Pelo menos 50 crianças em estado grave aguardam vaga em hospital de Campo Grande. O número é diário e mostra o caos que a saúde pública vive devido a surto de doenças respiratórias, que atinge principalmente bebês recém-nascidos.

Em um único dia, o Jornal Midiamax recebeu cinco pedidos de ajuda de pais de bebês em estado grave e aguardando vaga em hospital. Em todos os casos, as crianças apresentam sintomas respiratórios graves, com necessidade urgente de hospitalização e até risco de morte.

O número de 50 crianças por dia aguardando vaga é da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), que explica que o número oscila diariamente, devido a abertura de vagas e transferências.

Em meio ao caos, que ainda inclui Upas superlotadas e relatos de horas e horas de espera por atendimento, a Sesau afirma que estuda a possibilidade de ampliação de leitos pediátricos e de abrir chamamento público para contratar na rede privada.

Porém, a Sesau relata que o caos na saúde em decorrência de surto de casos respiratórios, tem sobrecarregado também a rede privada, que chegou a pedir vaga para o município nesta semana.

O Jornal Midiamax tem acompanhado a superlotação de unidades de saúde públicas e privadas, que se agrava a cada dia com a complicação de casos em crianças.

Relato de pais expõem gravidade dos casos em crianças

As doenças respiratórias são responsáveis por praticamente todos os caos mais graves atuais, em Campo Grande. Somente nesta quinta-feira (30), o Jornal Midiamax mostrou o drama de duas crianças que aguardam vaga na Upa, sendo uma bebê de apenas 12 dias que respira com ajuda de oxigênio e aguarda vaga em hospital.

Na mesma Upa, um menino de três anos espera há cinco dias por um leito em hospital. Familiar afirma que o estado da criança é grave, com dificuldade para respirar e muita febre.

Também na Upa Leblon, uma bebê de 45 dias, está na mesma situação. Seu caso é grave, diagnóstico de bronquiolite e no prognóstico médico, diz que a paciente tem quadro potencial para evoluir para falência respiratória agúda e ventilação mecânica com risco de morte.

Em outro caso, um bebê de três meses, prematuro, também com bronquiolite precisa de vaga urgente em UTI. A mãe conta que ele está internado no São Lucas, onde não tem UTI para continuar atendendo seu filho.

No prontuário, médico descreve “situação caótica na pediatria, pacientes graves, dependendo de oxigênio e resgate”.

Pais descobriram pneumonia após liberação em Upa

O Jornal Midiamax também mostrou que um casal precisou recorrer à rede particular para internar a filha de um mês, também com dificuldade respiratória. Ela havia sido liberada da Upa Universitário, sem passar por raio-x e com alta médica.

Pai da menina, Alexandre da Silva Arruda conta que a bebê de poucos dias de vida apresentava respiração ofegante, acelerada e febre de quase 39°C, quando a levaram à UPA Universitário. Após três horas de espera, o médico que os atendeu solicitou apenas um exame de sangue.

“Ela disse que a bebê não tinha nada, que estava tudo normal. Mas como ela continuou ruim nós pegamos dinheiro emprestado e fomos em um médico particular”, conta o pai. No particular, o médico solicitou outros exames, entre eles um raio-x, que identificou que a menina estava com pneumonia.

Campo Grande enfrenta caos na saúde

Mato Grosso do Sul tem 1.396 pacientes hospitalizados em decorrência de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), são 170 a mais que há uma semana. As crianças seguem sendo as mais afetadas, representando 50% dos casos entre zero e 9 anos de idade.

De acordo com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), nos últimos 15 dias, houve aumento de 30% na demanda por atendimento nos postos de saúde de Campo Grande. A volta das aulas é o que explica o pico nos atendimentos.

De acordo com a superintendente de Vigilância em Saúde de Campo Grande, Veruska Lahdo somente na semana passada, 53 crianças de zero a nove anos estavam internadas em decorrência da SRAG. Várias outras crianças aguardam em UPAs, por uma vaga em hospital.

A superlotação, com horas e horas de espera, se tornou rotina em unidades de saúde pública de Campo Grande, mas não se resume a elas. O cenário é parecido em hospitais particulares, que também vivem dias de superlotação, principalmente na ala pediátrica.