Enquanto Mato Grosso do Sul enfrenta surto de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), agravado por aumento expressivo no número de mortes e escassez de leitos, quatro cidades do Estado se mantêm isoladas, sem nenhuma notificação da doença em 2023. 

Conforme balanço da SES (Secretaria Estadual de Saúde), Angélica, Inocência, e Sete Quedas são os únicos sem registro de SRAG. Enquanto isso, outros 75 municípios acumulam 2.615 pacientes hospitalizados em razão da doença, 135 deles com confirmação para o vírus da gripe.  

Em Sete Quedas, o prefeito Francisco Piroli afirma que o pronto atendimento aos pacientes e até um pouco de sorte explicam a condição favorável em que está a cidade. 

“Já tivemos casos gripais, mas nenhum chegou a ter gravidade. Estamos levando até sorte desse problema não ter chegado aqui. Para as famílias, a gente sempre recomenda que procurem o médico logo nos primeiros sintomas, assim, a gente consegue fazer um tratamento adequado logo no início”, pontua. 

Na cidade com 11 mil habitantes, três postos de saúde e um municipal fazem o atendimento da população. Para o prefeito, o tamanho da cidade é outro fator favorável ao setor de saúde. “A população é pequena e não existe muito entra e sai de gente. Com a população centralizada, a gente consegue atender melhor as demandas, diferente de alguns municípios onde morador espera dias por atendimento”, finaliza Piroli.

Em Inocência, o controle da população de 8,2 mil habitantes é ainda mais fácil. Segundo o prefeito, Antônio Ângelo Garcia dos Santos, por conta do pequeno porte, técnicos da Secretaria de Saúde conseguem até fazer busca ativa por casos suspeitos de síndrome gripal. 

“O pessoal vai até as casas, faz um trabalho com as crianças, justamente para não deixar a situação piorar. Em cidade pequena a gente não pode deixar a situação sair do controle porque depois fica difícil controlar”, avalia. 

Mais que o dobro de mortes

Último boletim epidemiológico da SES aponta que as mortes por em Mato Grosso do Sul mais que dobraram no período de uma semana, saindo de 6 para 14 vítimas, ou seja, crescimento de 133,33% em sete dias. 

Entre as recentes vítimas de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), um de quatro meses de Selvíria, que morreu em 26 de abril por complicações da variante H1N1. Ele não apresentava comorbidades.

O boletim também aponta que abril foi o mês mais mortal, concentrando 85% das mortes desde o início do ano, ou seja, 12 dos 14 óbitos ocorreram no mês passado. Além do bebê de Selvíria, uma menina de nove meses de Corumbá morreu em 1º de abril pela variante Influenza B.

Campo Grande é a cidade com mais vítimas (3), seguida por (2) e (2). Os homens representam 71,4% (10) das mortes, enquanto as mulheres registram 28,6% (4).

Caos na Saúde

Até o mês passado, todos os municípios de Mato Grosso do Sul operavam acima de 85% da capacidade dos leitos pediátricos, de acordo com a secretária-adjunta de Estado de Saúde, Christinne Maymone. Segundo ela, o Estado passa por nova onda de casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda), principalmente, com nova alta de pacientes confirmados com covid, que somam cerca de 50% dos casos.

A situação mais crítica é em Campo Grande que, contava diariamente com ao menos 50 crianças em estado grave na fila por um leito em hospital.