Preso temporariamente, suspeito de envolvimento no desaparecimento do garagista Carlos Reis Medeiro de Jesus, de 52 anos, o ‘Alma', foi liberado nesta quarta-feira (23). Segundo a defesa, o jovem de 19 anos nega participação no caso, que é tratado como homicídio.

De acordo com o advogado Bruno Ghizzi, foi feito pedido de liberdade provisória inicialmente, indeferido pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Depois, o advogado entrou com pedido de produção de provas e diligências complementares. “Com o fim de comprovar a inocência e a não participação e desconhecimento total do mesmo de qualquer crime supostamente perpetrado por terceiros”, pontua.

Não foi feito pedido de prorrogação da temporária do investigado, sendo que ele foi posto em liberdade nesta quarta. A defesa alega que, enquanto esteve preso em cela de delegacia, o jovem foi chamado na frade da cela para prestar informações, sem a presença do advogado.

O que diz o inquérito

Conforme relatado pela polícia, ao menos 6 pessoas estariam envolvidas no sequestro, cárcere privado, homicídio e ocultação de cadáver de Carlos Reis. O crime teria acontecido no dia 30 de novembro de 2021, quando a vítima foi atraída até a oficina do suposto mandante do assassinato. Alma teria sido morto a tiros e esquartejado.

Inquérito policial da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio) aponta que Alma atuava com agiotagem e que tinha um ‘parceiro' para o crime, pai do suspeito de seu assassinato. O homem acabou morrendo em 2020, quando o filho ganhou progressão de regime e teria passado a cobrar o dinheiro de ‘herança'.

Mesmo assim, o acusado ainda teria feito negócios com Alma e estaria devendo para ele, que seguia fazendo as cobranças e ameaças. Naquele dia 30 de novembro, momentos após o vídeo que mostra a última vez em que Alma foi visto, ele teria ido até a oficina do suspeito, em uma emboscada.

O homem, que segundo a polícia tem forte ligação com José Arantes, o ‘Tio Arantes' do PCC (Primeiro Comando da Capital) e também é faccionado, teria dito que pagaria parte da dívida. Naquele dia, Carlos foi até a oficina, estacionou a S10 na frente — na Avenida Gunter Hans — e entrou pelos fundos, como de costume.

Lá, encontrou o proprietário da oficina com os funcionários e um outro parceiro de ‘negócios', que ele inclusive já tinha abrigado em casa. Houve uma discussão e as apurações da polícia apontam que Alma foi morto com três tiros. Depois, teve o corpo esquartejado e levado para outro local. Um funcionário foi responsável pela limpeza da oficina, que passou por teste de luminol posteriormente.

Os funcionários da oficina teriam sido ameaçados e coagidos, para que não contassem nada sobre o ‘sumiço' de alma. Um dos funcionários do ‘mandante' do crime guardou a camionete de Carlos Reis nos fundos da oficina, para não levantar suspeita. Após a morte, um outro rapaz teria chegado ao local.

Ele também foi ameaçado para que não contasse nada e orientado a retirar os carros de Alma de um depósito. A Polícia Civil chegou até o rapaz, que foi preso na época. Ele teria alegado que tinha negociado os carros, mas estava bastante nervoso e choroso durante a prisão, o que ficou esclarecido, já que tinha sido ameaçado de morte e esquartejamento pelos integrantes do PCC.

No final de janeiro, foram feitos pedidos de prisões temporárias de 6 pessoas, além de mais de 10 mandados de busca e apreensão. Todos foram deferidos, mas a princípio apenas um dos envolvidos foi localizado e preso.

Apontado como mandante do crime e o comparsa, os integrantes da facção criminosa foram abordados e detidos em em 4 de dezembro, dias após o ‘desaparecimento' de Alma. Eles ainda confessaram que tinham dívidas, mas negaram participação no desaparecimento.

No dia, eles foram detidos em um carro, na região das Moreninhas, sob suspeita que estavam fugindo da cidade. A Polícia Civil aponta inclusive que a esposa do suposto mandante do crime é advogada e que atua para Tio Arantes, do PCC. As investigações ainda concluem que ela estaria ajudando o marido, tanto para fuga quanto para ocultação de provas.