O ex-inspetor da Receita Federal de Corumbá, Paulo Eduardo Borges, foi denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) por fraude na contratação de elaboração de projetos para reforma e construção de prédios da Receita no município. A denúncia foi feita com base na Lei n° 8.666/93, que prevê pena de detenção de três a cinco anos e multa.

Borges já havia sido preso em 2009, durante a Operação Vulcano, da Polícia Federal. Na ocasião, ele era delegado da Receita Federal de Cuiabá (MT). O então delegado havia sido preso acusado de integrar um esquema que desviava para o mercado interno produtos destinados à exportação, como pneus, insumos para a produção de cerveja e derivados de petróleo.

Segundo informações da assessoria do MPF, uma denúncia apontou indícios de fraude em uma concorrência para realização de reformas no Posto Esdras e no prédio da Inspetoria, além da construção do Departamento de Mercadorias.

Investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal revelou fraude e direcionamento na contratação de profissional para a elaboração do projeto básico dessas obras. As três propostas juntadas ao procedimento foram elaboradas pelo mesmo engenheiro, para favorecer a sua empresa. Perícia revelou que elas foram impressas no mesmo equipamento.

Ainda conforme o MPF, oficialmente, a Receita Federal pagou R$ 14.300,00 ao engenheiro pela elaboração do projeto. Além desse valor, ele teria recebido ilicitamente R$ 35 mil. Com a fraude, o valor dos serviços contratados teria alcançado R$ 49.300,00, mais que o triplo do valor limite para a dispensa de licitação em obras e serviços de engenharia, estabelecido por lei.

Além desse valor, o engenheiro recebeu remuneração mensal como fiscal de obras contratado, função que exerceu por três meses, até ser desligado pelo ex-inspetor.

Superfaturamento

O projeto básico estimava o custo total da obra em mais de 11 milhões de reais. A empresa vencedora da licitação apresentou os seguintes valores para execução dos três itens da obra: Posto Esdras, estimado em R$ 6.496.763,45; reforma do prédio da Inspetoria, com o custo de R$ 1.116.130,39, e construção do departamento de mercadorias, que ficaria em R$ 1.499.818,50. As obras já foram realizadas.

Em depoimento, o engenheiro afirmou ter adulterado o quantitativo de materiais e de área construída das obras para atingir o valor solicitado pelo ex-inspetor, que seria de 14 milhões de reais. Segundo ele, não era possível alterar os valores unitários dos materiais, porque seriam facilmente detectáveis.

O MPF requisitou instauração de inquérito policial para apurar a suspeita de superfaturamento de cerca de dois milhões de reais no contrato de execução das obras. (Com informações da assessoria de imprensa do MPF)