identidade revelada, disse que a tragédia poderia ter sido amenizada, caso a ação inicial dos brigadistas tivesse sido efetiva. “Pelas imagens, só havia uma linha de fogo, na gôndola. A chance de ter apagado o fogo ali era grande se tivesse sido acionado tudo corretamente. Assim, não teria tomado essa proporção”, avalia.

“Eu vi que o Atacadão informou que alguns brigadistas cuidavam da evacuação do local e fizeram isso muito bem feito, pois não houve feridos. Entretanto, a equipe tem que estar preparada para realizar as duas tarefas [evacuar e combater as chamas] simultaneamente”, concluiu.

Foto: Henrique Arakaki, Midiamax

Prejuízo milionário

O incêndio que destruiu a loja do Atacadão teria consumido parte de estoque que renderia lucro de R$ 18 milhões ao atacadista no final do ano de 2020. Conforme informações apuradas pelo Jornal Midiamax na época, a loja onde incidente aconteceu já estaria sendo abastecida com todo o estoque para o período de final de ano e mercadoria, tanto das prateleiras como do estoque aos fundos, estaria avaliada em milhões de reais. Tudo foi destruído.

Em novembro, o inquérito que apura as causas do incêndio no Atacadão ganhou um novo indício. O laudo da perícia indicou que o incêndio na loja da rede atacadista poderia ter sido ‘proposital’. Conforme o delegado titular na época da 7ª DP, Bruno Urban, o laudo não apontou nenhum indício de curto-circuito no sistema do supermercado e nenhuma combustão espontânea, pois no corredor onde o incêndio começou havia produtos inflamáveis, como álcool e demais materiais de limpeza.

A reportagem tentou contato com a atual delegada titular da 7ª DP, Marília Brito, para apurar a conclusão do inquérito policial, mas não obteve sucesso.

Página virada

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Marcos Ermínio, Midiamax

Um mês e meio após o incêndio, a rede atacadista já demonstrava intenção de deixar o ocorrido para trás, virar a página e pensar na reinauguração. Seis meses depois, em março de 2021, fez o pedido para licença de funcionamento— publicado no Diogrande. No mês seguinte, a loja era reaberta. 

Em dias melhores, o supermercado chegou a ser ponto de vacinação contra a Covid-19 em agosto. A vacinação na loja — que um dia esteve reduzida a entulhos — levava esperança de dias melhores aos campo-grandenses. 

Na ocasião, a técnica de enfermagem Laurilene Sampaio, de 35 anos, aproveitou para se vacinar enquanto o marido foi às compras. "Uniu o útil ao agradável. Decidi vir aqui por causa da acessibilidade que gerou", disse. 

Os maiores incêndios de Campo Grande

Outros incêndios marcaram a década e, por três anos consecutivos, corporação dos bombeiros se mobilizaram para conter incidentes semelhantes na Capital.

Em dezembro de 2012, os militares do Corpo de Bombeiros trabalharam por horas para conter as chamas que atingiam a Loja Paulistão, na Avenida Costa e Silva, em frente ao Terminal Morenão. A loja de brinquedos e artigos teve destruídos todo o estoque e a estrutura do comércio.

Na ocasião, militares de dois batalhões trabalharam no combate ao incêndio e oito viaturas dos bombeiros precisaram ser acionadas. A polícia investigou e, conforme apurou, descobriu que o incêndio foi causado devido a um curto-circuito de um fio de extensão. Vale lembrar que, em 2007, outra unidade do Paulistão chegou a pegar fogo na Rua Rui Barbosa, no Centro.

Outro incêndio ‘emblemático’ que chocou e sensibilizou os moradores, foi em maio de 2013, quando a loja Planeta Real, localizada no coração de Campo Grande, foi destruída por um incêndio. O incidente mobilizou inúmeros bombeiros, que agiram para impedir que as chamas atingissem os prédios aos arredores.

Foto: Marcos Ermínio

A suspeita teria sido de que o fogo começou no tubo de refrigeração da loja e cinco dias depois do rescaldo, um novo foco, com chamas atingindo 2 metros de altura, foi descoberto e, novamente, o Corpo de Bombeiros precisou ser acionado.

Em 2014, um incêndio de grandes proporções mobilizou os bombeiros em uma loja de piscinas na saída para Três Lagoas.

No combate do incêndio, a corporação utilizou aproximadamente 100 mil litros de água e precisou direcionar ao local 70 homens, entre eles 50 militares e outros 20 alunos soldados.

O incidente chegou a ser registrado acidentalmente por um drone, que realizava um monitoramento móvel por câmera, em um veículo na Capital.

Jornal Midiamax