O zagueiro Álvaro, capitão do Bragantino, se mostrou contrariado por ter sido cortado da equipe na última rodada da Série B, contra o Figueirense, neste sábado, e insinuou uma possível manipulação de resultado que envolveria Marquinho Chedid, presidente do clube paulista, e o clube catarinense.

Uma vitória do Figueirense na partida, marcada para Bragança Paulista, garantiria o acesso da equipe de Florianópolis à Série A do Campeonato Brasileiro – Ceará e Icasa também lutam pela vaga. O Bragantino é o 12º colocado e apenas cumpre tabela no jogo final.

Em entrevista à rádio Futebol Interior, Álvaro diz que foi sacado “sem motivo” da partida, ao lado dos também titulares Magno Cruz, Cesinha e Lincorn. O goleiro Rafael Defendi é outro que deve ficar de fora.

“Na verdade, eu tenho vontade de jogar e vou brigar por isso. Mas não sou dono do Bragantino. O presidente criou uma situação de tirar seis jogadores que eram titulares absolutos do time e a gente não sabe o motivo. Podemos deduzir”, indicou.

Na quinta-feira, o Bragantino divulgou nota afirmando que Álvaro e Lincorn foram poupados do treino para tratar “lesões antigas”. O zagueiro disse que não tem nenhum problema físico que o impeça de jogar.

“Tenho condição absoluta de jogar, mas o presidente me decidiu dar férias. E por que o presidente me deu férias no último jogo importante de uma competição? Não sei explicar, isso deveria ser perguntado a ele. Na verdade, todos nós sabemos o que está acontecendo, mas para ter certeza é preciso ter provas.”

Segundo o jogador, a partida seria importante do ponto de vista pessoal. “Eu queria jogar, queria ganhar esse jogo, ele vai passar na TV Bandeirantes. Tinha um objetivo pessoal de jogar 42 jogos durante o ano, sou o capitão da equipe”, disse Álvaro.

Outro lado

Em contato com o UOL Esporte, Marquinho Chedid afirmou que o jogador tem contrato até este sábado, o que motivou a ausência de Álvaro na partida.

Em entrevista à rádio Transamérica, o presidente do Bragantino afirmou que Álvaro “não pode falar dessa maneira. Ele não tem respeito pelos reservas dele.”

“Deixa os jogadores jogarem, mostrarem o potencial deles. Estão desmerecendo os pobres atletas. O Bragantino ganha amanhã, e aí, como que fica? Os atletas que vão jogar precisam de respeito, têm família, dignidade, estão treinando. É fácil uma pessoa vir e jogar assim, machucar inúmeras pessoas.”

Marquinho Chedid também indicou que Álvaro e outros jogadores teriam conversado com profissionais do Ceará e do Icasa – clubes interessados no resultado de Bragantino x Figueirense por também terem chances de subir – para combinar algum tipo de premiação caso o time paulista vencesse o catarinense.

“O presidente do Ceará [Evandro Sá Barreto Leitão] esteve aqui em Bragança dois dias atrás e almoçou com três jogadores, inclusive com o Álvaro”, revelou Chedid. “O Álvaro também é amigo pessoal do técnico, Sidney Moraes, do Icasa. Ele queria garantir um Natal gordo pra família, por isso queria tanto jogar.”