Acusado de sequestrar mulher e exigir R$ 50 mil de resgate em Campo Grande é absolvido

Juiz não viu provas dos crimes de roubo ou sequestro
| 23/02/2022
- 18:29
Arma apreendida resultou em condenação
Arma apreendida resultou em condenação - (Arquivo, Midiamax)

Claudinei dos Santos de Oliveira, o ‘Magrão’, de 29 anos, foi absolvido do sequestro de uma mulher ocorrido em setembro de 2021, na região do Itanhangá Park, em Campo Grande. Ele também foi absolvido do , mas condenado pelo porte ilegal de arma de fogo, crime pelo qual cumprirá regime fechado.

Conforme a sentença do juiz Marcio Alexandre Wust, da 6ª Vara Criminal, não foram identificadas provas do sequestro ou mesmo do roubo, apesar da confissão do réu. Já pelo porte de arma ele foi condenado a 2 anos e 11 meses em regime fechado. Na peça, o magistrado pontua todos os itens dos quais não foram produzidas provas.

Entre eles estão os fatos de que a vítima foi vedada e sequestrada, que foi amarrada, que foi feita ligação para o marido, exigindo R$ 50 mil pelo . Também não há provas do pagamento de R$ 18 mil e a entrega de um Rolex, nem que um terceiro participou da ação e recebeu os valores.

O juiz ainda pontuou falta de provas de fuga dos suspeitos, entre todos os outros fatos noticiados na época e relatados pela vítima. O magistrado chega a apontar que a única coisa que existe é a confissão de Claudinei, mas que não foi corroborada com outra prova. Na decisão ainda é relatado que não existem provas do roubo dos pertences ou do veículo da vítima.

Aliança na mão do sequestrador

A única peça citada pelo juiz, que foi apreendida, é a aliança encontrada na mão de João Vitor Rodrigues da Silva, de 20 anos, morto em confronto com a polícia durante as investigações. O confronto aconteceu no Residencial Betaville, em uma casa em que João tentou se esconder.

Segundo o delegado João Paulo Sartori, do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Assaltos e Sequestros), após a morte de João Vitor, foi constatado que ele usava em um dos dedos a aliança da vítima do sequestro.

Ainda de acordo com a polícia, equipes do Batalhão de Choque e Garras foram ao local onde João Vitor estaria escondido. João Vitor reagiu à abordagem policial e foi ferido. Ele ainda foi socorrido para a Santa Casa, mas não resistiu. Em entrevista coletiva, o delegado ainda esclareceu que os criminosos viram a vítima, de 50 anos, em uma padaria.

Ela usava joias e isso acabou despertando o interesse dos bandidos, sendo que dois a seguiram até a casa em um Uno azul. Já na residência, invadiram pela garagem e fizeram a família refém. A mulher e a filha de 21 anos que estava com ela no carro foram rendidas e levadas até o quarto, onde estava o marido, de 61 anos.

A todo momento os bandidos faziam ameaças, até que desconfiaram que havia guarda de rua e sequestraram a mulher, no carro dela, um Audi Q3.

Queriam ‘levantar’ dinheiro

Primeiro identificado e preso, Claudinei disse em depoimento no Garras que foi convidado pelo comparsa para ir à festa do avô dele. No caminho, o suspeito teve a ideia de ‘levantar’ dinheiro, cometendo um roubo.

Os bandidos viram as vítimas no carro e as seguiram. Assim que o carro parou na garagem, Claudinei entrou junto e anunciou o roubo, rendendo a família. O comparsa ficou do lado de fora e avisou ao criminoso que o vigilante da rua passou desconfiado. Assim, a dupla resolveu roubar objetos da casa e levar a moradora como refém.

A vítima foi levada para um cativeiro, atrás do Itamaracá, um imóvel que estava em nome de João Vitor. Lá os criminosos tiveram ideia de pedir resgate ao marido dela. De início, pediram o valor de R$ 50 mil, mas o homem disse que não conseguiria sacar o dinheiro e conseguiu negociar.

O marido da vítima sequestrada conseguiu sacar R$ 18 mil, combinou o local com os bandidos e entregou o dinheiro e ainda um relógio Rolex. A todo momento os bandidos ameaçavam a família. Segundo o marido da vítima, foram entre 15 e 20 ligações feitas para ele e os suspeitos diziam que atirariam na cabeça da mulher, caso ele acionasse a polícia.

A refém foi colocada no carro e liberada nas imediações do macroanel. Os bandidos ainda foram para a festa, para não levantar suspeitas. Depois, Claudinei disse que ficou andando a pé pela região, já que sabia que a polícia estava à procura dele. Claudinei foi preso em um bar, depois de tentar esconder o carro usado no crime. Ele contratou um serviço de guincho e fez ameaças à ex-mulher para que ela o ajudasse.

Veja também

Últimas notícias