Talentosa desde criança, Nancy é ilustradora de livros e revela importância de dar ‘cor’ à literatura

Ilustradora em Campo Grande, Nancy contou sobre sua trajetória e como faz para se inspirar na hora executar suas obras de arte
| 25/06/2022
- 08:00
Ilustradora Nancy Olvieria
Nancy é ilustradora e usa dom para dar 'cor' a literatura (Foto: Arquivo pessoal/ Midiamax)

Natural de Campo Grande, Nancy Angélica Costa de Oliveira, de 55 anos, sempre teve um olhar aguçado pela arte e suas belezas. Mas, apesar de lindo e poético o mundo artístico, a ilustradora contou que nem sempre foi assim em sua trajetória. Porém, mesmo com os desafios enfrentados na carreira, Nancy nunca desistiu de dar 'cor' à literatura.

Formada em Artes Visuais e Comunicação Social pela (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Nancy revelou ao MidiaMais que seu interesse pela arte surgiu desde pequena devido ao incentivo da mãe e tia:

"Na minha casa tinha uma parede que eu usava para desenhar com giz na época. E a outra pessoa que me incentivou muito, além da minha mãe, foi minha tia que é professora, mas hoje é aposentada. Então, essas duas figuras maternas sempre aguçaram a arte e a imaginação em mim’’, disse.

Com a certeza de que seguiria carreira na área de humanas, decidiu cursar Artes Visuais enquanto ainda cursava o Ensino Médio. No entanto, mesmo com tanta convicção, ela temia pelo julgamento de seus familiares e amigos.

‘’Decidi fazer Artes no ensino médio, e sempre fui de humanas. Esse foi um caminho que fui traçando. Quando fiz vestibular, eu não contei para ninguém que queria fazer Arte. Então, quando fui fazer a prova eu menti, disse que ia fazer biologia’’, recorda a ilustradora enquanto dava boas risadas com a lembrança do momento.

Primeiro trabalho como ilustradora

Apesar das dificuldades e julgamentos enfrentados ao longo de sua carreira, Nancy persistiu e, em 2003, fez sua primeira ilustração no livro ''A menina passarinha'', de Diane Valdez.

conta a história de uma menina que nasceu embalada pela música em uma terra cheia de sons nascidas da natureza. Quando criança, a menina imitava aves, inventava sons e brincava com as notas musicais. No livro, é possível conhecer um pouco da história da jovem pantaneira que, agora uma cantora reconhecida, continua brincando com os sons e levando sua voz para todos os cantos.

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Ilustração do livro ''A menina passarinha'' (Foto: Arquivo pessoal/ Midiamax)

Muito mais do que só uma ilustração

Além dos desafios e complexidades da área, Nancy explicou ao MidiaMais que suas ilustrações não são apenas 'desenhos bonitos', pois todas carregam significados e histórias. A ilustradora explicou também sobre a responsabilidade de pintar algo que passa por várias mãos e, muitas vezes, tem um alcance além do esperado.

‘’Quando fui convidada para fazer esse trabalho da 'Menina passarinha', foi um grande desafio porque é a história de uma menina real que faz parte da nossa cultura e das músicas sul-mato-grossenses. Aí comecei a pensar nisso de que o livro vai passar por várias mãos, ou seja, eu posso transportar a ideia da obra de arte para o livro porque ele vai ter outro alcance. Foi quando eu comecei a amadurecer mais essa iniciativa de buscar ilustrações’’, afirmou.

A partir disso, a entrevistada conta que se aprofundou nas pesquisas de campo antes de realizar as ilustrações. Então, no caso do livro ''A menina passarinha'', passou a observar e fotografar as belezas da natureza, como os pássaros que cercavam o seu bairro. Por meio desse caminho, Nancy passou a estimular ainda mais seu olhar durante sua carreira.

''Cada ilustração é um novo desafio''

Com o olhar mais aguçado sobre a arte e no trabalho da segunda ilustração, Nancy encontrou novos desafios com uma proposta de pintura completamente diferente da que fizera anteriormente. Apesar de ativista na área de enfrentamento sexual de crianças e adolescentes, a mulher se viu em um novo obstáculo quando recebeu o convite para fazer a capa do livro ''Infâncias Escoadas''.

Isso porque o trabalho conta com várias organizações e redes, visando realizar incidência política de modo que o Brasil se comprometa e construa uma política para a infância e adolescência, tendo o enfrentamento dessa grave violação de direito como uma das prioridades.

Embora a proposta do livro e dos textos ser um pouco mais ''pesada'' como ela mesma descreveu, Nancy explicou que a capa é ''leve e lúdica'' e é exatamente isso que a ilustradora busca em suas pinturas: tornar a leitura mais delicada e graciosa.

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Ilustração do livro ''Infâncias Escoadas'' (Foto: Arquivo pessoal/ Midiamax)

Terceira ilustração em livro

Sua terceira ilustração será no livro 'Kuanna', da autora Joana Matos, previsto para ser lançado neste sábado (25) na Rua Nortelândia, 613, em Campo Grande. O livro conta a história de uma criança indígena que faz um passeio na floresta com a mãe, trazendo contrapontos sobre fauna, flora e preservação da floresta.

Dessa vez, o desafio na hora de criar a ilustração foi outro. Pelo fato da personagem ser uma criança indígena que não possui etnia específica, mas que é da região amazônica, Nancy explica que tentou não se apegar a traços específicos.

''Fui tentando criar a imagem de uma criança indígena sem colocar traços específicos, mas enquanto pesquisava, fui fazendo uma composição. Tenho a preocupação com as pinturas, porque por mais que seja um desenho, tenho que buscar elementos reais'' afirma.

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Ilustração do livro ''Kuanna'' (Foto: Arquivo pessoal/ Midiamax)

Metamorfose ambulante

De produção de telas à exposição e pinturas sobre os patrimônios históricos de Campo Grande, Nancy afirma que busca sempre mudar e evoluir. Após passar por todas — ou quase todas — áreas da arte, ela sempre deseja algo novo. Agora, por exemplo, comprou uma mesa digitalizadora e contou sua empolgação para explorar uma nova área.

''Eu falo de evolução sempre, é a forma que eu encontro de mudar. Agora quero aprender a usar a mesa digitalizadora, comprei a mesa para fazer desenho digital, eu ainda não fiz, mas é outra linguagem que eu quero e vou conhecer'', conclui, orgulhosa da sua trajetória.

*Com supervisão de Nathália Rabelo


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