A cidade de Concepción, no Paraguai, a cerca de 216 km da fronteira com Mato Grosso do Sul, deverá ter uma unidade de fábrica de celulose, a primeira do país. O investimento é da Paracel, empresa de nacionalidade paraguaia que atua no ramo.

A expectativa era que o primeiro contrato de entrega de celulose paraguaia ocorresse já em 2027, tendo o mercado europeu como cliente. Contudo, a empresa deverá enfrentar atrasos significativos.

Isso porque a emissão de título públicos para financiamento da fábrica deve atrasar o início das obras, após o MIC (Ministério da Indústria e Comércio) paraguaio adiar a concessão.

A decisão foi tomada com base no parecer de investidores acerca do empréstimo – a estimativa é de que aproximadamente US$ 3 bilhões sejam usados para a construção da primeira fábrica de celulose do país.

O maior temor é pelas taxas de juros nos Estados Unidos, que causariam alto endividamento internacional. Com isso, a decisão dos investidores foi por ter cautela e aguardar queda dos juros, conforme relatou o Portal da Celulose.

Segundo declaração de Latifi Chelala, gerente de Comunicação e Sustentabilidade da Paracel ao Portal da Celulose, a demora na concessão do investimento estaria relacionada à recessão no mercado financeiro e afetaria apenas a construção do canteiro da fábrica, “mas nenhum outro processo da Paracel como empresa é afetado”.

1,5 milhão de toneladas de celulose por ano

Em 2021, quando foi anunciada, a fábrica da Paracel foi prevista para ter capacidade inicial de produzir até 1,5 milhão de toneladas por ano de celulose branqueada de eucalipto. Além da fábrica, a corporação contará com área de 180 mil hectares para o plantio de 140 milhões de eucaliptos, que refletiriam investimento aproximado de US$ 4 bilhões.

Enquanto as obras da fábrica não têm início, a Paracel deverá seguir com o desenvolvimento florestal da companhia. Atualmente, a empresa paraguaia dispõe de florestas de eucalipto nos departamentos de Concepción e Amambay – este, vizinho a MS, atualmente, um dos celeiros da celulose no Brasil.

A empresa afirma que a nova fábrica será construída “com mais altos padrões de sustentabilidade global”, além de ser uma das produtoras de celulose mais competitivos do mundo, “dos quais quase 100% são adequados para o plantio, localizados a uma distância média de 130 km da fábrica”.

A Paracel relata, ainda, que a “planta foi projetada para ter uma capacidade de 1,8 milhões de toneladas de celulose Kraft de eucalipto branqueada (BHKP) por ano”, considerando diversos fatores ambientais e de infraestrutura, tais como regimes de chuvas na região, topografia plana, solos profundos, além de estradas e hidrovias.

Concorrência para MS

A primeira fábrica de celulose no Paraguai pode ser pedra no sapato para Mato Grosso do Sul? A depender dos números absolutos, a fábrica paraguaia pode ser apenas um relance.

Isso porque, além do atraso na construção da fábrica da Paracel, Mato Grosso do Sul já produz 5 milhões de toneladas de celulose por ano, segundo dados da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), ficando atrás apenas da Bahia, onde a produção alcança 5,5 milhões de toneladas anuais.

Contudo, o Estado deverá tornar-se ainda mais competitivo. Atualmente, com três fábricas – duas da Suzano e uma da Eldorado -, a produção de matéria-prima para papel deve dobrar em médio prazo, considerando a nova unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo, esperada para o ano que vem, e a unidade da chilena Arauco, prevista para ser implantada em Inocência em 2028.

Atualmente, celulose é um dos principais commodities de Mato Grosso do Sul. Em 2022, a expectativa do Governo de MS era de que, a longo prazo, os investimentos no setor resultem numa alta de aproximadamente 5% no PIB (Produto Interno Bruto) estadual, colocando MS na dianteira da celulose em todo o país.