Após operar majoritariamente em baixa pela manhã, quando rompeu pontualmente o piso de R$ 4,90 em meio o avanço das commodities e registrou mínima a R$ 4,8924, o à vista se firmou em terreno positivo à tarde, com o fortalecimento externo da moeda americana e a escalada das taxas dos Treasuries.

Nos momentos de maior estresse, a divisa chegou a operar acima de R$ 4,94, registrando máxima a R$ 4,9469 na última hora de negócios. No fim da sessão, o dólar à vista subia 0,67%, cotado a R$ 4,9399. Operadores observam que a liquidez no mercado futuro de câmbio foi moderada, o que sugere uma postura cautelosa dos investidores.

Com a agenda doméstica esvaziada e a aprovação da reforma tributária no Senado já refletida nos preços, as atenções estiveram voltadas para o comportamento da moeda americana lá fora e a curva de juros americana, em meio as apostas em torno dos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos). Houve nervosismo também com o resultado do leilão de US$ 24 bilhões de T-bonds de 30 anos, cuja demanda foi baixa.

Declarações duras do presidente do Fed, Jerome Powell, levaram bolsas em Nova York às mínimas e o índice DXY – que mede o desempenho do dólar em relação a seis divisas fortes – a renovar máximas, na casa dos 105,900 pontos. A moeda americana também subiu em relação a divisas emergentes e de países exportadores de commodities. Entre os pares do real, as maiores perdas ficaram com os pesos chileno e mexicano. O Banco Central do (Banxico) decidiu, por unanimidade, manter a taxa de juros em 11,25% ao ano.

Em evento do Fundo Monetário Internacional (FMI), Powell disse que não há confiança de que a taxa básica americana já atingiu nível suficientemente restritivo para levar a inflação à meta de 2% e que o Fed não hesitará em promover aperto adicional da política monetária. Trocando em miúdos, o ciclo de alta da taxa de juros ainda não terminou. Monitoramento da CME mostra que, após comentário de Powell, as chances de uma elevação dos Fed Funds subiram de cerca de 15% para perto de 20%.

“As declarações de Powell não agradaram e geraram um movimento brusco dos mercados em geral, aqui e lá fora. O euro, que estava em alta em relação ao dólar, acabou se enfraquecendo muito. Aqui, o dólar tinha oscilado para o lado negativo durante maior parte do pregão e, em segundos, ultrapassou os R$ 4,93”, afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Apesar de ter subido ontem e hoje, voltando a se aproximar de R$ 4,95, o dólar à vista ainda acumula queda de 2,01% em novembro e está distante do nível de fechamento de outubro (R$ 5,0414). Operadores observam que o fluxo comercial robusto e perspectiva de que não haverá aceleração do ritmo de cortes da taxa dão suporte à moeda brasileira.

À tarde, o BC informou que o fluxo cambial em outubro foi positivo em US$ 3,400 bilhões, graças à entrada liquida de US$ 4,099 bilhões via comércio exterior. Houve saídas líquidas de US$ 699 milhões pelo canal financeiro no mês passado. Na semana passada (entre 30 de outubro e 3 de novembro), o saldo total foi positivo em US$ 1,757 bilhão, com entradas líquidas de US$ 1,085 bilhão pelo comércio exterior e de US$ 672 milhões pelo canal financeiro.