Taxistas de Campo Grande estão denunciando suas cooperativas de proibirem o uso do aplicativo de celular Easy Taxi, que facilita a comunicação diretamente com o cliente, descartando o intermédio da empresa.

Na Capital hoje atuam aproximadamente 1.200 profissionais de táxi. O principal meio de chamada para o serviço é o telefone, em que o usuário faz contato para uma das centrais de rádio. O tempo de espera médio entre o pedido e a chegada do carro é de 12 minutos, segundo dados do Sindicato dos Taxistas de Campo Grande.  

Com o aplicativo que pode ser baixado em celulares de tecnologia iOS, Android, Windows Phone e Blackberry, o taxista pode ir direto para a corrida enquanto não é contactado pela empresa e assim ampliar seus ganhos.

“E é por isso que a quase ‘máfia’ não querem. Os chefes querem manter o domínio e o lucro sempre”, ressaltou um taxista que preferiu não se identificar.

Segundo o chefe executivo e um dos fundadores da Easy Taxi, Tallis Gomes, a proibição é completamente inconstitucional. “O brasileiro tem o direito de ir e vir e o que estão fazendo é retirar este direito. O taxista gastou seu próprio dinheiro para adquirir seu celular para baixar o aplicativo e a rádio-táxi, que geralmente já cobra taxas abusivas do trabalhador, bloqueia ele de complementar a sua renda”, criticou.

Além disso, a empresa recebeu inúmeras denúncias de campo-grandenses dizendo que seus chefes afirmam que o aplicativo atrapalha o uso do GPS. “Ainda estão caluniando nossa empresa, falando que causa problemas. Isso na verdade é um mecanismo protecionista para manter o domínio para o mercado e a população fica ver navios também”, ressaltou Tallis.

Lançada em abril de 2012, a Easy Taxi, pioneira no serviço móvel de chamada de táxi na América Latina, atua hoje em 24 países, 92 cidades, sendo 37 delas no Brasil e é considerado o maior aplicativo de serviços mobile do mundo e já registrou 4 milhões de downloads.

O outro lado

Presidente de uma cooperativa de táxi, a Coopertaxi, Flávio Panissa explica a versão dos empresários sobre a restrição do aplicativo. “A intenção da cooperativa é trabalhar em grupo e dar lucro ao grupo, baseado em rateio. Então, como vamos fortalecer com algo que não é do interesse coletivo do grupo? Vamos ficar assumindo um risco de uma empresa que não a nossa? Não tem sentido”, afirmou o dirigente que deseja dos seus cooperados a priorização do aplicativo da própria cooperativa, o Coopertaxi MS.

Panissa confirmou que baseado no estatuto da empresa foi bloqueado o Easy Taxi para os associados. “Se eles querem baixar que utilizem uma frota própria e não a nossa. Já cobramos um valor simbólico do permissionário, somos regulamentados, pagamos impostos para a prefeitura, temos segurança jurídica em caso de processos, não cobramos nada de taxista auxiliar, então não tem porque privilegiar empresa de fora se o objetivo é fortalecer o próprio parceiro da empresa”, concluiu.