Projetos preveem 4 mil vagas, mas seriam necessárias pelo menos 10 mil

Nem se as 34 obras de creches existentes atualmente em Campo Grande fossem concluídas dariam conta do deficit do setor. Segundo o MPE (Ministério Público Estadual), faltam 10 mil vagas, ao passo que os projetos, dos quais 32 estão parados, preveem atender 4 mil crianças.

O deficit foi citado por Carlos Alberto Carvalho, durante audiência pública sobre obras paradas de Ceinfs (Centro de Educação Infantil) na Capital, na manhã desta sexta-feira (15) na Câmara Municipal. Ele é assessor da Promotoria que atua na área dos direitos de crianças e adolescentes.

Segundo a Prefeitura, de um total de 34 obras de creches, 32 projetos estão parados na cidade. Destes, 19 são por falta de dinheiro do Município e 13 por abandono de uma empresa que fechou contrato diretamente com o governo federal.

No fim da audiência, o proponente da reunião, vereador Alex (PT), disse que se necessário for a Justiça será acionada para garantir a conclusão das obras na Capital. No caso dos projetos contratados diretamente pelo governo federal, ele comentou que deverá ir a Brasília (DF) cobrar a retomada dos trabalhos.

“Já se passaram três prefeitos e cada um tem sua parcela de responsabilidade. A Prefeitura tem que dizer quais obras vai terminar este ano”, pontuou o presidente da Comissão Permanente de Obras e Serviços Públicos da Câmara, Carlão (PSB). Segundo os dados oficiais, boa parte dos projetos começou entre 2011 e 2012: “esses quatro anos de adiamento é inaceitável”, pondera Alex.

Na plateia do Plenarinho da Câmara, onde foi feita a audiência pública, havia inúmeros casos de mães que se dizem impedidas de trabalhar por não terem onde deixar os filhos. “Já recusei dois empregos por causa disso”, comentou Vanessa Malveredo, moradora do Jardim Noroeste, e que tem cinco filhos, dois em idade para frequentarem creche.

De acordo com a Prefeitura, no bairro onde Vanessa mora há dois Ceinfs inacabados, sendo um 40% pronto e com a promessa de retomada da obra para o fim de maio. No outro, parado desde 2011, são necessários R$ 850 mil para os 20% a serem feitos.

Mas, ainda no caso do Noroeste, nem essas duas creches dariam conta da demanda local, disse Herculana Paredes, conselheira da Região Urbana do Prosa. Atualmente, só um Ceinf funciona no bairro, segundo ela.