‘Jamais irei abandonar’: Mulheres que tiveram filhos presos em MS contam histórias de amor materno

Mães acompanham e aguardam dia de poderem ver os filhos livres
| 08/05/2022
- 09:55
‘Jamais irei abandonar’: Mulheres que tiveram filhos presos em MS contam histórias de amor materno
(Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Tráfico de drogas e roubo majorado, crimes que fizeram mães de Campo Grande verem seus filhos serem presos e colocados atrás das grades. Mesmo assim, com o amor colocado à prova, não abandonaram, acreditam na mudança e seguem com a esperança de poderem vê-los em liberdade.

Na primeira visita ao presídio, a frase: “Sabia que a senhora não ia me abandonar”, foi assim que a mãe de 42 anos foi recebida pelo filho, hoje com 25 anos. Preso em flagrante por tráfico de drogas no dia 7 de junho de 2019, como lembra bem a mãe, ele se emocionou e chorou ao saber que ela não o deixaria passar por isso sozinho.

Ao Midiamax, ela contou que o filho começou a usar drogas na adolescência. Ela se casou quando o jovem tinha 18 anos e ele não teria gostado, então decidiu sair da casa para morar com a avó materna. Aos 19 anos, começou a namorar, engravidou uma mulher e foi morar com ela, mas o relacionamento era conturbado.

Naquele dia 7 de junho de 2019, o rapaz saiu com um colega para comprar ‘paradinhas’ no Parque do Lageado. “Acho que a polícia já estava de olho. Quando a viatura veio, ele correu para dentro de casa”, lembra a mãe. O jovem acabou preso em flagrante naquele dia, e foi acusado pelo ‘amigo’ de ser o responsável pela droga.

Na audiência de custódia, a prisão preventiva e, depois, a condenação a 6 anos e 7 meses. “No dia em que foi condenado chorei muito, a gente não cria filho pra usar droga. Minha vida parou”, contou a mãe que todos os finais de semana cozinhava e ia ao Presídio de para visitar o filho.

O rapaz teve progressão do regime e foi para o Presídio da Gameleira. Na pandemia, acabou se evadindo. “Ele estava doente e eu prezei pela saúde dele”, disse a mãe, que viu o filho desenvolver problemas psicológicos. No entanto, ele acabou recapturado, trabalhando em uma oficina, voltou para a Máxima, mas, agora, já cumpre o regime aberto.

“Foram anos muito difíceis”, lembra a mãe. “Jamais abandonaria ele. Tenho orientado até hoje. Não abandono ele não”, afirmou. Ela ainda relatou que o filho, para que o que passou, não se repita. “Sou mãe, mas também cobro. Se errar de novo pra mim é burrice, não aceito reincidência. Falo para ele: zela pela sua liberdade, a liberdade da gente ninguém tira”.

Chegou a dizer que não visitaria

Tem mães que falam: ‘se meu filho cair, não vou pôr o pé lá’. É um ser que saiu de dentro de você, por mais errado que tenha sido, acho que isso vai ser uma escola para eles. Se você ver que vale a pena, a gente é mãe, não abandona, fique do lado, dê conselhos porque o filho ele nunca cresce pra gente, sempre vai ser um bebê e não me imagino sem os meus filhos”, desabafou.

A mãe chegou a confessar que, quando o filho foi preso, disse também que não iria ao presídio. Mesmo assim, foi até lá, levou os pertences do filho, quando o viu chorar e dizer: “Sabia que a senhora não ia me abandonar”.

Amor incondicional

Com 54 anos, outra mãe contou sua história ao Midiamax. O filho, hoje com 26 anos, foi preso há 1 ano e 9 meses em uma cidade do interior, por roubo majorado. “Meu mundo foi desmoronado. Dali pra cá começou meu dilema de mãe. Meu filho é a razão do meu viver, vivo por ele”, contou sobre como se sentiu ao saber da prisão.

“Nunca irei soltar sua mão, sempre estou aqui para tudo”, disse em recado ao filho. Também moradora em Campo Grande, ela chegou a lembrar a tristeza de não ter mais o filho ao lado. “Desde que ele foi preso não existe mais para mim data comemorativa. Sempre sinto a falta dele”. Ela complementa: “Amor de mãe por um filho nunca acaba, pode ser o que passar”.

Para ela, a prisão também foi um aprendizado para o filho. “Acabou tornando nosso amor de mãe e filho ainda mais forte”, disse. Hoje, o rapaz cumpre pena no regime semiaberto e já está trabalhando. A mãe lembra que, nos primeiros 1 ano e 4 meses o filho esteve na Máxima, quando ela ia uma vez por mês visitar, levar os pertences e passava o dia com ele.

O amor incondicional não deixou a mulher desistir. “Sou aposentada e faço uns três bicos de faxina ainda para ele não passar necessidade. Tenho outra filha, sempre fui pai e mãe, sozinha. Sou separada há 18 anos e nunca deixei faltar nada para eles, meus filhos são a razão da minha vida”, contou.

Em recado para outras mães que passam pela mesma situação, ela disse: “Que nunca abandonem seus filhos nessa situação. É quando mais eles precisam de nossa ajuda, do nosso amor”.

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