Parece que a política acontece de pai para filho. Assim como nos negócios, os filhos se espelham nos pais e acabam seguindo o mesmo caminho. Em todo o Brasil é notado vários exemplos de homens públicos que montam uma carreira política e a entregam o ‘ofício’ ao filho como herança. Isso não é um fato novo e ocorre no Brasil desde os tempos coloniais.

Em Mato Grosso do Sul temos vários exemplos de políticos pais que passam a herança para os filhos.

O exemplo maior está à família Trad com o patriarca Nelson Trad que passou a herança para seus três filhos: prefeito Nelson Trad Filho, deputado estadual Marquinhos Trad, e deputado federal Fábio Trad, todos peemedebistas.

O prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, disse que Nelson Trad sempre foi um bom pai e uma referência em sua vida.

“Quando era pequeno eu me lembro de uma cena na época da revolução de 64 quando meu pai foi perseguido e levado de casa. Na época ele até perdeu seus direitos políticos. Meu pai era vice-prefeito e nem pode concluir o mandato. Nem no Comercial [time de futebol] que é sua paixão ele conseguiu voltar. A partir desse episódio que eu quis ser político”, comenta o prefeito.

Questionado se essa herança patriarcal tocou seus filhos, Nelsinho explica que os dois filhos dele não têm paixão por política que ele e os irmãos nutrem. “Eles [filhos] não têm interesses, pois  sofreram com a minha ausência por causa da política. Ai, eles não querem essa vida”, justifica.

Temos também como exemplo forte a vice-governadora Simone Tebet (PMDB) que resolveu entrar no meio político por meio do pai o senador Ramez Tebet, que morreu em  em novembro de 2006.

A vice-governadora disse que se inspirou em ser política pela influência que teve do seu pai. Ela já até disse que seu sonho é terminar os projetos do seu pai.

Simone é cotada para disputar o governo do Estado em 2014, mas já avisou que gostaria de ser senadora para honrar a memória do seu pai que não conseguiu terminar o último mandato no Senado Federal.

Outro exemplo que sustenta que a política pode surgir por meio da genética é o caso da vereadora Graziela Machado (PMDB), filha do deputado decano da Assembleia, Londres Machado, que está seguindo os passos do pai e já é vereadora por dois mandatos em Campo Grande.

O cientista político José Pennafort explica que as chamadas oligarquias espalhadas pelo país não são um privilégio brasileiro, mas um fenômeno típico de repúblicas em que o político é mais importante que a bandeira ideológica de seu partido.

Ele comenta que quando o voto é nominal fica mais fácil para transferir o prestígio pelo sobrenome e assim perpetuar o poder na família.