Em discurso nesta quarta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu uma nova política externa americana, baseada em “ação coletiva” com aliados externos.

Sob críticas por sua política externa – considerada fraca -, Obama afirmou a formandos da academia militar de West Point (Nova York) que quer que os Estados Unidos sigam sendo líderes, mas evitando “erros custosos” do passado ou novas intervenções militares.

O presidente também anunciou um fundo de US$ 5 bilhões para combater o extremismo e prometeu que os EUA “não devem criar mais inimigos do que os que derrotamos no campo de batalha”.

A correspondente da BBC em Washington Katty Kay explica que o discurso desta quarta reflete a confusão interna de um país que está cansado de promover intervenções militares, mas que ainda gosta da ideia de ser o líder global.

Obama focou sua fala na ação internacional liderada pelos EUA – esforços diplomáticos para dialogar com o Irã e para reunir apoio contra a Rússia na questão ucraniana -, apesar dos desfechos ainda incertos nessas frentes.

Quanto ao momento mais delicado de sua política externa recente – a guerra civil síria -, Obama defendeu sua decisão de não intervir militarmente no país árabe, argumentando que nenhuma solução militar pode acabar com o sofrimentoda população local.

Mas afirmou que vai trabalhar com o Congresso americano para aumentar o apoio aos rebeldes, em oposição ao presidente Bashar al-Assad, e a países vizinhos, como Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque.

Irã, Ucrânia e Afeganistão

O discurso também elogiou progressos com o Irã e a Ucrânia como êxitos de sua política – afirmando que a liderança americana ajudou a trazer Teerã à mesa de negociações sobre seu programa nuclear e a congregar a opinião pública global contra a Rússia na crise ucraniana.

A fala é uma reação a críticas de muitos republicanos, para quem a política externa atual cria um vácuo de poder global e não tem objetivos claros.

“Céticos muitas vezes menosprezam a eficiência da ação multilateral. Para eles, trabalhar via instituições internacionais ou respeitar a lei internacional é um sinal de fraqueza. Para mim eles estão errados”, afirmou Obama.

Além disso, argumentou o presidente, o fim da missão de combate no Afeganistão, previsto para 2016 – conforme anúncio de Obama na terça-feira – liberaria recursos para combater ameaças extremistas em outras partes do mundo – daí a criação de um “fundo de parceria contra o terrorismo”, com US$ 5 bilhões.

O dinheiro serviria para, por exemplo, treinar tropas no Iêmen, apoiar uma força multinacional de paz na Somália ou, em parceria com países europeus, ajudar a criar uma força de segurança efetiva em países como Líbia e Mali.

Seu discurso foi uma tentativa de promover a política externa americana como uma que use a força militar se necessário, mas que primeiro busque o consenso internacional.

“Devemos ampliar nossas ferramentas para incluir a diplomacia e o desenvolvimento; sanções e isolamento; recorrer à lei internacional e – se for justo, necessário e efetivo – à ação militar multilateral”, declarou Obama.

“Devemos fazer isso porque a ação coletiva tem mais chance de sucesso nessas circunstâncias, e menos chance de nos levar a erros custosos”.

Segundo ele, a estratégia de “invadir qualquer país que abrigue redes terroristas é ingênua e insustentável”. Quanto ao polêmico uso de aviões não-tripulados (drones), Obama afirmou que eles continuarão em ação, mas com “mais transparência”.

Disse ainda que continuará a pressionar pelo fechamento da prisão de Guantánamo – promessa de seu primeiro mandato, mas nunca cumprida – e que “a influência americana é sempre mais forte quando lideramos com nossos exemplos”.

A fala desta quarta marca o início de uma série de discursos de Obama sobre política externa nos próximos dez dias, em uma tentativa de rebater as críticas.