Em clima de pesar e revolta, familiares da índia terena Lurdesvoni Pires, de 28 anos, pedem que haja mais empenho nas investigações para que não fique impune o atentado que resultou na morte dela.

Lurdesvoni morreu nesta terça-feira (23), na Santa Casa de Campo Grande, onde estava internada desde o dia 4 de junho, depois que o ônibus em que estava, junto com outros estudantes indígenas, foi atacado e incendiado em Miranda.

O caso está sendo investigado pela Polícia Federal, depois de denúncia feita pela família ao MPF (Ministério Público Federal), mas ainda não há qualquer conclusão ou informações acerca de avanço nas investigações.

Além da família, também cobram providências entidades como a Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil – seccional de Mato Grosso do Sul) e o Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas.

“Estamos consternados, porque essa é uma situação muito séria, que não pode ficar sem um tratamento adequado”, avalia a presidente da Comissão da OAB, Samia Roges Jordy Barbieri.

Para o presidente do Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas, Elcio Terena, a atitude possível neste momento é cobrar das autoridades que as investigações sejam concluídas. “Precisamos que algo seja feito urgentemente e que esse caso não fique impune. A família está na aldeia e o clima lá é de revolta. Queremos que a polícia descubra quem foi o autor e que ele seja punido, para evitar novos episódios”, afirma.

O irmão de Lurdesvoni, Genilson Pires, relata a grande tristeza e afirma que a sensação de impunidade faz aumentar a dor. “Queremos é que se descubra quem foi o responsável e que ele seja punido”, diz.

Lurdesvoni deixou quatro filhas pequenas, com 13, 8, 6 e 3 anos de idade, que, provisoriamente, vão ficar so os cuidados da avó materna.