Os advogados de defesa do padrasto de Sophia Ocampos, Willer Souza Alves e Pablo Gusmão, foram retirados durante audiência de instrução e julgamento ocorrida na tarde desta sexta-feira (19) no Fórum de Campo Grande. Um deles, Willer Souza Alves, discutiu com o juiz Carlos Alberto Garcette ao dar um copo d’água para uma testemunha durante o depoimento dela. A audiência foi suspensa e continuará na próxima sexta-feira (26).

A testemunha prestava depoimento e respondia às perguntas do juiz, quando começou a se emocionar e chorar no plenário. O advogado Willer, do padrasto de Sophia, teria passado em frente do magistrado e entregue um copo d’água para a mulher.

O juiz teria dito ao advogado que era permitido que ele fizesse apenas a função de defesa durante a audiência, e explicou que copo de vidro não era permitido para as testemunhas. O advogado teria falado que “poderia fazer a função que quisesse, de advogado ou copeiro”, quando foi advertido pelo juiz.

Então, o magistrado pediu para que os policiais militares que acompanham as audiências, retirassem o advogado, que no primeiro momento se negou. O outro advogado, Pablo Gusmão, ainda teria tentado amenizar a situação, e também foi retirado do Plenário.

Pablo já havia interrompido, por duas vezes, o depoimento de uma testemunha anterior, pedindo para que a defesa da mãe de Sofia fizesse perguntas que se atentassem apenas aos fatos, já que o advogado da ré teria questionado se as testemunhas achavam que o casal seria capaz de cometer tais atos.

Os advogados acionaram as prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que asseguram direito de defesa, e a audiência foi cancelada. Conforme explicado à imprensa, nova audiência foi remarcada para a próxima sexta-feira (26) e a testemunha que era ouvida durante o episódio prestará um novo depoimento. Os depoimentos anteriores serão mantidos.

(Foto: Fábio Oruê – Jornal Midiamax)

DNA de outro homem foi encontrado em colcha de Sophia

Segundo os advogados Pablo Gusmão e Willer Souza, foi encontrado um cobertor em um cômodo da casa com material genético. “Foi encontrado material genético e periciado como sendo de outro homem, está escrito no laudo que não é compatível com o do padrasto, é de outro homem”, afirma Pablo.

O advogado Willer ainda informou que o padrasto confirmou apenas as agressões, mas que não tinha a intenção de matar Sophia. “O que ele fala é que foi corrigir a menina, isso é diferente de ter agredido para alcançar o resultado morte, que não é o caso”, afirma.

A defesa ainda explicou que, em relação às conversas de que o padrasto e a mãe de Sophia tiveram antes da prisão para “arquitetar” como explicariam a morte dela, o intuito era explicar sobre as lesões. “O que ele fala ali [nas mensagens] é sobre as lesões, e não porque tinham matado ela”, afirma Willer.

Defesa da mãe de Sophia

A defesa da mãe de Sophia, feita por um grupo de advogados, assumiu o caso na última quarta-feira (17). “Estamos estudando o processo e alinhando a tese de defesa. Precisamos ouvir todas as testemunhas, porque provavelmente vão surgir novas provas e novos fatos que lá na frente poderão ser usados”, disse o advogado representante, Pablo Neves Chaves.