Os deslocamentos de policiais às vésperas das eleições podem ter motivação eleitoral, segundo reclamações de membros da tropa. Mais de dois mil policiais foram enviados pelo Comando Geral para locais onde não poderão votar.

Os deslocamentos de policiais às vésperas das eleições podem ter motivação eleitoral, segundo reclamações de membros da tropa. A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar confirma que tem recebido denúncias sobre a suposta mobilização de homens para locais onde não poderão votar amanhã (3).
 
O vice-presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militar de MS, Cláudio Souza, conta que a entidade tem recebido inúmeras denúncias. “Muitos policiais veem um possível golpe eleitoral na saída deles para o interior”. A Polícia Militar confirmou que 2.100 policiais serão deslocados dos locais onde votam para fazer a segurança de cidades do interior do estado.
 
“Nós temos recebido muitas reclamações da tropa há mais de duas semanas. Muitos acreditam que essa medida é para o policial não poder votar. O que a gente nota é que a maioria dos servidores públicos não vota no governo, então a desconfiança tem fundamento”, analisa Cláudio.
 
O dirigente acredita que deve existir um reforço nas tropas do interior, porém acha que dois mil homens é um exagero. 
Um soldado de 47 anos confirmou a reclamação de parte dos servidores. Há mais de 20 anos na tropa, o policial confirmou que não vai ter como votar.
 
“Em Campo Grande mesmo foi feito um documento justificando que não poderemos votar porque vamos estar trabalhando”, contou. O soldado mora em Campo Grande e passará as eleições a mais de 400 km de casa, em uma cidade do interior do estado.
 
O comandante-geral da PM, Coronel Carlos Alberto David dos Santos se mostrou contrariado com as suspeitas. “Não tem como provar! Eu não vou me pronunciar sobre suspeitas sem cabimento”, esquivou-se.
 
O vice-presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Cláudio Souza, ainda afirmou que as remoções temporárias desagradam a tropa. “Muitos queriam votar ou mesmo ficar com a família, mas não temos como provar nada, isso é coisa para o Tribunal de Justiça e para o Tribunal Regional Eleitoral investigar”, completa.
 
Além dos 2,1 mil soldados que vão para o interior, 1,5 mil permanecem para fazer a segurança da capital.